A economia que vem do Sol

Foto: Arquivo

Por Oscar de Mattos* 

Mais de um quarto da conta de luz residencial das famílias brasileiras refere-se ao chuveiro elétrico. Assim, substituí-lo representa significativa economia mensal, fator muito importante para o orçamento doméstico, em especial neste momento de redução da renda, desemprego e dificuldades provocadas pela Covid-19, bem como de pressão sobre as tarifas de eletricidade em decorrência da crise hídrica. A alternativa mais econômica, ambientalmente correta e capaz de proporcionar água quente com segurança e conforto é o aquecedor solar.

Para instalar o novo equipamento, há, claro, um investimento inicial, cujo retorno financeiro é compensatório, em torno de 2 a 3 anos. Imaginem uma conta de energia elétrica mensal de cem reais. Deste total, 25 reais referem-se exclusivamente ao gasto com o chuveiro elétrico, fator que corrobora a pertinência de trocá-lo pelo calor que vem do Sol. É importante salientar que os coletores solares são completamente desconectados da rede elétrica, não gerando custos adicionais de medição.

Os aquecedores solares de água são cerca de quatro vezes mais eficientes do que os painéis fotovoltaicos e atendem a aplicações residenciais de baixa até alta renda. São a alternativa mais eficaz para a redução expressiva do consumo nos chuveiros elétricos, que sobrecarregam muito o sistema no horário de ponta (entre 18 e 21 horas), representando mais de 7% de toda a eletricidade gasta no País e 37% no setor residencial neste horário, segundo dados do Balanço Energético Nacional da Empresa de Pesquisa Energética (EPE, 2020 e PPH, 2019).

A tecnologia dos aquecedores solares de água está presente no Brasil há mais de 40 anos. É 100% nacional, gera empregos apenas no País e usa matérias-primas totalmente brasileiras. “Além disso, nosso parque fabril está preparado para atender a demandas bem mais elevadas, pois, em razão das recentes crises econômicas e paralisação dos programas habitacionais e de eficiência energética, sua ociosidade atual é de aproximadamente 55%”, ressalta Oscar de Mattos.

As famílias brasileiras, além de reduzirem suas contas de luz, contribuirão muito para reduzir as ameaças de apagão e/ou de racionamento de energia, ao substituírem seus chuveiros elétricos. A eletricidade consumida por estes pode ser carreada para mover a indústria, a agricultura e os setores produtivos, o que também beneficia todas as pessoas, reduzindo os riscos de paralisação das empresas e aumento do desemprego.

Os aquecedores solares são uma importante, barata e fundamental solução para garantir a segurança energética, pois promovem a eficiência, proporcionam redução da emissão de gases de efeito estufa e, portanto, dos efeitos relativos às mudanças climáticas.

O aquecedor solar de água é o único eletrodoméstico que economiza energia, ante milhares de novos chuveiros elétricos, eletrodomésticos e eletroeletrônicos incorporados diariamente às residências, que aumentam de modo crescente a demanda atual de eletricidade. É um equipamento que faz bem ao bolso, ao País e ao meio ambiente.

*Oscar de Mattos é o presidente da Abrasol (Associação Brasileira de Energia Solar Térmica).

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here