A indústria financeira não será a mesma após as fintechs

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Por Ricardo Anhesini*

O Brasil vive o melhor momento para o desenvolvimento de fintechs de toda a sua história. Entre vários elementos que reforçam esse argumento, está o fato de que o nosso mercado é desproporcionalmente grande se comparado com a realidade de outros países. Além disso, atualmente convergem os seguintes elementos que estimulam esse ecossistema: tecnologia avançada, regulação adequada e consumidores empenhados em valorizar soluções inovadoras e disruptivas.

Com mais de 209 milhões de habitantes, o Brasil já tem mais de 450 startups focadas em soluções financeiras, de acordo o Radar Fintech Lab. Em 2017, o Finnovation revelou crescimento de 40% no número total de startups. A Conexão Fintech identificou, também em 2017, que os investimentos nessas empresas ultrapassaram os R$ 450 milhões.

E não para por aí. As perspectivas positivas também estão no fato de o modelo de negócios das fintechs serem incorporados por organizações de grande porte que atuam. Os bancos, por exemplo, estão investindo pesadamente na digitalização de serviços e parcerias com fintechs são executadas para as instituições financeiras se tornarem mais competitivas.

O fato do governo brasileiro ter autorizado a participação de até 100% de capital estrangeiro nas fintechs de crédito somada com a permissão do Banco Central para uma determinada fintech realizar empréstimos sem intermédio de um banco, atuando como Sociedade de Crédito Direto (SCD), indicam tendência de liberalização do sistema financeiro brasileiro. Esse movimento, inclusive, deve impactar a economia nacional já que haverá mais oferta de crédito no mercado.

O cenário positivo foi confirmado pela pesquisa “Fintech 100”, da KPMG, que concluiu que o Brasil possui 3 das 100 fintechs mais inovadoras do mundo, com destaque para a emergência de neobanks e o crescimento acelerado de serviços bancários digitais globais. No mundo, empresas de pagamentos já dominam esse cenário, com 35 ao todo, seguidas de 23 que atuam com financiamento, 15 na gestão de patrimônio e 12 com seguros. Outro destaque é que quase metade das empresas (41) foram constituídas e continuam a operar em mercados emergentes.

Com o iminente destaque global das empresas de tecnologia que estão transformando o setor bancário e de crédito, também não devem faltar estímulos para startups que já operam no Brasil e estão interessadas em uma cenário em que mais da metade da população ainda não tem acesso aos serviços bancários.

Além disso, o setor de serviços financeiros está se transformando com novos produtos, canais e modelos de negócios inovadores, influenciado por diversos elementos, como expectativas dos clientes, digitalização das empresas e redução de custos.

Ainda que o mercado seja altamente competitivo, a busca por usabilidade e a diminuição de atritos na cadeia, tão importantes para a experiência do consumidor, estarão cada vez mais aliadas às novas tecnologias, como Inteligência Artificial, Big Data e blockchain. Assim, com soluções seguras e inclusivas, haverá um estímulo importante para o desenvolvimento de novos modelos de negócios e atração de investidores internacionais.
O crescimento expressivo de fintechs no mercado brasileiro e as perspectivas positivas embasadas nos números apresentados tornarão as empresas brasileiras mais disruptivas. Todo o mercado será beneficiado, desde que, obviamente, as empresas sejam capazes de liderar essa transformação, integrando esforços e sendo estratégicas nessa jornada digital.

*Ricardo Anhesini é sócio-líder de Serviços Financeiros da KPMG no Brasil.

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