Aproveitem a quarentena, famílias empresárias

“Aproveitar este momento para revisitar o seu modelo de convivência e repensar relações pode ser uma boa prática neste momento de clausura”, orienta Lanz | Foto: Freepik

*Por Thomas Lanz

Estamos experimentando situações nunca antes imaginadas ou vivenciadas aqui em nosso país em decorrência da pandemia do coronavírus. Algumas medidas já decretadas pelas autoridades irão, pelo menos temporariamente, mudar o curso de nosso cotidiano, sem falar dos milhões de estabelecimentos comerciais, de prestação de serviços e industriais que igualmente serão afetados em menor ou maior escala pelo vírus, que se alastra numa velocidade incrível globo afora.

Todos, homens, mulheres, acadêmicos, profissionais liberais, políticos, empresários e empreendedores estão em busca de respostas e soluções para a pandemia que se alastra. Resoluções concretas e efetivas ainda não existem. Estamos diante de um grande ponto de interrogação e a única e mais segura conclusão que temos é: Fiquem em casa! Não saiam! Evitem qualquer tipo de contaminação!

Existe um esforço coletivo buscando amenizar os longos dias que muitos cidadãos terão que passar trancafiados em seus lares. Matérias em revistas, entrevistas, reportagens televisivas entre outros dão dicas e sugestões do que fazer, como aproveitar o tempo seja trabalhando ou brincando. Outras matérias abordam por sua vez aspectos muito interessantes do que fazer consigo mesmo.

Desde o advento da Internet, a interconectividade passou a ser o modus operandi de boa parte da humanidade. Precisamos estar continuamente expostos, conectados uns aos outros, através de múltiplos aplicativos existentes, jogos, grupos de conversas, etc. Mas eu me pergunto: e quando dedicamos tempo a nós mesmos, à reflexão, a uma boa leitura, apreciação de boa música ou fazer com que a memória reviva bons momentos do passado?

Muitas famílias empresárias já passavam, antes mesmo desta crise, por momentos difíceis em suas relações. Vários fatores levaram as famílias a esta situação. Podemos destacar por exemplo: pais que somente se dedicam ao trabalho ou ao seu negócio, sem dar a devida atenção e aconchego a seus filhos. Filhos que se isolam escondendo-se atrás de seus iPhones e tablets. Os conflitos corriqueiros que existem entre pais e filhos, aumentam muitas vezes nas questões referentes à carreira e pressões psicológicas induzindo os a seguir os passos dos pais, acabam por igualmente contribuir para que os filhos se afastem mais de seus pais. O que ainda une a assim chamada família empresária, é o seu negócio. Por quanto tempo ainda?

Aproveitar este momento para revisitar o seu modelo de convivência e repensar relações pode ser uma boa prática neste momento de clausura. Talvez os dias de quarentena possam permitir que as pessoas se envolvam em atividades conjuntas, deixando a empresa e seus negócios totalmente de lado. Assistir bons filmes e debater seu conteúdo pode ser muito bom para reconectar. Assistir a shows remotos ou bater papo sem uma pauta pode ser extremamente saudável. Discutir sobre questões sociais, políticas, etc. Importante é escolher um membro da família para coordenar todo este processo. Outra sugestão é a de aproveitar o tempo de quarentena para participar de uma imersão com uma consultoria para azeitar os relacionamentos. Em resumo, existem inúmeras possibilidades de se unir em torno de muitos assuntos que não tenham como foco central os seus negócios, mas que buscam melhorar o relacionamento e a interação de sua principal equipe de trabalho: os sócios.

Que seja este o momento que pais e filhos possam se reencontrar, mudar e criar os laços necessários para se tornarem mais unidos, de verdade. Este movimento cria os alicerces necessários em prol de todos, pois a consanguinidade não é o suficiente para formar uma verdadeira família empresária, mas boas e respeitosas relações o são.

*Thomas Lanz, presidiu a Carbex Indústrias Reunidas e a Giroflex SA. Teve importantes cargos de gestão na Mangels Industrial e Lafer Industria e Comercio. É conselheiro de administração certificado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), participando de conselhos tanto de empresas nacionais como estrangeiras. Formado em economia pela PUC – São Paulo e mestre em administração de empresas pelo INSEAD – França. É certificado pelo Family Firm Institute (FFI) de Boston – EUA. Tem inúmeros artigos publicados e foi co-autor dos livros “Aspectos Relevantes da Empresa Familiar” e “Empresas Familiares – Uma Visão Interdisciplinar” publicados pela Editora Saraiva e Editora Noeses, respectivamente.

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