Ciência, pobre ciência!

Tivesse ela que lidar somente (somente?) com a pandemia trazida por um vírus desconhecido e letal, o trabalho já seria imenso. Mas ciência na boca do inquilino de Brasília é escarro e na boca do inquilino paulista é sussurro marqueteiro. Um promove reuniões com seus funcionários para disputar quem tem a maior quantidade testosterona e o outro tem hora marcada na televisão todo dia para desfilar um discurso tecnicamente correto, mas antipático.

Os dois, completamente vazios, sem planejamentos, sem ações concretas. E o vírus? O vírus corre à solta, porque aqui em terras brasilis, ao contrário do resto do mundo todo, o que interessa é a promoção do fratricídio, é a exaltação da ignorância, é a negação do conhecimento e o arrebatamento do “Eu”, afinal e ao fim, o que interessa mesmo é a reeleição.

Ciência, pobre ciência. Encurralada pela promoção exponencial da cólera mitômana e resistindo aos que renegam sua história e os avanços maravilhosos que impôs à civilização, já foi trocada até por água tônica e diariamente, tem que se pronunciar a respeito de um remédio que, segundo o inquilino do Planalto Central, é a solução da pandemia porque seu ídolo da Disneylândia falou que é. Afinal de contas, quem é o resto do mundo diante de um mito? E ponto final.

Como em terras paulistas, ciência é mera maquiagem para um projeto roto de futura candidatura (que já vem fazendo água, diga-se de passagem), a pobre leva má fama porque tem que sustentar rodízios e feriados antecipados, ambos mal sucedidos pela simples razão que de científico não tem nada. E uma grande banana para a população!
Em Brasília ou em São Paulo, um ou outro governante (não encontrei outra palavra para descrevê-los, mesmo sabendo que essa não os define) gastam meios e recursos para promoverem a desinteligência e o dissenso, esquecendo que como funcionários públicos que são, tal qual aquele atendente da portaria da prefeitura de Turiúba, estão sempre sob a ordem do desempenho funcional. O contrário disso é crime de responsabilidade!

Mesmo assim, um dos funcionários simplesmente dá de ombros à desoladora pandemia (e daí?), preferindo os aplausos de uma plateia idólatra que serve e é manipulada para ofender a tudo e a todos que pensem ao contrário, aclamando atos autoritários e sobretudo, criminosos, de um passado vergonhoso do País. Também semeiam um ilógico ‘fim das instituições” e outras aberrações rotuladas igualmente de “comunistas”, o termo para designar tudo que nunca compreenderam e tampouco pretendem saber, mas também, não se pode esperar muito de quem tem o whatsapp ou facebook como base de conhecimento e informação. O grande líder (deles, que fique claro) lhes deu a oportunidade para assoberbar a ignorância gratuitamente, levada ao pódio da incivilidade. Creio eu que a ciência (sempre ela!) da psiquiatria saiba definir o que se trata.

O outro funcionário público tem mais polidez, transparece até uma certa cultura, mas é só gordura para disfarçar sua egolatria, escancarada a cada entrevista coletiva recheada de slogans suntuosos para seus planos de governo expostos em famigerados powerpoints apresentados por articulados assessores, criados sob refinada educação mas extremamente rasos, sejam nas suas ações efetivas, seja pela criatividade que lhes falta e não encontrarão nos manuais que acostumaram se socorrer. Afaga a ciência por deleite retórico, mas seus procuradores correm ávidos para exigir ICMS na data de vencimento, sem esperar um dia mais! É, o que passou a não se esperar mais, é algum político trabalhando para o povo e não só para seus interesses eleitoreiros.

P.S. O inquilino do Estado de São Paulo anunciou o suntuoso “Plano SP – A Retomada Consciente” ou coisa assim. A ciência, essa pobre, foi anunciada ao palco um cem número de vezes mas, quando o arremedo de plano foi descoberto, se viu que ela, de novo, foi trocada pelo compadrio, pela eloquência verborrágica e pela próxima eleição. Nada científico, tanto que sob pressão, foi alterado no dia seguinte.

P.S. 2. Eu avisei e fui apedrejado (e claro, virei “comunista”), mas fato é que a “Lava Jato” (o correto é Lava a Jato!) inaugurou o fim da ordem processual e constitucional. Na época, serviu para a torpeza da finalidade exclusiva que se propôs, sob aplausos de uma grande massa. Hoje, essa massa descobriu que quem julga, não pode investigar. Eu avisei.

P.S. 3. Mudando de assunto: fake news não é crime tipificado pelo Código Penal, mas também não se trata da liberdade de expressão contida na Constituição Federal. Entre uma e outra, a hermenêutica (ciência, sua linda) é a solução.

P.S. 4. Exemplos da história recente escancaram regimes totalitários e vis que se impuseram incentivando o armamento da população e com uma Corte Suprema servil a todas as vontades de um ídolo, a quem deviam bajular.

P.S. 5. A frase não é minha e vem da “enciclopédia” Facebook para quem sabe, seja bem compreendida pelos atuais filósofos de redes sociais: Pare de idolatrar político, você parece um idiota!

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