Coisa mais linda é mulher na política

“Embora sejamos mais de 53% do eleitorado, temos apenas 12% de representantes mulheres no poder”, destaca Andrea | Foto: divulgação

*Por Andrea Giugliani

Despretensiosamente, nesses dias, na pandemia, em casa, atraída pelas belas imagens antigas do Zona Sul do Rio de Janeiro, pelos belos artistas e por uma das coisas que mais amo, a Bossa Nova, comecei assistir a série da Netflix “Coisa mais linda”.
Me apaixonei de cara.

Não só por tudo isso que descrevi acima me atraiu, mas pela narrativa envolvendo o empreendedorismo feminino na época dos anos 1950/1960.

Como as coisas eram difíceis para as mulheres naquela época, meu Deus!!!

Época em que as “belas, recatadas e do lar” eram as maiorias na sociedade e; aquelas que fugissem desse padrão eram consideradas “sujas, indignas e malucas”, para não qualificar de forma mais pejorativa ainda.

Tempo em que as mulheres, para que pudessem ter um negócio, precisavam de autorização de um homem para empreender, na maioria das vezes vindo de seu marido; sob a justificativa de que seria para “resguardá-las, para protegê-las”.

Época em que quem entendia de negócios eram apenas “os meninos”!!

Época em que, quando as mulheres diziam que queriam abrir um negócio, eram subestimadas, ainda que suas ideias e atitudes fossem prósperas e passiveis de concretização e de ser um suce$$o!!

Época em que as revista femininas eram escritas por homens.

Época em que apenas o desquite era possível, e ainda consensual. Divórcio, só em 1977.

Muita coisa mudou de lá para cá… mas há muitas coisas ainda que precisariam ser mudadas… evoluídas… que não acompanharam o ritmo e clamor de nossa sociedade “moderna”.

Uma delas é a representatividade da mulher na política, onde atualmente, embora sejamos mais de 53% do eleitorado, temos apenas 12% de representantes mulheres no poder (Legislativo/Executivo).

Mulheres que não possuem representatividade ativa no governo, embora sejamos a maioria da população.

Com esses números, como esperar que leis sejam feitas aos interesses reais das mulheres? Se sua prole? De sua família?

Temos sim que pensar nisso e buscarmos aumentar a nossa representatividade.

Não por conta ou ideais feministas, não!

Mas para termos um olhar feminino, de cuidado, de cautela, de proteção, de família, nas nossas práticas e politicas públicas.

Ainda bem que tem muita gente ajudando e contribuindo com tudo isso…

E você? Já parou para pensar nisso? No seu papel de mulher perante a sociedade e de como nós, meninas, podemos contribuir com a construção de um mundo melhor, para nós e nossos filhos? Para nossa família e a próxima geração?

Um mundo mais justo, mais equânime, mais sustentável, menos corrupto e mais humano!!!

E quem melhor para ter esse olhar que não, uma mulher? Uma mãe? Aquela que gera e que sabe melhor de ninguém do cuidado e da dor de sua prole? Uma empreendedora? Que emprega e sabe o valor da meritocracia e do suor em pagar sua folha de salário, seus fornecedores e honrar com seus tributos, mesmo sabendo que não existe contrapartida compatível?

Ou manteremos o status quo atual e ficaremos no “É pau! é pedra! É o fim do caminho… (…) É o vento, ventado, é o fim da ladeira? É o fim da canseira? O fundo do poço? É o fim do caminho? No rosto, o desgosto? É o fim da picada? O projeto da casa? E a promessa de vida no seu coração”.

Ou viveremos a possibilidade de esperança renascendo em nossos corações com um futuro melhor para todos nós?

Eu prefiro essa segunda opção: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é essa menina, quem vem e que passa, um doce balanço a caminho do mar…”

E você? O que pensa da mulher na política?

 *Andrea Giugliani é advogada tributarista na Giugliani Advogados.

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