Com os combustíveis em alta, como otimizá-los?

Foto: Fernando Frazão/AgBr

Por Cristiane Mancini*

A gasolina apresentou um aumento de 51% ao longo do ano de 2021 e a tendência segue de alta no Brasil.

O preço do petróleo apresentou alta nos últimos meses, superando 60 dólares o barril e por conta da pandemia houve uma busca maior pela commodity e, consequentemente, os preços foram impulsionados para cima. Outro fator explicativo é o câmbio no Brasil. O dólar segue se valorizando frente ao Real, permanecendo em torno de R$ 5,30 muito em decorrência da crise atual e por ser comprado em dólares, o preço do petróleo é bastante sentido pelos brasileiros.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço do litro da gasolina comum na bomba de alguns postos de combustíveis ultrapassou R$ 7 no Acre, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em Tocantins. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no, acumulado até julho, o preço da gasolina já subiu 27,51% e o diesel +25,78%.

Cristiane é economista e docente universitária | Foto: Arquivo

Por que alguns estados sentem uma alta mais expressiva?

O preço dos combustíveis é composto pelo preço exercido pela Petrobras nas refinarias somando os tributos federais (PIS/Pasep, Cofins e Cide), os tributos estaduais (ICMS), o custo de distribuição e revenda e o custo do etanol anidro na gasolina, e o diesel tem a incidência do biodiesel.

As oscilações de todos esses componentes do preço são determinantes no preço do combustível nas bombas. O imposto é cobrado de acordo com a estimativa de preço médio pago pelos consumidores. Dessa forma, se o preço sobe na bomba, os governos estaduais podem subir a estimativa de preço médio sobre o qual o ICMS incide.

Posso fazer algo?

Sim, algumas dicas para otimizar o combustível e poupar são:

Calibragem permanente dos pneus: pneus em boas condições é essencial para economizar combustível. Pneus murchos influenciam diretamente no rendimento do veículo, pois geram mais atrito com o solo.

Equilíbrio na troca de marchas e velocidade constante: troque as marchas na rotação correta, mantendo o motor compatível à marcha escolhida, sem forçar.

Evite acelerar e freiar sem necessidade: Para prevenir o desgaste do motor, é importante trocar as marchas de forma suave e acelerar naturalmente para não desperdiçar combustível. Se o semáforo está vermelho, não se deve acelerar, pelo contrário, reduza a velocidade até que o semáforo fique verde.

Não acelere com o carro desengatado, em descidas e parado: Não há necessidade de aceleração no frio, para o carro “aquecer”. Para os flex, abasteça o tanquinho de partida a frio. Caso contrário além de gastar combustível à toa, haverá o desgaste desnecessário das peças. Quando estiver parado, a aceleração também não deve ocorrer, pois contribui para esvaziar o tanque mais rápido. Outra dica é observar o trânsito, desacelere e freie aos poucos. Carro engrenado sem aceleração, envia menos combustível ao motor.

Não carregue peso: carro cheio contribui para aumentar o consumo de combustível – cargas acima de 10 kg já influenciam no consumo do combustível, pois há maior utilização do motor. Leve somente o necessário, sem estoques, “sem armários” no carro.

Cuide da aerodinâmica: qualquer bagageiro, calhas nos vidros, porta pneus, carretinha, dentre outros objetos, consome mais combustível bem como andar rápido com os vidros abertos. Use conscientemente.

A alta dos combustíveis já provocou a desocupação de mais de 25% dos motoristas de aplicativo e tem exigido maior consciência nas compras em supermercados e em outros comércios dado que a alta dos preços dos combustíveis acaba sendo repassada nos preços dos produtos de forma geral.

*Cristiane Mancini é economista, mestre em Economia pela PUC-SP, docente universitária e autora de livros sobre Economia.

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