Com queda de 0,2% no primeiro tri, Brasil deve fechar 2019 abaixo de 1%

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"O quadro geral, porém, mostra que a economia brasileira ainda está sem impulso", avalia o economista Silveira | Foto: divulgação

*Por Pedro Paulo Silveira

O IBGE divulgou o PIB do primeiro trimestre e ele veio com queda de 0,2%. Se levarmos em conta uma alta modesta de 0,1% no segundo trimestre e duas altas de 1% nos dois últimos, o PIB fecha com alta de 1% nesse ano. Como são dados bastante otimistas, é possível considerar esse cenário como o limite superior de nossas estimativas. Esse número teve forte influência da paralização das atividades da Vale e da retração da economia Argentina. O quadro geral, porém, mostra que a economia brasileira ainda está sem impulso, apesar da queda dos juros e da percepção de risco ocorrida nesse período de posse do novo governo. Os dados vieram dentro de nosso intervalo, por isso mantemos nossa estimativa para o PIB de 2019, em 0,7%, com viés de baixa.

Os mercados globais continuam mostrando a preocupação com a desaceleração da atividade econômica. Os juros soberanos continuam muito baixos, com destaque para o alemão, que está em -0,16% e para a curva de juros dos EUA, que está com –9 bps. O PIB dos EUA cresceu 3,1% em sua segunda leitura, um pouco abaixo dos 3,2% da primeira. O número, apesar de elevado, esconde uma desaceleração importante da economia americana. O consumo cresceu a 1,3% e os lucros corporativos caíram 1,3%. Apesar do barulho político que os 3,1% podem produzir a favor da campanha política de Trump, ele é insuficiente para convencer o mercado que a economia vai realmente bem por lá.

O IBRE-FGV divulgou o IGP-M de maio, em 0,45%, bem abaixo dos 0,92% de abril. O acumulado em doze meses está em 7,64%. O IPC caiu de 0,68% para 0,35% e acumula 5,07% em doze meses. Esse número mostra que os choques observados nos primeiros meses do ano estão perdendo força e não seguraram a inflação do consumidor em um patamar elevado. Apesar de estar em 5,07%, o IPC deve desacelerar rapidamente e fechar o ano dentro ou abaixo da meta de 4,25%. A abertura do mercado mostrou cautela com as divulgações, com o futuro do Ibovespa subindo pouco mais de 100 pontos, em 96.660 e o futuro do dólar em R$ 3,987, alta de 10 pontos. Os juros se mantém no piso histórico, em 8m57%, para jan/2027.

*Por Pedro Paulo Silveira é economista-chefe da Nova Futura Investimentos.

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