Comando compartilhado

Por Milton Bigucci*

Dirija sempre a sua empresa, a sua entidade, com a ajuda de colaboradores competentes. Nunca sozinho. O poder único é muito solitário e não é bom para ninguém. Nem para quem dirige, nem para quem é dirigido. Seja amigo deles, brinque e deixe-os felizes com as suas frases. Você dirigirá feliz.

Aprenda ouvir e a compartilhar ideias e soluções. Discuta, e com certeza todos aprenderão mais. O poder absoluto não é construtivo e é falível. Troque experiências com os seus colaboradores, inclusive os jovens e não só com os mais velhos.

Não seja arrogante, prepotente ou dono da verdade. Nunca se esqueça das suas origens. No meu caso, muito pobre e humilde, filho de operário e mãe do lar. Os jovens também nos ensinam. Eu sempre aprendo muito com eles, além de me modernizar.

Seja respeitado como um gestor que ouve e não apenas pelo seu poder e a sua autoridade. Vá à luta sem medo, compartilhando. Mantenha o foco sempre.

Não deixe pequenos conflitos individuais ou coletivos crescerem. Coloque as pessoas juntas e discuta para se chegar ao melhor resultado para a empresa.

Enfim, dirija de forma transparente com todos jogando no mesmo time e não como inimigo ou omisso. Com certeza, a sua ajuda será maior e melhor. Seja um líder e não um carrasco, divida as suas decisões e com certeza o resultado será melhor. Aja com sabedoria sem arroubos de ira.

Foto: Celso Lima

Temos que ter sempre bons exemplos para seguir, pois sempre temos também seguidores e não podemos falhar. Temos que ser justos e retos sem máculas. Não se cale, dê a sua opinião e ouça bastante. A razão às vezes pode estar com o outro. Todos têm que ter o direito sagrado de se fazer ouvir.

Chegue sempre cedo ao trabalho e acompanhe os assuntos de cada um e o que estão fazendo. Facilita as decisões.

Procure incentivar os colaboradores a pensar e a dar sugestões para melhorar a gestão da empresa. Elogie as boas ideias e corrija as outras com a sua experiência.

Não busque o sucesso. Ele vem naturalmente com muito trabalho.

Procure aculturar o colaborador com a visão empresarial para que todos o ajudem a alcançar as metas de inovação, empreendedorismo e solidariedade. Incentive-os a estudar.

Não deixe de participar de entidades, eventos sociais e esportivos, que têm o dom de integrar as pessoas e lubrificar a mente e o físico.

Nunca se esqueça: fique junto com os seus colaboradores nas crises ou nas vitórias. Eles são seus amigos sempre e entendem como você a situação do País e da empresa. Todos aprendemos com os erros. Procure sempre simplificar as coisas e, como eu sempre digo: ‘ouça mais e fale menos’. Atualize-se. Trabalhos filantrópicos e sociais têm que fazer parte da sua vida e da sua empresa.

O trabalho de conscientização das pessoas para o bem tem que fazer parte da nossa vida. Se puder ajudar alguém, faça sem alarde.

Sou um homem simples, tranquilo e feliz, acho que não faria diferente nada do que fiz na vida. Minha palavra vale. Sou amante das regras e disciplinas. Se puder, deixe um legado de experiência a todos os seus familiares, colaboradores e amigos. Ame-os.

Persistência é a atitude chave. Não desanimar nunca.

*Milton Bigucci é presidente da construtora MBigucci, membro do Conselho Fiscal da Associação dos Construtores do Grande ABC, membro do Conselho Consultivo Nato do Secovi-SP e do Conselho Industrial do CIESP, conselheiro vitalício da Associação Comercial de São Paulo e conselheiro nato do Clube Atlético Ypiranga (CAY). Autor dos livros “Caminhos para o Desenvolvimento”, “Somos Todos Responsáveis – Crônicas de um Brasil Carente”, “Construindo uma Sociedade mais Justa”, “Em Busca da Justiça Social”, “50 anos na Construção” e “7 Décadas de Futebol”, e membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, cadeira nº 5, cujo patrono é Lima Barreto.

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