Comércio entre o Brasil e os países árabes

Por Cristiane Mancini*

A Liga Árabe é um bloco econômico formado por 22 países com o objetivo de organizar e estreitar relações políticas, culturais e econômicas de seus estados. Os países-membros do bloco são: Somália; Argélia; Emirados Árabes; Egito; Iraque; Bahrein; Jordânia; Catar; Líbano; Omã, Arábia Saudita; Mauritânia; Iêmen; Palestina; Líbia; Djibouti; Sudão; Comores; Marrocos; Tunísia; Kuwait; Síria – suspensa desde 2011 dada Guerra Civil. O que nem sempre é de conhecimento é que o comércio entre o Brasil e os países árabes revelam uma significativa oportunidade de negócios para ambos.

A exportação brasileira aos países árabes cresceu 8% de janeiro a novembro de 2019 sobre o mesmo período de 2018, se mantendo como o terceiro principal destino das exportações brasileiras, totalizando um saldo positivo para o Brasil em US$ 4,9 bilhões segundo dados do Ministério da Economia.

Os principais produtos que o Brasil comercializou para o mercado árabe foram a carne de frango (19% do total exportado), seguido pelo açúcar (18%), minério de ferro (15%), carne bovina (10%) e milho (9%). Por outro lado, o Brasil importou menos produtos árabes, apresentando uma taxa negativa de 7,7% nos 11 primeiros meses deste ano sobre o mesmo período do ano passado e ficou em US$ 6,4 bilhões. Os principais produtos importados são principalmente combustíveis minerais, fertilizantes e uma pequena parcela de produtos plásticos e alumínio.

Alguns produtos em destaque

Milho: O cereal mais vendido foi o milho, com US$ 1 bilhão. As exportações do produto ao mercado árabe avançaram 47,3% de janeiro a novembro de 2019 sobre os mesmos meses de 2018, quando estavam em US$ 681,2 milhões. O milho representou 97,6% das vendas de cereais do Brasil aos países árabes e em volume, um crescimento de 50% (atingindo 5,9 milhões de toneladas).

Arroz: O arroz foi o segundo cereal que o Brasil mais exportou ao mundo árabe nos 11 primeiros meses de 2019. Foram US$ 24,4 milhões, com variação de 720% (anteriormente estavam em US$ 2,9 milhões).

Juntos, os países árabes formam o maior mercado para cereais do Brasil no exterior.

Cosméticos: Vislumbrando a potencialidade no mercado árabe, o Boticário abriu sua terceira loja em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O Boticário licenciou sua marca para a empresa local dos Emirados, a Millennial Capital Ltd, que está gerenciando o varejo no país árabe. A loja oferecerá os 480 produtos mais vendidos da rede, incluindo cuidados com o corpo e rosto, maquiagem, fragrâncias, desodorantes, sabonetes e xampus. A marca não realiza testes em animais e investe 1% da receita na preservação florestal, pontos importantes para o mercado árabe.

Os países árabes se mostram importantes demandantes de commodities brasileiras e de carnes, mas ainda só atende 10% das compras dos árabes de alimentos. No caso das carnes, o percentual sobe para 20%, o que denota inúmeras oportunidades de exportação ao local e potencialidade para a oferta de produtos de maior valor agregado, como do tipo gourmet, orgânico e demais produtos, pouco explorados pelas empresas brasileiras.

*Cristiane Mancini é economista, mestre em Economia, ambos pela PUC-SP, e docente de Economia

 

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