Como os conflitos prejudicam a produtividade?

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“importante esclarecer que, por conflito, não nos referimos apenas a brigas ou discussões calorosas, mas a qualquer tipo de ruído ou divergência que haja no trabalho”, comenta a especialista Allessandra Canuto | Foto: Freepik

Por Allessandra Canuto

Os números não mentem. Além de dificultarem o cumprimento das tarefas do dia a dia, conflitos no ambiente de trabalho impactam diretamente na produtividade de uma empresa.

Um estudo apontou que, nos Estados Unidos perderam quase três horas por semana lidando com conflitos em 2008. Para as empresas, isso significou um dispêndio de nada menos do que US$ 359 bilhões (considerando uma remuneração média de US$ 17,95 a hora), equivalente a 385 milhões de horas de trabalho.

Perda de tempo, evasão de clientes, fuga de talentos, queda na motivação. Essas são algumas das consequências de um ambiente marcado pelo conflito.

É importante esclarecer que, por conflito, não nos referimos apenas a brigas ou discussões calorosas, mas a qualquer tipo de ruído ou divergência que haja no trabalho: um e-mail mal redigido, um olhar enviesado, uma instrução não compreendida. Tudo isso, tem o potencial de, aos poucos, minar a produtividade, gerando sobrecarga, estresse e cobranças, e puxar os resultados para baixo.

Saber gerenciar conflitos, tomar decisões embasadas e influenciar positivamente os colegas são características que podem proporcionar muito mais do que um ambiente de trabalho agradável, o que por si só já é uma vantagem e tanto. Esses atributos ajudam a alavancar a produtividade das companhias e, possivelmente, a carreira de seus funcionários.

Para quem (ainda) não tem essas habilidades, a boa notícia é que podem ser desenvolvidas. Correr atrás delas, aliás, faz parte da lista de tarefas de qualquer um que almeje uma trajetória de crescimento. Em uma rotina profissional carregada de competitividade e cobrança, sairá na frente quem souber lidar com os ruídos típicos desse tipo de ambiente.

Para dar o primeiro passo, é necessário, antes de tudo, chamar a responsabilidade para si, em qualquer situação que se vivencie no trabalho (e na vida também!). Risque a expressão “não tenho nada com isso” do vocabulário. A partir do momento em que você se encontra em meio a um conflito, isso tem sim a ver contigo. Lembrando que “responsabilidade” e “culpa” não são sinônimos. Antes de apontar o dedo para o lado, pense nas ações que você mesmo pode tomar.

Não temos controle sobre os outros, apenas sobre nós mesmos. Somente conseguiremos contornar um conflito quando assumimos a parte que temos sobre ele, de forma transparente, eficaz, assertiva. Uma atitude simples, que faz diferença. Em um grande grupo, um membro tem o potencial de influenciar o outro e, com isso, mudar o panorama geral. Chame para si a responsabilidade da mudança.

*Allessandra Canuto é especialista em gestão estratégica de conflitos, sócia da AlleaoLado, empresa focada em consultoria e coaching para empresas, e coautora do livro “A culpa não é minha”.

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