E-commerce: Pix permitirá compras parceladas para consumidores sem cartão de crédito

“Previsto para 2021, o pagamento programado vai mudar a forma com que as pessoas irão fazer as transações no ambiente digital e incluir novas camadas da sociedade nas compras online”, avalia Lima | Foto: divulgação

*Por Gabriel Lima

Com previsão de lançamento em novembro, o Pix – novo meio de pagamentos e de transferência instantânea criado pelo Banco Central (BC) – promete impulsionar ainda mais as vendas no e-commerce nos próximos anos. Apenas no primeiro dia de funcionamento do sistema foram registradas mais de 3 milhões de chaves, que são os dados pessoais cadastrados pelos interessados em realizar as operações financeiras.

Conhecido por ser inclusivo e acessível, o novo sistema irá facilitar a compra parcelada de uma maneira geral para os consumidores, uma vez que não demandará o uso do cartão de crédito. Com isso, o número de pessoas que devem passar a realizar compras online deve aumentar sensivelmente, já que uma parcela significativa da população brasileira ainda não dispõe de acesso ao crédito com tanta facilidade.

É importante salientar que a funcionalidade de parcelamento, nomeada como pagamento programado, não vai estar disponível logo após o lançamento do sistema. A previsão é apenas para 2021. Para o e-commerce, essa funcionalidade certamente irá resultar em aumento nas vendas e conquista de potenciais clientes.

De imediato, o Pix tende ajudar no aumento da conversão de vendas. Isso se dá pelo fato do sistema confirmar o pagamento de forma instantânea, permitindo que a operação do site agilize todas as etapas de processamento dos pedidos, que envolvem separação em estoque e envio para o cliente. Hoje, isso não acontece com o pagamento via boleto bancário. Esse método de pagamento demanda um tempo demasiado para que a compensação seja concluída, fora o fato de muitas vezes o consumidor emitir e depois desistir da compra.

O Pix também vai resolver outra dor sensível aos e-commerces: a comissão paga por cada transação às empresas adquirentes. Atualmente, a taxa média no cartão crédito é de aproximadamente 3% sobre o valor de cada transação. Isso vai proporcionar redução nos custos da operação.

Outro motivo de comemoração é o fato do novo sistema de pagamento ter a chance de derrubar a falta de segurança que os consumidores têm ao realizar uma compra online. Por mais que as vendas com cartão de crédito no e-commerce estejam crescendo, nem todos ainda se sentem seguros em inserir dados bancários nos sites por receio de golpes e clonagens.

A verdade é que o Pix veio para modernizar o mercado e isso vai exigir que os líderes digitais incluam o novo sistema do BC definitivamente como uma opção de pagamento aos usuários do e-commerce. Quem não fizer isso rapidamente tende a ficar para trás, perdendo oportunidades concretas de aumentar as vendas e reter os clientes atuais.

*Por Gabriel Lima é CEO e fundador da Enext, consultoria especializada em comércio eletrônico do grupo WPP. Mestre em administração de empresas pelo Insper, é autor dos livros Comércio Eletrônico: Melhores Práticas do Mercado Brasileiro e Líderes Digitais. 

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