Empreendedor brasileiro x americano: qual a diferença?

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Por André Kina, presidente da 4BIO Medicamentos Especiais

O número de brasileiros abrindo o seu próprio negócio vem aumentando consideravelmente nos últimos anos. Mas em muitos casos a falta de experiência faz com que a iniciativa não dê certo e isto passa a ser visto como um fracasso ou motivo para desistir. Contudo, o conhecimento adquirido pode ser um diferencial em uma próxima oportunidade, já que se espera que o empreendedor não cometa os mesmos erros novamente.

Atualmente, o Brasil lidera o ranking mundial de empreendedorismo, segundo um estudo realizado pela London Business School e o Babson College. Tornar-se dono do próprio negócio é um desejo. Dados de outra pesquisa, da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada no Brasil pelo Sebrae e pelo instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade, mostram que este é o terceiro maior sonho dos brasileiros, ficando atrás apenas de adquirir a casa própria ou viajar. Não é a toa que, de 2004 até o ano passado, a taxa de empreendedorismo no país aumentou de 23% para 34,5%.

E essa vontade de andar com as próprias pernas é um desejo da maioria das pessoas, indiferente da idade. Pois, ainda com base na pesquisa, três em cada dez brasileiros entre 18 e 64 anos possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio. Outro dado interessante mostra que fazer carreira em uma companhia não está entre os principais projetos dos executivos. Apenas 16% têm essa mentalidade, enquanto 31% desejam ser o seu próprio chefe.

Mas vale lembrar que é comum o negócio não ter o sucesso esperado em um primeiro momento e é aí que a desistência e a desilusão acometem os empreendedores. Dados da Endeavor mostram que de quatro empresas abertas, duas fecham antes de completar dois anos. A vontade de empreender é grande, mas nem todos estão preparados para esta frustração.

Este fato leva a pensar sobre a diferença entre os empresários brasileiros e os americanos. Aqui o fechamento de um negócio é visto como fracasso e muitas vezes não há uma segunda tentativa. Nos Estados Unidos, existem investidores que optam por aplicar seu dinheiro em administradores que já tenham fechado pelo menos uma empresa, pois consideram que possuem experiência e não irão cometer os mesmos erros novamente.

Certamente, não é fácil aceitar o insucesso de um negócio, mas isso não precisa ser motivo de vergonha e desistência. Afinal, na maioria dos casos, as falhas cometidas vêm da falta de conhecimento. O negócio que deu errado pode ser trazer um grande aprendizado e também um incentivo para que em uma próxima oportunidade o empreendimento seja mais bem planejado, com maior cuidado e atenção.

Assim aconteceu comigo. A primeira empresa que tive terminou com um prejuízo financeiro. Eu não tinha conhecimento do mercado em que estava atuando, não era uma área pela qual eu me interessava, desconhecia a concorrência e nem me preocupei em criar um plano de negócios. E essas foram as principais lições que tirei do meu “fracasso”.

Hoje posso afirmar que os bons resultados vieram após muitos estudos e pesquisas. Por isso, se uma tentativa não deu certo, aprenda com seus deslizes e busque novas oportunidades para recomeçar. Com mais experiência certamente o sucesso estará mais próximo.

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