Humanismo e capitalismo

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Foto: Reprodução

Benício José Filho*

Tenho certeza que muitos me acharam louco por colocar o nome deste artigo de “Humanismo e capitalismo”. Bem, certamente é uma reflexão válida quando o ponto de análise são as empresas nascidas com propósito claro. Sabemos que o humanismo, e sem aqui entrar na origem deste que foi um dos movimentos mais importantes de transformação do pensamento, foi, sim, responsável por colocar o homem no centro do mundo e a partir dele entender tudo que estava à sua volta. Veja. não estou dizendo que o homem no centro do mundo deve ser elevado a posição de Deus. Mas analisando o mundo a partir do prisma da centralidade da pessoa humana, mudamos consideravelmente nossa forma de olhar o mundo.

Num primeiro movimento, partimos do ponto que estando o ser humano no centro, tudo tem que fazer sentido a ele. Minha provocação aqui é olhar as empresas privadas essenciais no capitalismo a partir deste viés. Estando o ser humano no centro, quais empresas realmente fazem sentido existir no mundo? Sem propósito, criamos negócios que apenas visam o lucro sendo estas empresas, em muitos casos, usurpadoras de almas dos seus colaboradores, extremamente poluentes que tal ausência de sustentabilidade não se dê no produto final, estas empresas deixam ao longo da cadeia uma verdadeira trilha de morte. Destruindo ambientes, comunidades, rios e mares. Salve o exemplo da indústria da moda. Caso você nunca tenha visto, sugiro colocar no Google a palavra “produção de jeans” e ver as imagens. Com certeza ficará assustado.

Foto: Renan Torres

Sendo, então, propósito essencial para que o humanismo esteja relacionado ao capitalismo, vejo que apenas a criação de empresas que tenham a essência dos seus fundadores e o propósito claro de existência façam sentido no mundo em que vivemos. Novamente toca a minha alma as empresas que nascem para solucionar problemas de verdade. Pense comigo: a pessoa humana é o centro por que criar algo que não resolva verdadeiramente problemas? Apenas o lucro sem objetivo claro de entrega de valor não atende a necessidade do mundo, tendo como cenário a escassez de recursos naturais e o ser humano que busca sentido no consumo dos produtos e serviços que ele utiliza no seu dia a dia. Como uma nova porta que se abre o movimento de cultura de startup responde a grande maioria dos questionamentos do mundo de hoje.

Nas empresas nascidas no movimento que podemos chamar de “cultura de startup”, propósito e essência são pilares existenciais. Solucionar um problema é a regra do negócio. Ser essencial e estar no dia a dia dos consumidores é mantra. Ter soluções que escalam sem precisar gerar uma enormidade de passivos sejam eles trabalhistas, ambientais, etc, está no DNA destas companhias. Escalabilidade é também um dos motores destes negócios que já têm em sua origem o design para que isso seja possível. Quebro aqui outro paradigma que apenas empresas que desenvolvem produtos ou serviços puramente baseados em sistemas de computação têm em seu escopo a capacidade de preencher os quesitos que descrevi acima. A grande verdade é que não se trata de apenas utilizar tecnologia, mas sim ter a tecnologia a serviço das soluções e ela, sim, a tecnologia, ser o viés de construção das melhores formas de resolver os problemas da humanidade.

Não será a tecnologia que estará no centro do mundo, mas sim o ser humano dotado da consciência que é, sim, seu lugar estar no centro utilizando da melhor forma a tecnologia para construir negócios e soluções que melhorem a vida no planeta. Sendo assim, humanismo e capitalizamos estarão sempre alinhados.

*Benício José Filho é professor de Empreendedorismo Instituto Mauá de Tecnologia e ex-presidente do Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul (ITESCS). Promove a atividade tecnológica e o empreendedorismo no ABC.

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