Internet das Coisas na construção civil: reimaginando a maneira que construímos

“O universo de oportunidades para a aplicação da Internet das coisas é imenso”, destaca o engenheiro Santos | Foto: reprodução

*Por Caio Rubens Gonçalves Santos

Imagine chegar em casa e o portão do edifício reconhecer seu smartphone ou até seu carro. Ao estacionar o veículo, o elevador é acionado e rapidamente o aguarda. Em casa, seu ambiente particular, tudo já está preparado para recebê-lo, iluminação confortável, ar condicionado na temperatura correta e música ambiente. Isso tudo ainda pode soar como um filme futurista, mas estamos cada vez mais imersos nesta realidade, graças à Internet das coisas (Internet of Things – IoT).

O universo de oportunidades para a aplicação da Internet das coisas é imenso. Objetos equipados com sensores e atuadores, conectados à rede, gerando e analisando dados para prever, monitorar, corrigir comportamentos e maximizar o desempenho estão cada vez mais presentes no mercado. Imagine agora a revolução que este conceito pode proporcionar nos mais diversos setores da sociedade, desde o compartilhamento e monitoramento da condição de saúde de um usuário com serviço de saúde até o transporte com veículos autônomos, por exemplo.

No setor imobiliário observa-se com entusiasmo os avanços, a passos largos, destas tecnologias. Torna-se cada vez mais frequente, e viável, a construção de smart buildings, edifícios inteligentes cada vez mais eficientes e sustentáveis. Um edifício com esta tecnologia pode monitorar tanto o consumo de energia, quanto o comportamento dos usuários, gerar dados, e por meio de inteligência artificial prover adequações em tempo real de rotinas que o tornam cada vez mais únicos, eficientes e sustentáveis.

Mas e na construção civil, o que a IoT pode mudar na forma como construímos? A revolução acontece tanto nos processos de planejamento, projeto e construção, quanto na operação e monitoramento das edificações. Apesar de menos explorado, o universo de possibilidades é igualmente promissor.

Durante a construção, na etapa de obras, a utilização dos conceitos da Internet das coisas ainda encontra certa resistência. Experiências de canteiros de obra com monitoramento tanto da mão de obra quanto dos equipamentos e insumos mostram que as vantagens vão desde a economia de material e redução no tempo de execução e até a melhoria no desempenho dos funcionários e redução de acidentes. Imagine, por exemplo, Equipamento de Proteção Individual (EPIs) adequadamente identificados e conectados à rede, restringindo o acesso de funcionários a áreas conforme o grau de risco, ou até mesmo controlando o acionamento de equipamentos que exijam proteção específica.

No monitoramento das estruturas, vistorias para a identificação de patologias em grandes edifícios são trabalhos de grande complexidade e podem ser muito beneficiadas com a utilização de drones. Alunos e professores do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) encaram este desafio: “ensinar” drones a identificar e registrar as diversas patologias usando ferramentas de machine learning.

A etapa seguinte é a elaboração de correlações e modelos preditivos visando uma manutenção preventiva mais eficiente. Ainda no IMT destaca-se a recém criada plataforma Smart Campus, que visa propor soluções tecnológicas para problemas da universidade, utilizando IoT, e tem despertado grande interesse dos alunos.

Na engenharia civil, além da construção de edifícios, a utilização da IoT encontra ainda campo fértil e promissor no planejamento e construção das cidades inteligentes (Smart cities). Fica fácil imaginar incontáveis situações onde a interconexão, geração de dados e troca de informações entre objetos ligados à rede pode melhorar a vida nos grandes centros urbanos.

Com o objetivo de controlar e reduzir congestionamentos, semáforos inteligentes, sensores de controle e contagem de veículos nas vias urbanas e sistemas de pagamento de tarifas inteligentes no transporte coletivo são tecnologias cada vez mais frequentes nas cidades desenvolvidas. Prevenção de enchentes e previsão de evacuação em situações de risco pode ser uma aplicação extremamente útil.

A Internet das coisas encontra na engenharia civil um vasto e riquíssimo ambiente a ser explorado e remodelado. A velocidade com que novas possibilidades se tornam viáveis neste universo nos indica um caminho imensamente promissor e sem possibilidade de volta.

*Caio Rubens Gonçalves Santos possui graduação em Engenharia Civil, mestrado em Engenharia de Transportes e doutorado em Engenharia de Transportes. Atualmente é professor associado do Instituto Mauá de Tecnologia. 

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