Micro e pequenas empresas: como se organizar para buscar crédito

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Por Jandaraci Araújo*

Nesse momento de crise e desaceleração na economia, os micro e pequenos empresários foram em busca de crédito. No entanto, apenas 42% deles conseguiram acessar linhas de crédito, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae e Fundação Getúlio Vargas no início de maio deste ano.

Foram várias ações anunciadas para aliviar as contas das PME’s durante a pandemia, desde prorrogação de financiamentos a linhas de crédito específicas. Algumas dessas ações só foram implantadas recentemente, como, por exemplo, o PRONAMPE que só agora foi regulamentado pelo Governo Federal. Os governos estaduais também criaram linhas de auxílio para os pequenos e micro empresários, através de suas agências de fomento, em São Paulo, foram liberados mais de R$ 650 milhões através da Desenvolve SP e Banco do Povo.

Jandaraci é Subsecretária Empreendedorismo Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo e também é Diretora Executiva do Banco do Povo Paulista | Foto: Divulgação

Com o início da reabertura dos estabelecimentos em algumas cidades, a procura por crédito tende a diminuir, mas se seu empreendimento irá precisar de crédito é bom que esteja preparado. Seguem algumas dicas básicas de como se organizar para partir em busca de crédito:

1. Verifique as linhas de crédito, disponíveis em seu banco de relacionamento – onde você mantém as contas do seu negócio e/ou pessoa física. Essa deve ser sempre a primeira opção, pois evita ter que apresentar uma série de documentos que são exigidos para iniciar uma conta em outra instituição financeira. E claro compare com outras instituições taxas e condições prazo e limites, isso aumenta seu poder de negociação.

2. Tenha as alterações societárias e declarações de impostos regularizadas. O Pronampe, por exemplo, utiliza a última declaração para liberar o valor que corresponde a até 30% do faturamento em 2019. Se a empresa tem menos de 1 ano de constituição, será considerado o capital social e o valor liberado pode chegar até 50% do capital declarado.

3. Mantenha os controles financeiros da sua empresa em dia. Para os nano e micro empreendedores, faça uma planilha simples onde esteja demonstrado as receitas e custos do seu negócio. Se tiver muita dificuldade, procure o auxílio de um especialista em finanças ou contador.

4. Com os controles financeiros em mãos, analise seu fluxo de caixa para não entrar em um alto nível de endividamento e não conseguir arcar com seus.

5. Faça um levantamento de quais garantias poderão ser oferecidas na contratação do crédito. Dependendo do valor solicitado os bancos podem pedir alguma garantia em troca. O FAMPE – Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas do Sebrae, é uma alternativa às garantias reais exigidas pelas instituições financeiras, pois garante até 80% da operação de crédito de micro e pequenas empresas.

6. Verifique todas as restrições que possam impedir a solicitação do crédito, não basta não ter restrição no CNPJ, o CPF dos sócios ou proprietário também precisa estar sem restrições.

Se com tudo isso em mãos ainda tiver dificuldade, uma alternativa é partir para a antecipação dos recebíveis. Os meios de pagamentos digitais e as maquininhas oferecem essa alternativa, nem sempre com as melhores taxas, mas é mais uma forma de crédito, principalmente em tempos de baixa liquidez no mercado.

E foco na virada, empreender nunca foi fácil. Vai passar!

*Jandaraci Araújo é Subsecretária Empreendedorismo Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo também está como Diretora Executiva do Banco do Povo Paulista – primeira mulher desde a sua criação em 1997 a ocupar o cargo -. Acaba de ser convidada por Hugo Bethlem para ser Conselheira Emérita do Capitalismo Consciente Brasil. Também é palestrante, professora de Finanças Corporativas de pós-graduação e consultora. Possui MBA em Finanças e Controladoria pela Fundação Getúlio Vargas, MBA Executivo pela Fundação Dom Cabral. Se especializou em Gestão Estratégica pela Business School e Inteligência Competitiva pela ESPM São Paulo. Janda é conselheira da Women in Leadership in Latin America (WILL), ONG voltada para o empoderamento feminino nas organizações e voluntária no Grupo Mulheres do Brasil e Embaixadora do Mulheres do Varejo. Atua também como diretora financeira da Aristocrata Clube. Coordena o programa Empreenda Rápido, que promove capacitação empreendedora, formalização e microcrédito. Ano passado, palestrou na TEDxSão Paulo. Em setembro, lançará o livro “Mulheres nas Finanças”, pela editora Leader, onde contará sua trajetória e experiências.

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