Mulheres empreendem mais na pandemia

*Por Carlos Afonso

Já sabemos que a pandemia impulsionou a abertura de novas empresas no País – reflexo da demissão em massa, na qual muitos brasileiros tiveram de empreender para garantir o sustento da família e da casa. Segundo números fornecidos pelo Ministério da Economia, em 2020 foram abertas 3.359.750 empresas – um aumento de 6% em relação ao ano anterior. No mesmo período ocorreu o fechamento de 1.044.696 empresas, queda de 11,3% na comparação com 2019. O saldo positivo é de 2.315.054 empresas abertas.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae), 2020 teve um aumento de 40% de micro e pequenas empresas abertas por mulheres. Ainda destaco uma pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor, que apontou termos, atualmente, aproximadamente 30 milhões de empreendedoras, o que representa cerca de 48,7% de todo o mercado empreendedor.

Além disso, o Brasil ocupa o sétimo lugar no ranking dos países com maior proporção de mulheres entre os empreendedores iniciais. Na maioria, elas assumem a missão de empreender sozinhas: 81% não têm sócios e apenas 19% possuem um ou mais sócios.

A importância social do empreendedorismo feminino

Gosto sempre de frisar o quão o empreendedorismo feminino mudou a vida das mulheres, possibilitando que muitas delas possam exercer uma carreira profissional, ter renda própria (independência financeira) e oferecer melhores condições financeiras para a família. Elas perceberam na arte de empreender um ofício desafiador e recompensador, na qual a satisfação pessoal e o reconhecimento de sua missão de vida são reconhecidos e valorizados.

União empreendedora

Outro ponto que merece destaque, é que existem diversos grupos corporativos formados por mulheres empreendedoras. Elas se ajudam em diversos sentidos e transformam o cenário onde atuam. Empresárias bem-sucedidas e mais experientes encorajam e inspiram aquelas que estão iniciando sua trajetória ou enfrentando algum tipo de obstáculo.

As associações empresariais e comerciais das cidades têm forte participação neste movimento, uma vez que a maioria possui um Núcleo de Mulheres Empreendedoras, formado por suas associadas. Elas organizam palestras com temas relevantes, aprendem juntas, fortalecem o networking etc.

Números da pandemia

Uma pesquisa do Sebrae e a Fundação Getúlio Vargas revelou que durante a pandemia de covid-19, as empreendedoras demonstraram ter mais agilidade e competência para a implementação de novos negócios e inovação. A maioria das mulheres (71%) fez uso das redes sociais, aplicativos e internet para vender produtos.

Em um comparativo feito pela pesquisa, a maioria dos empresários registrou uma diminuição do faturamento mensal, a partir do início da pandemia, com uma situação ligeiramente pior para as mulheres (78%), em relação aos homens (76%). Por outro lado, elas utilizaram mais das vendas online (34% contra 29%).

As mulheres também inovaram na oferta de seus produtos e serviços (11% contra 7% dos homens), elas aproveitaram dos serviços delivery (19%), enquanto 14% dos empresários utilizaram da mesma estratégia.

O Sebrae acredita que a melhor performance se dá ao nível de escolaridade das mulheres empreendedoras, que são mais escolarizadas do que os homens: 63% têm nível superior incompleto ou mais, contra 55% dos homens com mesmo nível de escolaridade. Outra possível explicação está no percentual de mulheres jovens empreendendo ser maior do que o de homens (24% delas tem até 35 anos, contra 18% deles).

*Carlos Afonso é administrador e contabilista. Sócio-diretor do Grupo MCR – Contabilidade e Auditoria.

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