Reorganizando e repensando na economia pessoal

Por Cristiane Mancini*

A disciplina de um País inicia-se por cada um de seus indíviduos. Desta forma, a disciplina financeira e sua organização nos permite alcançar objetivos e se tornam ferramentais valiosas principalmente em um momento tão adverso e incerto como o atual. 

Um estudo realizado pela plataforma de renegociação de dívidas apontou que 47,7% dos brasileiros possuem dívidas em torno de R$1 mil à R$ 5 mil reais. A mesma pesquisa aponta que o principal responsável é o cartão de crédito (35,2%); em seguida a redução de renda que consequentemente impediu que honrassem seus compromissos (25,4%); juros por concessão de empréstimos (18,2%), cheque especial (4,7%), financiamento de automóvel (3,8%), outros (3,1%) e por fim, principalmente em um ano desafiador com a saúde (3%). Uma das ressalvas é que 89% dos brasileiros mencionam não ter qualquer tipo de reserva, o que significa que em situações inesperadas como diminuição de renda e enfermidades, o brasileiro não possui ao que se recorrer e consequentemente se endivida. 

Com o intuito de repensar as formas atuais de organização financeira e pensar em um novo ano, considere os seguintes pontos: 

Perda de emprego/renda – para amenizar seus efeitos, considere ter ao menos três meses de salário. 

Dívidas – caso existam, procure seu credor para que as mesmas sejam renegociadas e adeque ao seu novo orçamento e/ou momento atual. 

Imprevistos – de acordo com o histórico do brasileiro, os imprevistos mais comuns são com enfermidades e com manutenção de automóveis. Desta forma, avalie, pesquise e barganhe pelo melhor plano de saúde (recomenda-se que a saúde seja uma prioridade) e pesquise o melhor preço em peças de automóveis (seja por loja, localidade) e não deixe a revisão para o último momento, pois pode incorrer em um gasto ainda maior no futuro. 

Cartões – avalie a necessidade de ter diversas bandeiras. Opte por àqueles sem anuidade e diversas promessas de pontos ou programas que não fará uso. Evite pagar o mínimo, pois ao pagá-lo, os juros são aplicados e dificilmente conseguirá honrar e/ou perderá grandes montantes com isso. Por mais assustador que seja, conheça sempre o quanto deve! 

Multas – cuidado com penalidades de trânsitos e contas pagas com atraso. Por descuido e desorganização financeira isso pode acontecer, o que acaba por mais uma vez perdendo grande parte do que arduamente trabalhou para conquistar. Valorize seu dinheiro! 

Cheque especial – atenção! Cheque especial não é renda e tampouco o cartão de crédito. Ambos são instrumentos financeiros à sua disposição. No entanto, o primeiro incorre em juros extremamente elevados e o segundo é uma alternativa à moeda física. O que significa? que se não possui de fato o montante no próximo mês de nada adiantará a utilização do cartão de crédito e/ou o cheque especial. 

Defina objetivos claros e realistas, seja coerente com cada gasto, com a sua renda (salário fixo, rendimentos, aluguéis, dentre outros). Pesquise, mesmo que seja cansativo e que esteja com pressa. É barato? Pode ser, mas mensurou se vale a pena? Se sim, ótimo, opte por ele, do contrário, aguarde o melhor momento para adquirir algo de qualidade. Atenção aos presentes e ao impulso por comprar. Em épocas incertas e de vulnerabilidade há maior tendência a gastos, como formas de recompensa. O dinheiro (a moeda) é nosso aliado à sobrevivência e à realização de metas, não seu inimigo.  

Feliz ano novo consciente! 

*Cristiane Mancini é economista e mestre em Economia pela PUC-SP, docente universitária e autora de livros sobre Economia

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