Sucessão familiar empresarial

Danielle Corrêa*

Uma empresa familiar é aquela que tem origem na família e mantém um vínculo histórico. Os membros da família integram a administração e organização da empresa.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 90% das empresas no Brasil possuem perfil familiar. Elas chegam a representar cerca de 65% do PIB (Produto Interno Bruto) e são responsáveis por empregar 75% dos trabalhadores no país. No entanto, apenas 30% delas sobrevivem à primeira geração e 5% sobrevivem à terceira geração. Diante dessas informações, um plano de sucessões é extremamente importante para que as empresas se mantenham competitivas ao longo do tempo.

Uma das principais causas para o encerramento da empresa familiar é a má gestão, a falta de organização para administrar os conflitos, além da falta de planejamento sucessório.

A rotina acelerada muitas vezes leva os gestores a focarem em atividades pontuais e se esquecem das estratégias do negócio. Importante lembrar que ao atingir um certo patamar de crescimento é imprescindível se pensar no aprimoramento da gestão da empresa e na organização societária.

É primordial que haja um planejamento a fim de organizar e conciliar os interesses dos membros da família em torno da empresa, deixando as desavenças pessoais de lado, focando sempre na condução dos negócios. O planejamento sucessório é um trabalho longo e um pouco cansativo. O seu objetivo é diminuir o impacto da saída do proprietário, protegendo o negócio das mudanças que ocorrerão e preparar a empresa para o avanço.

Como todo esse processo envolve as muitas questões emocionais é comum os as famílias entrarem em conflitos. Desta forma, um procedimento necessário para a sucessão familiar é que a mesma seja feita sempre acompanhada de um advogado para que haja uma diminuição dos riscos e uma melhor organização dos planejamentos.

Alguns requisitos são fundamentais para uma boa sucessão, como a garantia de que o herdeiro esteja pronto para dar continuidade a tudo que o fundador conquistou e planejou. A sua preparação e o seu envolvimento antecipado dentro da empresa é importante para que os colaboradores não o vejam com o filho do dono ou alguém que está ali por ser privilegiado e sim por ser um bom gestor.

Sem um bom planejamento sucessório o falecimento do dono da empresa pode fazer com que ao realizar o inventário vários herdeiros passem a integrar a sociedade ocorrendo vários conflitos de interesse que acabam levando ao seu fechamento. Nessas situações, torna-se questão de tempo a venda do negócio ou a falência.

O planejamento consiste na elaboração de etapas que deverão ser ajustadas com o tempo levando-se em conta o cenário do mercado e o seu modelo de negócio. Além disso, o dono da empresa e seu sucessor devem estar alinhados, sempre se respeitando e agregando o melhor de cada um para uma excelência dessa transição do negócio.

Algumas questões importantes a serem pensadas são: Quem será o processo sucessor? Quando ocorrerá a transição? Como será esse processo? Quem pode e quem não pode fazer parte da empresa? Quem são os membros da família que poderão integrar a administração da empresa? Como serão avaliados? Haverá pagamento? Quais as suas responsabilidades?

Como ficou claro, a sucessão de uma empresa familiar é um assunto complexo que abrange diferentes variáveis, por isso é fundamental encarar essa situação como um processo. A antecedência do planejamento é essencial para que tudo ocorra conforme a organização planejada sem pular etapas. Ou seja, tudo deve ser feito antes que haja uma urgência.

*Danielle Corrêa é advogada desde 2007, com pós-graduação em Direito de Família e Sucessões. Membro da OAB-SP e do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Site: www.daniellecorrea.com.br | Instagram: @daniellecorreaadvocacia | Facebook: facebook.com/daniellecorreaadvocacia Linkedin: linkedin.com/in/advogadadaniellecorrêa

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