Maioria dos moradores de comunidades está otimista com emprego no pós-pandemia

O desemprego é uma realidade para 30% dos entrevistados, já 44% se mantêm em empregos informais, segundo pesquisa do Outdoor Social | Foto: Rovena Rosa/ABr

O isolamento social causou uma forte queda na economia. Para entender o impacto da Covid-19 na população mais vulnerável, o Outdoor Social – negócio que atua no mercado brasileiro de publicidade instalando painéis publicitários, para a comunicação nas periferias, e no desenvolvimento de pesquisas de opinião/consumo com este público – realizou entrevistas telefônicas com moradores das dez comunidades mais populosas da periferia do Brasil, classificados como G10. O estudo aponta que a maioria (62%) acredita que conseguirá uma vaga, após o fim da pandemia, mesmo que com salário menor.

A fundadora do Outdoor Social, Emília Rabello, explica como surgiu o estudo. “Por sermos um negócio de impacto que atua dentro das comunidades, vimos a necessidade de fazer essa pesquisa junto aos moradores, para entender a realidade que eles estão vivendo e como a crise afetou a economia local”.

Um dos principais pontos era constatar o quão próximo deles o vírus havia chegado. A resposta de 79% dos entrevistados é que ou eles próprios ou pessoas conhecidas contraíram a doença e 90% acreditam na existência do Covid-19. A crença na existência do vírus é mais forte quando há pessoas infectadas no círculo social dos entrevistados.

Desemprego x otimismo
O desemprego é uma realidade para 30% dos entrevistados, já 44% se mantêm em empregos informais. “As pessoas estão sobrevivendo de ‘bicos’ e de auxílios. A maior parte dos sem vínculo empregatício tem recebido algum tipo de ajuda, durante a quarentena, seja pelo governo (87%) ou através de instituições da sociedade civil, como igrejas, associações de moradores ou ONGs (28%)”, comenta Emília.

Já o setor de serviços foi apontado como o último emprego por 58% dos respondentes; é também o que mantém o maior percentual de empregados formais, 64%. Mas há esperança em tempos melhore, 62% dos que estão fora do mercado de trabalho formal acreditam que conseguirão uma vaga, após o fim da pandemia, mesmo que com salário menor.

“Apesar de 40% dos entrevistados estarem com a expectativa de receber menos, temos 24% que acreditam que sua remuneração irá aumentar. As mulheres estão mais otimistas e representam 70% dos que confiam em salários maiores”, conclui Emília.

Isolamento social
Ao contrário do que se pensa, as comunidades estão mantendo um índice de 68% de isolamento social, bem maior que boa parte das cidades brasileiras que mantém médias abaixo de 60%.

O principal motivo para permanecerem em casa é o medo de ficar doente – resposta de 68% dos que cumprem a quarentena. Já dos que saem de casa, 84% declaram que vão para a rua, porque precisam trabalhar.

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