Prefeitos do ABC se rebelam contra Bolsonaro

Ataques veementes nas redes sociais e nota conjunta evidenciam descontentamento dos políticos da região com o presidente da República | Foto: Reprodução/Youtube

A postura do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na condução do País durante a crise sanitária, causada pela pandemia de coronavírus, tem gerado críticas no Brasil todo e também internacionalmente. No ABC, o cenário não é diferente.

Nos últimos dias, diversos prefeitos da região têm demonstrado insatisfação com o governo federal. A gota d’água foi o pronunciamento de Bolsonato realizado ontem (25), em cadeia nacional de rádio e televisão. Durante cinco minutos, o presidente não anunciou nenhuma medida para combater à enfermidade, tampouco tornou público ações para diminuir os impactos econômicos da crise.

Ao contrário: Bolsonaro ironizou especialistas e contrariou à própria equipe do Ministério da Saúde ao incentivar que as pessoas não sigam o isolamento social, recomendado pelas autoridades sanitárias.

Poucos minutos depois, o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), entrou ao vivo via redes sociais e subiu o tom contra o presidente.

“Para de falar besteira! Para de falar merda! Tome sua responsabilidade e cuide do povo do Brasil”, afirmou o prefeito, exaltado.

A falta de apoio ao município para lidar com a pandemia também foi motivo de ataques do tucano: “Você está brincando com uma doença que está matando milhões na Europa. Pegue o avião, venha até São Bernardo e determine ao seu ministro liberar recursos para a gente montar esse hospital e atender os doentes do Brasil inteiro”. O prefeito se referia ao novo Hospital de Urgência do município, que está com o prédio pronto, porém depende de verba do governo federal para a compra de equipamento e, consequentemente, a  inauguração.

Morando, inclusive, testou positivo para o novo coronavírus, conforme divulgado hoje. O prefeito passa bem e seguirá em isolamento social por 14 dias.

Dias antes, na segunda-feira (23), o prefeito de Diadema, Lauro Michels (PV), já havia demonstrado extrema insatisfação com o trabalho desenvolvido pelo governo federal – na ocasião, o governador de São Paulo, João Doria, também foi alvo de ataques.

“Chega de brincar com a questão da saúde. Que país é esse? Pelo amor de Deus, vamos parar tudo e agir só para essa crise”, clamou o prefeito, que citou a desorganização que vem “de cima para baixo”, antes de externar o descontentamento, mais uma vez, de veementemente: “Estou de saco cheio dessa palhaçada do Governo Federal, dessa palhaçada do Governo do Estado, eu estou de saco cheio disso!”.

No início da tarde de hoje (25), as reclamações dos prefeitos do ABC se tornaram oficiais, por meio de documento divulgado pelo Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, órgão que reúne os sete prefeitos da região.

Intitulado como “Nota de Repúdio”, o comunicado não poupa críticas ao pronunciamento de ontem. “O posicionamento está na contramão das ações adotadas por outros países e indicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, alerta o texto, assinado pelo prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão, que preside o colegiado de prefeitos.

“Reafirmamos e insistimos que o momento requer responsabilidade para conter o avanço da pandemia no Brasil, em São Paulo e no Grande ABC. Precisamos de união, equilíbrio e cautela nas falas e ações, ouvindo os técnicos e profissionais da área de saúde, seguindo rigorosamente as recomendações”, segue a nota, para em seguida lembrar a necessidade de políticas públicas que garantam a saúde da população.

“Não se trata de ‘uma simples gripe’. O mundo está sofrendo com a maior pandemia dos últimos tempos, portanto, siga se protegendo, saia de casa apenas quando necessário e jamais subestime a pandemia”, clamam os prefeitos.

No ABC, Bolsonaro teve amplo apoio da classe política e venceu as eleições

Vale lembrar que durante as eleições presidenciais de 2018, a maioria dos políticos do ABC aderiram à campanha do atual presidente. Morando, Michels e Paulo Serra (PSDB, prefeito de Santo André), por exemplo, declaram publicamente voto a Bolsonaro.

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