Cinco hábitos para manter sua mente saudável

*Por Virginia Planet

Mente sã, corpo são. Já dizia o velho provérbio. Mas falar é fácil, difícil é aplicar essa ideia na nossa rotina, não é mesmo?

Manter a mente saudável é um desafio diário que precisamos travar. A boa notícia é que, se conseguirmos vencê-lo, estaremos mais perto da nossa própria felicidade e nos prevenindo contra os altos índices de Burnout – assunto frequentemente discutido.

Por isso, quero compartilhar aqui alguns insights e pequenas estratégias que podemos adotar no nosso dia a dia para manter a nossa mente saudável. Vamos juntos?

1. Durma bem

A primeira dica para quem quer ter uma mente saudável é dormir bem. Parece fácil, mas para muitas pessoas a simples atividade de dormir está longe de ser bem-executada.

1. Vá dormir sempre no mesmo horário – regularidade é importante: não importa se é dia de semana ou final de semana.

2. Mantenha a temperatura do seu corpo estável, de preferência fresco – alguns especialistas indicam que a temperatura ideal é de 18 graus Celsius.

3. Prefira ambientes escuros – por conta da alta exposição diária à luminosidade, seja das telas de computador ou celular, seja da luz natural, nosso corpo precisa de escuridão especificamente durante à noite para acionar a liberação da melatonina – hormônio do sono.

4. Não fique muitas horas acordado na cama – se você não está conseguindo dormir, levante, faça outra coisa completamente diferente e depois volte. O cérebro é como se fosse um dispositivo que aprende a associar a cama ao gatilho de acordar. Por isso é preciso “quebrar” essa associação.

5. Monitore a quantidade de álcool e cafeína que você ingere – a regra básica é: fique longe da cafeína à noite e tente não ir pra cama embriagado.

6. Tenha uma rotina desacelerada – Apesar de muita gente acreditar que ir dormir tarde é sinônimo de boa coisa, acredito, não é. Dormir é um processo fisiológico parecido com aterrissar um avião: é gradual até que caia no sono profundo. Por isso, nos últimos 20 minutos ou até mesmo meia hora antes de ir dormir, desconecte-se do computador, celular e tente fazer algo relaxante.

2. Treine seus sentimentos e emoções

“A forma como encaramos nosso mundo interior condiciona tudo”. Esta frase de Susan David explica muito bem a relação que existe entre os nossos sentimentos e a forma como reagimos aos acontecimentos externos.

Se estamos tristes, nossos relacionamentos serão tristes. Se estamos com raiva, iremos tratar os colegas de trabalho de forma áspera e por aí vai.

O fato é que não existem emoções positivas ou negativas, boas ou más. Emoções são emoções. Sentimentos são sentimentos. Nada é preto no branco.

É preciso enxergar as coisas com mais flexibilidade e parar de nos autojulgar. Se nós quisermos ter uma mente saudável, precisamos mantê-la longe da rigidez emocional.

Precisamos treiná-la para que se torne mais ágil a fim de identificar sentimentos e emoções com rapidez e assim tentar controlá-los de maneira a reduzir o nosso sofrimento.

E aqui vai uma dica: esse tipo de treinamento geralmente vai acontecer durante as situações mais críticas da nossa vida: aquelas nas quais nos sentimos mais fragilizados e vulneráveis.

Treinar nossa mente para ter agilidade emocional não é fugir dos sentimentos, mas encará-los tal como eles são.

Se estamos diante de um sentimento como frustração, medo ou tristeza, por exemplo, não devemos negar que eles existem, muito menos fingir que estamos bem ou inabaláveis.

Precisamos identificar os sentimentos e decidir o que vamos fazer com eles. Em muitos casos vamos precisar dar espaço para o autoperdão e a prática de falar sobre nossos sentimentos.

3. Pare de procurar a felicidade e comece a fazer escolhas conscientes

Primeiro, pare de procurar a vida perfeita: empregos com zero estresse não existem, bem como o(a) namorado(a) sem defeitos, e nem o apartamento no bairro de luxo, etc. O que acontece é que, ao invés de se sentir satisfeito(a) isso pode te gerar ainda mais ansiedade.

Dados científicos já mostraram que quanto mais entramos nessa busca incessante por felicidade, menos conseguimos alcançá-la. A taxa de suicídio mundial infelizmente atingiu seu maior pico nos últimos 30 anos nos Estados Unidos, mesmo com a melhora significativa dos padrões de vida, mais pessoas se sentem sem esperança e solitárias.

O que causa uma situação crítica como essa? E a falta de sentido para a vida. Segundo a pesquisadora e jornalista Emily Esfahani, a principal diferença entre felicidade e sentido para a vida é que, enquanto a busca da felicidade envolve alcançar um estado de conforto e relaxamento momentâneos, a busca por dar sentido à vida vai muito além, pois envolve a doar-se de forma voluntária para outra causa, ou seja, usar nossos pontos fortes para servir os outros.

E isso não necessariamente acontece por meio do trabalho. Tem mais a ver com, aproveitar os momentos transcendentais da nossa vida, quando nos desconectamos do nosso eu, para dar espaço para algo maior.

4. Pratique a filosofia estoica

O estoicismo afirma que as virtudes devem ser baseadas nos comportamentos ao invés das palavras. Portanto, se você tem um propósito claro de onde quer chegar comece a agir para fazer isso acontecer.

Agir de acordo com o que você acredita te fortalecerá e te blindará de forma poderosa contra os obstáculos e frustrações que virão pela frente. Além disso, precisamos admitir que está tudo bem não conseguir controlar tudo que é externo e não depende de nós.

Afinal, todas as nossas angústias derivam do fato de que passamos grande parte das nossas vidas tentando controlar o que é incontrolável.

5. Prepare sua mente para as situações mais críticas

Em 2014, a pesquisadora de resiliência Lucy Hone perdeu a filha de 12 anos em um duro acidente de carro que também levou a melhor amiga dela e a filha. Durante seu processo de luto ela descobriu três estratégias que a ajudaram a sair de seus piores dias e a encarar situações de extrema tristeza:

1) Esteja consciente que coisas ruins podem acontecer. O sofrimento faz parte da vida, da existência humana. Saber disso evita que você se sinta discriminado. Ao invés de se perguntar: “Por que eu?” pergunte-se: “Por que não eu?”

2) Saiba escolher cautelosamente a que dar atenção. Julgue as hipóteses de maneira realista, foque naquilo que você pode mudar e tente aceitar aquilo que você não pode. Como seres humanos temos a tendência de dar mais ênfase às coisas negativas O nosso foco na ameaça, a resposta ao nosso estresse, fica ligado permanentemente. Não devemos ignorar isso, mas devemos encontrar formas de nos conectar com as coisas boas.

3) Pergunte-se sempre: “o que eu estou fazendo está me ajudando ou prejudicando?” Esse pensamento pode ser usado em diferentes contextos da sua vida, seja na sua tentativa de conseguir promoção, seja para passar em uma prova ou até mesmo para se recuperar de uma doença e te ajuda a te colocar novamente no controle sobre si mesmo.

Lembre-se que nada disso vai funcionar se não se tornar um hábito. E para mudar um hábito é preciso persistência e foco no propósito que você quer atingir. Não é fácil – muito pelo contrário – mas acredito que valerá a pena o esforço.

*Por Virginia Planet, sócia-fundadora da House of Feelings – primeira escola de sentimentos do mundo.  

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