Cirurgião plástico comenta as principais dúvidas sobre o implante de silicone

“Vale lembrar que o ideal é sempre procurar um especialista que seja membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica”, alerta o cirurgião plástico Luís Felipe Maatz | Foto: divulgação

De acordo com o último censo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em 2018, houve um aumento de quase 20% no número de cirurgias para aumento das mamas, em comparação ao ano anterior. O cirurgião plástico Luís Felipe Maatz – com especialização em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP-SP) e membro da SBCP – comenta as principais dúvidas sobre o procedimento.

“Vale lembrar que o ideal é sempre procurar um especialista que seja membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica”, alerta Maatz.

A prótese pode camuflar diagnósticos de exames de imagem, como mamografia ou ultrassom?
Luís Felipe Maatz (LFM) – A presença de próteses mamárias não interfere na realização dos exames para detecção de doenças mamárias. Pode-se fazer normalmente a mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética.

Pode haver rejeição por parte do meu corpo? Se acontecer, qual o procedimento?
LFM – Na verdade, não existe “rejeição” de qualquer prótese pelo corpo humano. O que pode ocorrer é um processo infeccioso ou inflamatório ao redor da prótese. Em alguns casos, pode ser necessária a retirada temporariamente. Após o tratamento adequado e finalizado o processo infeccioso ou inflamatório, é possível rever a nova implantação do silicone.

Existe uma idade adequada para colocar silicone?
LFM – A idade mínima para a colocação de próteses é definida individualmente, as mamas devem ter completado totalmente sua formação e crescimento, o que se dá por volta dos 16 anos. Não há idade máxima para se colocar ou trocar a prótese de silicone, desde que as condições de saúde da paciente permitam uma cirurgia segura.

Como saber o tamanho ideal para cada biotipo?
LFM – A definição do tamanho ideal para cada paciente leva em conta diversos fatores: desejo da paciente, volume, medidas e forma inicial das mamas, medidas de altura e largura da caixa torácica, entre outros. Somente após uma consulta com um cirurgião plástico é que podemos definir o volume que deverá ser utilizado na cirurgia.

Quando a paciente acha que colocou pouco ou muito silicone, o que fazer?
LFM – Sempre há a possibilidade de se trocar as próteses, o que necessitará de um novo procedimento cirúrgico.

Atualmente, há vários tipos de prótese. Como saber qual a mais segura?
LFM – Assim como na escolha do tamanho, vários fatores influenciam nessa escolha. Na consulta com o cirurgião plástico, há a exposição dos diversos tipos de próteses e definição da mais adequada para cada paciente.

Há perigo de estourar ou vazar?
LFM – Há, sim, o risco de rompimento da prótese. Estudos atuais indicam taxas variáveis entre 1 e 5% ao longo de 10 anos. O fenômeno de vazamento (bleeding) tem diminuído muito ao longo dos anos. Atualmente, é mais raro, devido à melhoria constante da qualidade das próteses, que possuem hoje um gel de preenchimento e camadas de revestimento mais resistentes.

A sensibilidade nos seios com a prótese é afetada?
LFM – Pode haver diminuição da sensibilidade das mamas, geralmente parciais e reversíveis. Alguns estudos apontam que a maioria das pacientes que permaneceram com alteração da sensibilidade fariam a cirurgia novamente. Isso indica que a melhoria da autoestima supera eventual alteração da sensibilidade.

É possível amamentar normalmente? O silicone pode interferir na produção do leite?
LFM – Se a prótese for colocada via inframamária (incisão embaixo das mamas) ou pela via axilar, não há cortes na glândula nem nos ductos mamários. Assim, não há prejuízo na amamentação.

É preciso trocar a prótese depois de um determinado tempo?
LFM – As próteses atuais não possuem “prazo de validade”. Só há necessidade de troca em caso de alguma complicação, como ruptura.

Caso a paciente opte por um tamanho maior que o ideal para seu biotipo, há algum risco? Quais?
LFM – Sim. Há maior possibilidade de desenvolvimento de estrias e sinmastia (quando as mamas se unem na região central do tórax).

Como é a recuperação?
LFM – O período de recuperação da cirurgia de próteses mamárias é relativamente curto. Durante a primeira semana, há necessidade maior de repouso. Havendo uma boa evolução, eventos sociais, como um jantar, encontro de amigos ou um passeio curto, já estarão liberados. Em cerca de três semanas, a paciente já retomou grande parte de suas atividades habituais.

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