“Dia de Combate ao Alcoolismo” alerta para o consumo excessivo

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), não existe consumo seguro de álcool | Foto: divulgação

O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, instituído em 18 de fevereiro, celebração à qual a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (CAASP) adere, deve servir para derrubar um pouco do glamour que cerca o consumo de álcool, em nome da saúde. O álcool destrói o fígado e pode agravar doenças cardíacas e renais, além de ser um aliado da diabetes.

A psicóloga Sibele Faller – professora do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e diretora científica da Bee Touch, plataforma de saúde mental parceira da CAASP – alerta que “é comum as pessoas quererem estabelecer uma linha que separa o beber social do beber problemático. Ocorre que essa divisão é, muitas vezes, bastante tênue. Ninguém acorda um dia tendo se transformado em uma pessoa que possui problemas com o consumo de álcool. A transformação é gradual e, na maioria das vezes, é impossível estabelecer um limite”, explica.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, não existe consumo seguro de álcool. Por aqui, segundo o III Levantamento Nacional sobre Uso de Drogas pela População Brasileira, mais de 34% dos menores de 18 anos já consumiram bebida alcoólica. A mediana de idade do primeiro consumo, na amostra estudada, foi de 13,5 anos, sem diferença entre homens e mulheres.

Por que meninos e meninas de 13 anos começam a beber? Segundo a especialista, entre os fatores motivadores está o chamado condicionamento vicário, ou seja, a aprendizagem que se dá por meio da observação das consequências de um comportamento de outra pessoa. “Alguém que é como um modelo acaba exercendo bastante influência nas nossas decisões. Podem ser pais, amigos, colegas, professores e até mesmo pessoas famosas”, explica Sibele.

Para que não se banalize o consumo de álcool, hábito culturalmente arraigado, é preciso saber que cinco ou mais doses para homens e quatro ou mais para mulheres numa única ocasião já são consideradas problemáticas. Segundo a especialista, “trata-se de um padrão de consumo que provoca intoxicação e está associado a violência, acidentes, comportamentos de risco, doenças e outros problemas”.

De acordo com o III Levantamento Nacional sobre Uso de Drogas pela População Brasileira, a prevalência de padrões de consumo de álcool considerados elevados na população ultrapassa 16%.

A publicidade de bebidas alcoólicas já foi mais ostensiva no Brasil. Hoje, a propaganda desse tipo de produto é regulada por lei que restringe horários, locais e conteúdos, pois o glamour publicitário favorece o aumento do consumo.

Desde março de 2020, a pandemia do novo coronavírus também interfere no consumo de álcool pelas pessoas. Segundo Sibele, já há estudos preliminares demonstrando que a pandemia agravou os casos de alcoolismo.

“A incerteza a respeito da continuidade da vida, o estresse derivado de preocupações com a saúde, os familiares, o trabalho e os desafios de adaptação ao trabalho remoto geraram uma necessidade de alívio ou de evitação dos problemas. Há uma preocupação generalizada quanto ao consumo excessivo de álcool e, com ele, o aumento de crimes relacionados”, afirma a psicóloga.

Pessoas que sofrem de transtorno por uso de álcool carecem de um trabalho multidisciplinar para superarem este problema. “Um tratamento psicoterápico é imprescindível. Porém, é igualmente importante associar farmacoterapia psiquiátrica e acompanhamento clínico. Fora isso, para que haja mudança consistente de comportamento, outras áreas do conhecimento e profissionais podem ser necessárias, como nutricionistas, assistentes sociais e educadores físicos, por exemplo”, finaliza Sibele.

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