Estudos apontam que acariciar e beijar animais podem transmitir doenças

O contato direto com fungos e bactérias através de pelos, saliva e fezes de animais são danosos, ainda não há estudos de transmissão do coronavírus | Foto: reprodução

Ainda não há pesquisas sobre transmissão dos animais para humanos do novo coronavírus ou o inverso, porém, os amantes dos animais domésticos devem ter mais cautela na convivência com seus bichinhos de estimação, durante a quarentena. Além das doenças já conhecidas, uma pesquisa recente revelou que os gatos carregam a bactéria chamada “Bartonela henselae”, que pode causar dor de cabeça, febre e até problemas no coração e no cérebro. Após manusear ou brincar com os bichos de estimação, deve se higienizar as mãos e, caso eles subam na cama, a recomendação é trocar os lençóis diariamente.

Então, estas recomendações valem para outros animais. O médico dermatologista Luciano Ferreira Morgado explica que alergias são comuns em pessoas predispostas, devido ao contato com o pelo dos gatos e dos cachorros. “Na alergia pode ocorrer a vermelhidão e coceira na pele, podendo levar também à piora da dermatite atópica. Além de sintomas respiratórios (piora da asma), rinite e lacrimejamento ocular”, exemplifica.

Vermes presentes nas fezes de cães e gatos podem gerar infecção, ela é chamada de Toxocara ou Ancylostoma, que ao penetrar na pele em areias e terras contaminadas provoca “larva Migrans” ou “bicho geográfico”. Os sintomas ocorrem em áreas avermelhadas sinuosas com bastante coceira, principalmente em pés, mãos ou nádegas.

Cães e gatos são portadores dos fundos Microsporum que podem infectar a pele e o couro cabeludo ocasionando micoses, as chamadas “tineas capitis e tineas corporis”. Na pele se manifestam com áreas avermelhadas arredondadas, com centro mais claro, com descamação e coceira. “No couro cabeludo aparecem áreas de descamação e de perda de cabelos, os cabelos se quebram, formando as chamadas tonsuras. As micoses de couro cabeludo demoram mais para serem curadas, necessitando por tratamentos de seis a oito semanas”, comenta o dermatologista.

As pulgas e carrapatos também são bem comuns, ocasionando em picadas que podem levar ao surgimento de pápulas avermelhadas com coceiras na pele humana. “Outras doenças sistêmicas também podem ser transmitidas pelos animais, como a toxoplasmose (as fezes do gato podem portar o protozoário), histoplasmose e criptococose (fungos presentes em fezes de pombos e inaladas pelos seres humanos)”, alerta Morgado.

O cachorro é o hospedeiro do protozoário que é transmitido para o ser humano, através de picadas do mosquito flebótomo. Essa contaminação pode provocar úlceras na pele e inflamação e destruição do septo nasal, além de feridas na boca e laringe.

As sarnas, embora costumem ser menos agressivas que as transmitiras pelo homem, também podem ser transmitidas através de ácaros que infectam a pele humana, levando ao surgimento de pápulas avermelhadas e coceira. O tratamento deve ser feito mediante avaliação médica para identificar qual a causa e indicar a melhor forma de tratamento.

No caso das alergias, o tratamento é feito com o uso de loções de corticoide e com o uso de anti-histamínicos orais para coceira. Nos casos mais intensos podem ser utilizados os corticoides por via oral. Já as micoses são tratadas com o uso de antifúngicos tópicos (por exemplo, isoconazol e miconazol) e, nos casos mais intensos e nas micoses de couro cabeludo, com antifúngicos orais, como a griseofulvina, terbinafina ou itraconazol.

As sarnas são tratadas com medicamentos específicos, como a permetrina e benzoato de benzila. “A larva migrans é tratada com os medicamentos tiabendazol (tanto oral quanto tópico), podendo ser utilizada também a ivermectina. A Leishmaniose demanda um tratamento prolongado com o medicamento Glucantime”, finaliza Morgado.

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