Maturidade emocional ajuda a lidar com as críticas

*Por Flávia Teixeira

Uma crítica consiste em um julgamento, uma análise ou avaliação de algo ou alguém. Embora na filosofia o termo “crítica” não tivesse na sua origem a ideia de algo necessariamente negativo, a palavra adquiriu esta conotação, e quando falamos de crítica, sempre se considera algo desaprovado.

As críticas podem ser eficientes ferramentas de crescimento e aprendizagem, uma vez que geralmente apontam comportamentos, atitudes e pensamentos que precisam ser mudados. Além disso, transformam a maneira de lidar com problemas e situações de dificuldade, gerando melhores resultados no âmbito pessoal ou profissional.

Mas, e quando a crítica é destrutiva?
As críticas destrutivas costumam ter afirmações negativas, com o intuito de julgar, ressaltar defeitos ou até diminuir uma pessoa. Mas há como ouvir algo desagradável sem que você se desestabilize emocionalmente:

Reflita antes de responder
Ninguém gosta de ser julgado, muito menos negativamente, mas saiba que é possível responder a uma crítica destrutiva de forma inteligente e madura. Se a pessoa, ainda que tenha tido más intenções, estiver correta, concorde com ela. Diga que ela tem razão, mas que poderia ter sido mais sutil.

Caso o comentário seja totalmente infundado, feito somente para te depreciar na frente dos outros, rebata com uma bobagem qualquer, deixando claro que a crítica foi infantil e não te atingiu. Em ambos os casos, a pessoa será pega de surpresa e a vergonha será dela. Posteriormente, aproveite o que foi dito para repensar em suas qualidades, seus comportamentos e identificar o que pode ser melhorado. Por mais destrutiva que seja, uma crítica é sempre uma oportunidade de auto avaliação.

Maturidade emocional
A forma como a crítica é recebida também depende da maturidade emocional da pessoa, de sua capacidade de filtrar os elementos do comentário, analisa-los friamente e saber separar para si aquilo que considera útil ou produtivo para modificar sua forma de ser.

Uma pessoa com baixa tolerância à frustração, terá uma tendência maior a tomar a observação do outro como negativa ou destrutiva, e simplesmente rechaçá-la integralmente, sequer chegando a considerar que possa ter elementos positivos. O sentimento predominante nestas situações é o de rejeição, como se a crítica do outro abrangesse sua pessoa como um todo, e não um aspecto específico de sua pessoa.

Nestes casos, é bem provável que haja necessidade de buscar ajuda psicoterápica, pois o autoconhecimento nos leva a lidar melhor com as opiniões ou com os argumentos de outras pessoas. Quando nos conhecemos e passamos a enxergar tanto nossos potenciais como nossas dificuldades, conseguimos separar o que é nosso e o que é do outro. Afinal, todos teremos que lidar com críticas a vida toda.

*Por Flávia Teixeira é psicóloga, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professora de pós-graduação em Psicologia Hospitalar na UFRJ e pós-graduada em Psicossomática Contemporânea.

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