ABC tem o menor número de lançamentos de imóveis, desde o início da série histórica

Dados foram apresentados durante coletiva de imprensa, nesta última terça-feira (16) | Foto: divulgação

Por Vivian Silva

A crise que afetou o Brasil nos últimos anos impactou fortemente o setor imobiliário. De acordo com estudo apresentado, nesta última terça-feira (16), pelo presidente da Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradores do Grande ABC (Acigabc), Marcus Santaguita, houve queda de 65% no estoque de imóveis (na planta, em construção, ou com três anos de construídos) no ABC em 2018, em relação a 2017. O que significa que foi o menor desempenho do setor em toda série histórica, iniciada em 2004.

Esta situação ocorre devido ao baixo grau de confiança dos empresários do setor, em relação à situação política do País. No ano passado, foram lançados no ABC apenas 1.298 unidades (veja abaixo os lançamentos por cidade), contra 3,7 mil unidades, em 2017. Se compararmos com São Paulo, o ABC lançou apena 4% do volume da Capital (32,8 mil unidades). Atualmente, há cerca de 1.087 imóveis à venda nas sete cidades. Os dados referem-se apenas aos imóveis residenciais.

Lançamentos ABC 2018
Cidade Unidades Volume
São Bernardo do Campo 326 R$ 133 milhões
Santo André 588 R$ 384 milhões
São Caetano do Sul 120 R$ 75 milhões
Diadema 144 R$ 35 milhões
Mauá 120 R$ 38 milhões
Total 1298 R$ 665 milhões
*Obs.: Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires são áreas de mananciais, por isso, não constam no estudo.

Com a queda no número de lançamentos, é um bom momento para quem deseja adquirir um imóvel, pois com novos lançamentos os valores devem aumentar. Santaguita relembra ainda que o imóvel no ABC é “30% mais barato que São Paulo. Esta redução no preço é bastante significativa”, afirma.

Entre as cidades do ABC, São Bernardo do Campo é a que tem uma pior situação para novos lançamentos devido a lei de zoneamento, que restringe a área de construção, e São Caetano do Sul devido a limitação física do próprio município.

Vala destacar também que, nos último quatro anos, o setor da construção civil fechou 1 milhão de vagas no Brasil.

Aumento nas vendas
Apesar da diminuição nos lançamentos, as vendas de imóveis em 2018 aumentaram 8% em relação ao ano anterior. Foram 2,6 mil unidades comercializadas, totalizando R$ 855 milhões. Os apartamentos de dois dormitórios, com metragem que variam de 45 a 65 metros quadrados, representaram a maior parte dos negócios fechados (2.133 unidades). A melhora, segundo o presidente da Acigabc, é reflexo da ligeira queda nos juros para crédito imobiliário.

Perspectivas
Segundo Santaguita, a melhora do setor depende de reforma do novo governo. “A reforma da Previdência não impacta diretamente o nosso setor, mas impacta os agentes financeiros, que mandam crédito para o setor. Então, passando a reforma, o ‘apetite’ por novos investimentos, principalmente, de grupos estrangeiros, fundos imobiliários estrangeiros (deve aumentar). Com essa confiança, trarão recursos para cá, além de promover a concorrência entre bancos nacionais que, hoje, é concentrado em quatro, cinco bancos que atendem o mercado imobiliário. A tendência é que aumentando essa concorrência se reduza os juros, reduzindo os juros aumenta o consumo”, analisa.

Com isso, deve haver uma gradativa recuperação do setor este ano, com uma retomada mais expressiva apenas em 2020.

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