Baixo crescimento do varejo decepciona

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Foto: Arquivo

O comércio varejista ampliado brasileiro ficou praticamente estável em maio de 2019, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE divulgada nesta quinta-feira (11). Segundo o doutor em Economia e professor da Facamp (Faculdades de Campinas), Saulo Abouchedid, a variação de 0,2% em relação a março de 2019 frustrou as expectativas do mercado, que estimava um avanço de 0,4%.

“Setores importantes do varejo ampliado contribuíram negativamente para o resultado do volume de vendas em maio comparado a abril de 2019. A queda nos setores de combustíveis e lubrificantes (-0,8%), veículos, motocicletas, partes e peças (-2,1%) e materiais de construção (-1,8%) sinaliza perda de dinamismo em áreas fundamentais da atividade econômica”, afirma Abouchedid.

O comércio varejista brasileiro enfrentou dificuldades no início de 2019, enfraquecendo o movimento de recuperação que se delineava no biênio 2017-2018. Desafios do varejo ampliado tornaram-se mais evidentes com a queda do volume de vendas no triênio 2014-2016, devido ao arrefecimento do ciclo de consumo e à crise econômica brasileira a partir de 2014.

Apesar do crescimento acumulado de 3,8% nos últimos 12 meses, o volume de vendas do varejo ampliado em maio de 2019 ainda se encontra abaixo da base média de 2014. De acordo com Saulo Abouchedid, “as perspectivas não são promissoras para o comércio varejista brasileiro considerando que as projeções de crescimento do PIB estão se reduzindo, o endividamento das famílias está aumentando e que as perspectivas para o mercado de trabalho e para a massa salarial nominal seguem desfavoráveis”.

Importante ressaltar que o crescimento expressivo das vendas em relação a maio de 2018 (6,4%) é explicado, em grande parte, pela greve dos caminhoneiros, que deprimiu a atividade econômica no período.  O destaque positivo de maio fica para o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,4% em relação a abril de 2019), que possui grande peso no cálculo do índice de vendas (30,5%). Destaca-se também o desempenho do setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (2,2%).

Associação Comercial também se manifesta

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) repercute a leve alta de 1% do varejo restrito nacional em maio, na comparação com igual mês de 2018, conforme divulgado hoje pelo IBGE. “Os dados são decepcionantes, abaixo das expectativas, primeiramente porque em maio de 2019 houve um dia útil a mais. Em segundo lugar porque a greve dos caminhoneiros de 2018 prejudicou o comércio, gerando uma base fraca de comparação. Por tudo isso, esperava-se um crescimento bem mais robusto”, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Ele chama atenção para a queda no segmento de supermercados (-1,2%), na variação anual, em função da greve dos caminhoneiros, que fez com que os consumidores fossem às compras e abastecessem alimentos em maio de 2018, gerando uma base forte de comparação. “Esse desempenho fraco do varejo em maio vem também do contexto geral da economia, que é de desaceleração. O desemprego ainda é muito alto e os salários começam a cair. Além disso, o crédito destinado à pessoa física é praticamente o mesmo do ano passado. Tudo isso deixa o consumidor cauteloso, fazendo com que ele compre cada vez menos”.

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