Conjuntura brasileira, em síntese

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Foto: Reprodução

Por Cristiane Mancini*

Depois da estagnação dos anos 90, o Brasil retomou seu crescimento graças à expansão do setor formal, da força de trabalho e da demanda externa, sobretudo por matérias primas e vindas de parceiros comerciais emergentes. O crescimento e as políticas sociais atuais buscam saídas através da redução da taxa de juros, almejando restabelecer principalmente a confiança dos empresários brasileiros.

No último quinquênio, as condições favoráveis que haviam promovido seu progresso da economia brasileira desapareceram e os desafios estruturais “ressurgiram”: a produtividade estagnada, o grau modesto de conexão com o resto do mundo, dificuldade em financiar a crescente despesa social e a deterioração das finanças públicas.

O escândalo da Petrobras, a corrupção em nível público e privado e a sucessiva crise política reduziram ainda mais a economia, levando a uma recessão profunda. Alguns incidentes tornaram a situação no Brasil ainda mais problemática, como a greve dos caminhoneiros. O consumo que era visto como um dos motores de recuperação econômica apresentou uma dinâmica inferior à esperada, devido ao fato de que o número de empregados com carteiras assinadas continuou caindo (em torno de 13 milhões de brasileiros sem trabalho formal – dados do IBGE), impactando diretamente o padrão de vida das famílias brasileiras.

Foto: Divulgação

Os investimentos estão se recuperando gradualmente, mas continuam sendo afetados pela incerteza política do governo, agora, do novo presidente e também pela (des) continuação das reformas econômicas (política, previdenciária e tributária).

Para promover o crescimento, o Brasil precisa hoje, em primeiro lugar, de um plano para reorganizar as finanças públicas. Mais recentemente, o ambiente externo também contribui para o não avanço do crescimento da economia brasileira com o risco de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e a perspectiva de um aperto monetário (aumento da taxa de juros) ainda mais forte nos EUA. No caso de agravamento das condições externas, a nova gestão do governo brasileiro deverá contar com novas propostas que reduzam a vulnerabilidade da econômica brasileira sobre as condições externas instáveis.

A princípio, o desenvolvimento da economia deve se basear em grandes montantes de investimentos em infraestrutura, financiados com recursos privados (venda de algumas empresas brasileiras); apoio contínuo à formação de capital humano (mais empregos para a população e mais capacitação); qualidade na área de saúde (a população brasileira está inclusive envelhecendo e necessita de novos serviços) e maior abertura comercial (estabelecimento de novas parcerias e manutenção de outras). Alguns desses investimentos estão nas propostas do novo governo, que ainda é demasiadamente cedo para validar seu plano de governo e verificar a sua concretude.

*Cristiane Mancini é economista e Mestre em Economia pela PUC-SP e docente das Faculdades Integradas Rio Branco.

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