Desemprego atinge mais de 13 milhões de brasileiros; nova colunista comenta

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A taxa de desocupação voltou a crescer no País no trimestre encerrado em fevereiro deste ano. Dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), organizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dão conta que 12,6% da população está desocupada. Portanto, o Brasil tem 13,1 milhões de desempregados.

Outro dado negativo é em relação ao número de trabalhadores com carteira assinada. A pesquisa revela que, atualmente, 33,1 milhões de trabalhadores estão nesta condição, a pior marca da série histórica, iniciada em 2012.

A crise econômica que o País viveu, especialmente em 2015 e 2016, e a Reforma Trabalhista colocada em prática pela gestão do presidente Michel Temer certamente têm muita influência nestes dados. Contudo, a economista e mestre em Economia pela PUC-SP, Cristiane Mancini, alerta que o mercado de trabalho passa por uma “mudança considerável”.

“As crises econômicas trazem redução de custos, mas também trazem novas teorias, reorganização e tendências. E quando falamos de mercado de trabalho, não é e não seria diferente”, explica Cristiane.

Questionada pelo Negócios em Movimento se, até o fim do ano, a população sentirá a retomada nos empregos, Cristiane ponderou: “A geração de empregos possivelmente será mais positiva, mas dará lugar a ‘façamos mais, com menos funcionários’, ‘mais versatilidade’, salários mais baixos”. A especialista também chamou a atenção para o movimento crescente no universo das startups e da economia colaborativa, que também contribuem para as modificação no mercado de trabalho.

Crise política ainda atrapalha

A crise política e a desconfiança dos brasileiros nas instituições parece não ter fim. Na opinião da especialista, este também é um fator que impede a plena recuperação da economia brasileira.

Cristiane Mancini é a novo colunista do Negócios em Movimento | Foto: Divulgação

“A aceleração deste processo depende do resgate desta confiança, além das políticas macroeconômicas. Da confiança de que o povo está sendo representado no governo escolhido e a percepção de que as medidas e políticas adotadas trarão algum benefício social. Neste sentido, a aceleração na geração de empregos está intimamente relacionada ao restabelecimento da confiança no governo”, opina.

Regulação na Selic não é a única saída

Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 6,5%. É o menor índice da história. O boletim Focus (que mede a expectativa do mercado) divulgado pelo Banco Central (BC), na última segunda-feira (9), indica que o governo deve reduzir a taxa ainda mais, para 6,25%.

Cristiane, por sua vez, vê com mais cautela a adoção de um novo corte. “Acredito que não podemos esgotar nenhuma política econômica ou tomá-la sem determinação de prazo. Creio que, para o momento, talvez repensar a carga tributária possa ser um outro ponto que merece atenção”, explica.

Nova colunista do Negócios em Movimento

Cristiane Mancini se juntará, neste mês, ao time de colunistas do Negócios em Movimento (na versão impressa e também no digital). Além das formações já citadas na PUC-SP, Cristiane possui extensões pela Università Tor Vergata (Itália) e Universidad del Rosario (Colômbia). Ainda no meio acadêmico, a economista é docente nas Faculdades Rio Branco.

Já atuou, também, em corporações do segmento industrial, de consultoria e associações de classe e se destaca pela expertise em inteligência de mercado, análises setoriais e macroeconômicas.

“Espero trazer o leitor mais próximo à economia nacional e internacional, à educação financeira e à informação neste sentido. Quero abordar questões de uma maneira mais criativa, lúdica em que os leitores se sintam à vontade ao ler os textos”, adianta.

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