Luiz Marinho critica falta de apoio ao pequeno empresário durante a pandemia

Pré-candidato a prefeito de São Bernardo do Campo, Marinho defende a volta de debates para um plano de desenvolvimento | Foto: Raquel Toth/Arquivo

No início do mês, a convenção partidária da PT de São Bernardo do Campo homologou a candidatura de Luiz Marinho a prefeito da cidade.

Marinho possui longa trajetória política, que teve início no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade que chegou a presidir por três mandatos, entre a década de 1990 e o início dos anos 2000. Foi ministro do Trabalho e Emprego e da Previdência Social durante os mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de ser eleito prefeito de São Bernardo do Campo, cargo que ocupou durante duas legislaturas, entre 2008 e 2016.

Em entrevista à Negócios em Movimento o candidato criticou a postura dos atuais governantes nas três esferas do Poder Executivo (federal, estadual e municipal) na área econômica durante a pandemia, especialmente pela falta de crédito para a sobrevivência de pequenas empresas.

Para um futuro mandato, Marinho esclareceu que tentará diálogo com os governos estadual e federal, mesmo sendo dirigidos por adversários políticos, para buscar alternativas para o crescimento econômico do ABC. Para ele, é necessário “lançar mão” de debates sobre desenvolvimento, que devem ser acompanhados da retomada de investimentos públicos para a geração de empregos.

Abaixo, confira os principais trechos da entrevista sobre desenvolvimento econômico e geração de empregos. A segunda parte da entrevista, em que Marinho comenta temas como saúde, educação, mobilidade urbana, política, entre outros, será publicada aqui no portal Negócios em Movimento na próxima quinta-feira (24).

Negócios em Movimento (NM) – Qual a avaliação do senhor sobre a atuação do prefeito Orlando Morando na área econômica e nas ações de manutenção do emprego e renda da população durante a pandemia?

Luiz Marinho (LM) – Em relação ao mercado de trabalho, eu acho que houve falhas do prefeito, governo do estado e do governo federal. Teve os R$ 600 (referente ao auxílio emergencial), mas eu acredito que deveria ter também crédito e financiamento para valer, principalmente para as pequenas empresas. Deixou muito a desejar, foi anunciado o crédito, mas as pessoas não tinham acesso. O Estado poderia complementar e a cidade também, mas não houve.

Houve o Cartão Merenda, que é saudável. Inclusive ele utilizou politicamente o Cartão Merenda, coisa que é proibido por lei, a lei da impessoalidade do gestor público.

(O município) poderia trabalhar com o pequeno negócio, com os agentes culturais, tem um Fundo de Cultura que não está sendo utilizado. Os profissionais da cultura ficaram sem renda, poderiam ter sido amparados pelo Fundo de Cultura. Você tem uma situação que a cidade poderia lançar mão, afinal de contas, a cidade recebeu muitos recursos. Com exceção do Cartão Merenda, fizeram praticamente nada.

Você poderia chamar os profissionais, os pequenos empresários, o comércio, para discutir inclusive, eventualmente, alongamento de dívida, pensar o que fazer com os impostos, criar condições efetivas para as pessoas terem um amparo e facilitar essa transição, porque é uma situação dramática para muita gente. Poderia salvar alguns negócios que quebraram.

NM – O País não vive bons momentos econômicos faz alguns anos, com altas taxas de desemprego e informalidade crescente, o que prejudica o consumo de bens duráveis e impacta negativamente no setor industrial do ABC. A gente sabe que as soluções para o setor industrial dependem muito mais do governo federal, que hoje é guiado por um inimigo político do seu partido. Caso eleito, como o senhor atuará nessa questão? Haverá diálogo com o governo federal?

LM – Os entes federados têm que dialogar, não importa quem está sentado na cadeira de presidente da República, governador do Estado ou prefeito. O diálogo é necessário, diria obrigatório, então nós vamos lançar mão de debates. Seja com os parlamentares que nós temos no Senado e na Câmara Federal, buscar abrir espaço de diálogo com lideranças de vários partidos que tenham acesso, enfim, nós temos, sim, espaço para buscar dialogar.

E, acima de tudo, fazer o olhar de esperança para o futuro. Nós temos que olhar para 2022 e trabalhar com esperança de retomada do projeto que olhe especialmente para a geração de empregos, retomada da proteção social, com as políticas sociais de inclusão, para proteger as pessoas, tirar de novo o Brasil do mapa da fome. Tem uma avenida larga de luta, mas necessária.

Evidentemente, teremos dois anos de transição de diálogo com o atual governo, seja federal ou estadual. Seguramente, através das relações institucionais, nós vamos buscar dialogar.

NM: O senhor tem a trajetória política calcada no sindicalismo do setor industrial. Na sua opinião, as saídas para o setor devem seguir quais caminhos?

LM – Nós temos que lançar mão de um debate de desenvolvimento total, é preciso que as universidades colaborem com esses debates, a gente já vinha fazendo isso. É preciso que as políticas públicas sejam geradoras de oportunidade. Nós geramos milhares de empregos a partir do investimento público.

Vamos ter no nosso programa de governo a necessária criação de uma fonte de fomento para fomentar a atividade econômica, em especial da economia solidária, do pequeno empreendedor, empreendedor individual. Fizemos isso um pouco (na antiga gestão), mas nós vamos buscar organizar melhor, para poder criar condições para um processo de retomada da nossa economia, em busca de novas empresas.

É possível olhar possibilidades para debater a indústria que você possa trazer para cá, atrair novas empresas para a cidade e para região. Isso é um debate que pode ser feito através do Consórcio, não somente através da cidade. Evidente, se o Consórcio não acompanhar a gente lança mão das possibilidades que a cidade tem.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here