Marketing digital deve alcançar 27% da verba investida em mídia até 2020

A forma como as empresas divulgam seus produtos e serviços passaram por significativas mudanças ao longo dos anos, as propagandas que antes tinham grande visibilidade nos veículos impressos, passaram a ter maior apelo no mundo digital. De acordo com uma pesquisa realizada pela Bain & Company e divulgada no início deste mês, as empresas brasileiras investiram R$ 8 bilhões em marketing digital, em 2016, o que representa 18% dos investimentos em mídia, e até 2020 a previsão é que esse número chegue a 27%.

De acordo com a pesquisa, os segmentos que mais apostaram em mídias digitais no Brasil foram varejo, serviços, higiene pessoal e beleza, serviços financeiros, turismo e lazer.
Apesar da previsão positiva, a sócia da Bain & Company, Luciana Batista, ressalta que o investimento é inferior, se compararmos a outros países. “O cenário é animador para o setor, mas o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer, principalmente se compararmos aos números dos EUA e do Reino Unido, em que os valores aplicados já representam 33% e 51% do capital de mídia, respectivamente”, afirma.

A análise conclui que as empresas ainda enfrentam desafios para se adaptar a essa nova fase do marketing, mas tanto no Brasil quanto nos EUA existem algumas companhias líderes na utilização de ferramentas digitais, e todas adotam algumas práticas em comum. Dentre elas, a consultoria destaca: entender e personalizar a experiência de compras do cliente, experimentar mais e focar em performance. Além de investimento em competências e ferramentas digitais, somado a interação e alinhamento do marketing com as demais áreas de negócios.

Metodologia em prática
A partir do mapeamento das empresas líderes em investimento digital no Brasil, a consultoria identificou que elas estão 2,4 vezes mais propensas a personalizar as ofertas seguindo o perfil dos clientes do que aquelas que ainda não se adaptaram a essa nova fase do marketing digital.

Além disso, as líderes brasileiras estão 1,4 vez mais propensas a monitorar a jornada do cliente regularmente, mas ante os índices dos EUA essa diferença cresce para 2,4 vezes. Essas mesmas companhias do Brasil também têm tendência de foco em performance e adoção da cultura de experimentação.

O levantamento também mostrou que as organizações brasileiras líderes digitais estão 2,6 vezes mais propensas a utilizar métricas mais elaboradas e 2,4 vezes mais predispostas a definir mudanças de orçamento com maior frequência, a fim de achar a área mais eficiente, e adotam 1,5 vez mais test and learn (experimentação) para otimização das suas campanhas na internet.

Outra tendência identificada foi a de utilização do recurso advanced analytics, em que os líderes nacionais usam 1,9 vez mais do que aquelas que ainda não se adaptaram ao marketing digital, embora a adoção ainda esteja abaixo dos índices das empresas americanas (41% Brasil x 63% EUA). A Bain & Company também destaca que a colaboração e integração entre áreas e competências nas empresas fazem a diferença, mas, nesse quesito, os EUA estão à frente do Brasil (1,4 vez a 2,0 vezes).

 

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