Novo secretário do Consórcio quer empresas de tecnologia no ABC

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Prioridade, no entanto, é equacionar problemas políticos e trazer de volta ao órgão os prefeitos insatisfeitos; Brandão Júnior, o mais à frente do lado esquerdo, participou de reunião no Ministério de Desenvolvimento Regional | Foto: Reprodução

Desde 1° de fevereiro, a cadeira de secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC é ocupada por Edgard Brandão Júnior. Indicado pelo recém-empossado presidente do órgão e prefeito de Santo André, Paulo Serra, Brandão Júnior possui extensa trajetória em órgãos públicos. São mais de 40 anos de atuação em secretarias municipais e órgãos como Cohab e Infraero, por exemplo.

O Consórcio, criado no início da década de 1990, passa por momento de descrédito por parte da população e também pela classe política. Diadema deixou de integrar o órgão em 2017 e durante o ano passado os prefeitos de São Caetano do Sul e Ribeirão Pires também iniciaram o movimento de saída.

A volta da participação dos prefeitos descontentes é a prioridade do início desta gestão. “O principal são os sete municípios estarem juntos. Todos juntos são muito fortes. o objetivo principal é esse”. Para que isso ocorra, a nova direção da entidade diminui o valor do repasse mensal das prefeituras ao Consórcio (passou de 0,17% da receita ordinária para 0,15%).

Paralelamente, Serra e Brandão Júnior têm feitos visitas aos prefeitos insatisfeitos e também aos Legislativos das cidades. A tendência é que a articulação política obtenha e êxito e de que dentro de pouco tempo o órgão esteja novamente com a “escalação completa”.

Desenvolvimento econômico

Em entrevista ao Negócios em Movimento, além das questões políticas e demais demandas da região, como saúde pública e mobilidade urbana, o desenvolvimento econômico regional também foi pauta para Edgard Júnior.

A conversa ocorreu poucos dias após o anúncio feito pela Ford de que fecharia sua plana industrial em São Bernardo do Campo. Questionado sobre o assunto, o secretário-executivo se mostrou reticente sobre as ações que o Poder Público pode tomar em relação ao assunto. “É muito difícil interferir na decisão de grandes marcas”, afirma.

Brandão Júnior observa que há tempos a montadora perde espaço no mercado. “Nos últimos 20 anos ocorreu a grande mudança tecnologia e robótica. Se você não evoluiu, vai chegar numa hora que você terá uma dificuldade muito grande”, analisa.

O possível fechamento da fábrica da Ford extinguirá aproximadamente 3 mil postos de trabalhos direto, além de outros milhares indiretos. Para que a região não passe por esse processo traumático novamente com outras grandes indústrias, o executivo defende que o protagonismo econômico da região seja dividido com outros setores no ABC. Na visão dele, o ABC não pode continuar refém das indústrias automobilísticas e químicas. E ele aposta no setor tecnológico.

“Você tem que buscar empresas da tecnologia. Tem que começar a pensar em indústrias menores, mas altamente produtivas e com alto valor agregado. Isso é o que nós temos que buscar: tecnologia”, comenta.

Para isso, ele aposta na instalação do Parque Tecnológico de Santo André, para que toda a região se beneficie do espaço. O assunto, aliás, foi pauta de uma reunião de Brandão Júnior com membros do Ministério de Desenvolvimento Regional, em 27 de fevereiro, em Brasília. O objetivo da conversa era justamente angariar recursos para o projeto.

No encontro, o executivo apresentou o projeto do Parque e discorreu sobre a importância da região para o País. “Nós não nos damos valor, isso é muito ruim. Nós temos 2,5 milhões de pessoas nos sete municípios. Se você somar o PIB (produto Interno Bruto) dos sete municípios, nós ficamos em 10° lugar no País. Você não tá falando com coisa pequena, você tá falando com coisa grande. Temos que mostrar lá que somos fortes”, avalia.

Caso as tentativas de busca por verba junto ao governo federal não deem resultado, o secretário-executivo não descarta tentar angariar recursos via financiamentos com instituições internacionais. Antes de assumir o posto no Consórcio, ele atuava na Prefeitura de Santo André. Lá ele conseguiu emplacar financiamentos expressivos para grandes obras de mobilidade urbana e saneamento básico para o município. “Se a gente não conseguir (financiamento) com a União, a gente tentará um banco internacional também”, revela.

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