São João da Madeira, cidade portuguesa, é exemplo para o ABC

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Case português foi apresentado em Congresso Internacional em São Bernardo do Campo; cidade é industrial, como nossa região, mas muito menor; mesmo assim, o município consegue obter frutos maiores ao explorar o Turismo Industrial | Foto: Divulgação/Senac

O ABC recebeu, em 15, 16 e 17 de agosto, a 3ª edição do Congresso Brasileiro e 1° Internacional de Turismo Industrial no Senac São Bernardo do Campo, que organizou o evento em parceria com a Prefeitura da cidade. O Congresso teve debates, exposições e visitas-monitoradas em fábricas da região que fazem parte do Programa de Turismo Industrial do município.

Além de representantes do setor público e das indústrias com sede no ABC, a iniciativa recebeu convidados internacionais, de países como Portugal, França e Argentina. A ocasião serviu principalmente para a troca de experiências sobre o tema.

Uma das palestrantes do Congresso foi a chefe da unidade de Turismo da Câmara Municipal de São João da Madeira, Alexandra Alves. O município português é um rico exemplo em relação ao Turismo Industrial.

Embora pequena territorialmente (oito quilômetros quadrados, aproximadamente a metade da área de São Caetano do Sul), a cidade possui elevada densidade e tradição industrial. Logo após sua emancipação à nível de município, em 1926, a cidade já registrava 200 fábricas. Embora a cidade disponha de indústrias ligadas ao setor automobilístico, cafeeiro e têxtil, a principal vocação da cidade é na chapelaria.

Atualmente, o município é uma das principais referências mundiais sobre Turismo Industrial. Nos últimos sete anos, a cidade já recebeu mais de 170 mil visitantes, de acordo com informações de Alexandra, que durante o Congresso detalhou os caminhos trilhados pela pequena São João da Madeira para atingir este protagonismo.

De acordo com os entusiastas do Turismo Industrial, o ABC tem potencial para atrair milhares de pessoas caso explore de maneira assertiva as visitas aos diversos complexos industriais existentes na região, o que traria desenvolvimento econômico para as cidades. Para as empresas, ao menos em tese, abrir os portões para visitantes e trabalhar o relacionamento com os clientes de forma mais próxima contribui para a melhora da imagem junto à população, o que também é benéfico.

O olhar mais atento das gestões de São Bernardo em relação ao Turismo Industrial rendeu, recentemente, o reconhecimento da cidade como Município de Interesse Turístico, título concedido pelo governo de São Paulo. Considerado berço da indústria automobilística nacional, o município recebe anualmente cerca de 7 mil turistas vindos de todo o País e exterior interessados em conhecer os processos produtivos das empresas locais. Ou seja, na comparação, a média de visitantes/ano de São João da Madeira é em torno de 250% maior.

Em Santo André, o governo local lançou programa similar em abril passado, com o apoio das indústrias do setor químico (Braskem, Unipar e Rhodia).

Entretanto, ainda existe um longo caminho a ser trilhado. Abaixo, confira entrevista concedida por Alexandra ao Negócios em Movimento e conheça um pouco mais do case inspirador de São João da Madeira:

Negócios em Movimento (NM): Qual é a importância das iniciativas que promovam o Turismo Industrial? 

Alexandra Alves (AA): Iniciativas como esse congresso são sempre muito significativas pelo menos para chamar a atenção das autoridades de que a modalidade pode ligar várias áreas, desde a área turística, cultural, econômica e de desenvolvimento do território. Julgo que essas iniciativas são um ponto chave.

Alexandra expôs os benefícios do Turismo Industrial | Foto: Divulgação/Senac

Aqui em São Bernardo do Campo concentra uma grande representação desta área de Turismo Industrial. Sem dúvida tem feito um trabalho fabuloso nesta área. Os seus parceiros também têm apostado bastante na qualidade desse serviço e isso só mostra que está em um bom caminho e que há sucesso e futuro para isso.

NM: Como funciona área de Turismo Industrial lá em São João da Madeira?

AA: São João da Madeira fica a 30 minutos do Porto e é bastante pequena, mas desde de cedo muito industrializada. Em 2012, o município da Madeira decidiu se perguntar: “em que nós somos bons? onde é que nós podemos ir se quisermos direcionar ao turismo?” O município já apostava e ia muito bem com o Museu da Indústria da Chapelaria, mas precisávamos mais. Sabíamos que nós éramos fortes na indústria, então conseguimos criar um projeto de Turismo Industrial, desafiar os nossos industriais a abrirem suas portas e poderem, assim, mostrar, o que que faziam bem.

Então, nós temos um projeto com vários parceiros. Temos a sorte de ter também, os três grandes pilares daquilo que nós dizíamos do conceito do Turismo Industrial que vem de um relatório francês de 1980.

Temos a indústria viva, que são as fábricas que estão em plena operação, ou seja, podem ser visitadas. Temos o patrimônio e a arqueologia industrial que são os nossos museus industriais (da Chapelaria, do Calçado, e o da Oliva, temos o Centro da Oliva). E temos a indústria criativa e tecnológica. E nós aí agregamos tudo que são centros tecnológicos e incubadoras, que são agregadas aos roteiros.

Nós recebemos visitas todos os dias. Temos uma Central de Reservas, que permite que nós façamos a marcação e o agendamento de programas especializados e à medida do cliente, ou seja, nós conseguimos ali receber um grupo de 50, 60 pessoas, e desenhamos um programa especificamente direcionada para aquele grupo em função das características que ela nos dá. Nos últimos sete anos tivemos mais de 170 mil visitantes em São João da Madeira.

Costumamos dizer que a cidade começou a estar no mapa turístico português. Na Europa, também se fala de São João da Madeira, uma vez que nós temos esse modelo único. A prefeitura é que faz as visitas dentro das fábricas, temos recursos humanos especializados que estão formando as visitas dentro das empresas parceiras.

NM: A senhora acredita que o Turismo Industrial possa ser uma saída para questões de desenvolvimento econômico e criação de empregos?

AA: Sem dúvida. O Turismo Industrial, como tantas outras áreas, pode ser um dos componentes de desenvolvimento econômico de uma região. Muito honestamente, acredito que nós, com o Turismo Industrial, podemos apoiar as empresas na sua promoção e divulgação, na sua aproximação ao cliente e isso sem dúvida nenhuma vai gerar mais negócio, vai gerar mais proximidade, mais empregos, mais competitividade e, sem dúvida, vai ser benéfico.

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