Por Cristiane Mancini*

O Brasil possui inúmeras jazidas e minas de grande porte, o que proporciona uma posição competitiva no mercado internacional juntamente com Austrália, Canadá, China e África do Sul, se situando como a 3ª maior reserva de minério do ferro do mundo.

Por conta de seu potencial, realiza relações comerciais com os países fronteiriços e com os demais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) oitenta e seis por cento (86%) da produção nacional é destinada à exportação, das quais 51% são exportados para a União Europeia. O segundo produto mais exportado no Brasil é o minério de ferro, perdendo apenas para a soja.

Foto: Divulgação

Em relação ao mercado interno, a mineração representa 14%, sendo 91% destinado à siderurgia e 9% à pelotização.

Dada à elevada importância econômica e social, a mineração brasileira representa 4,5% de tudo o que é produzido no País (PIB).

O destaque para as jazidas brasileiras não se dá somente pela quantidade encontrada de minério de ferro em território nacional, mas sim pelo elevado teor metálico que este possui. São 62% de pureza (“qualidade” deste minério), o que torna o Brasil altamente competitivo no mercado internacional.

A extração de minério de ferro ocorre em minas a céu aberto, em bancadas com desmonte a explosivo, escavadeiras, carregamento por pás carregadeiras, transporte em caminhões fora-de-estrada, usinas de tratamento com britagem, peneiramento, lavagem, classificação, concentração e pelotização. Dentre tantas características, a mineração sempre foi uma atividade de alta complexidade e periculosidade independente da localidade onde se dá por isso requer controle redobrado.

A sua imagem é associada a uma série de contextos dúbios. Por um lado gera emprego, por outro devasta áreas. Alta rentabilidade, mas baixo índice de investigação geológica e redução de plano de investimentos. Necessidade de mão de obra, mas redução de quadro de funcionários (15,1% representa custos com pessoal). Responsabilidade Social Corporativa em anúncios de revistas, televisão e outras mídias e “flexibilidade” em relatórios e fiscalização. Confiança daqueles que se ocupam com estas atividades almejando um futuro melhor e perda total de bens, de espaço, de saúde e de vida.

A retomada econômica, tão esperada, e o retorno de bom desempenho das indústrias automobilística, de bens de capital, de siderurgia  e de construção imobiliária demandarão minério de ferro. Os parceiros comerciais o demandarão também bem como, a confiança dos brasileiros e dos investidores estrangeiros. De uma maneira diversa. Seja Mariana, Brumadinho, quaisquer uma outra.

Estima-se que o impacto das paralisações será de ordem de 40 milhões de toneladas de minério de ferro – corte de 10% de sua produção anual de minério de ferro, mas seguramente a perda não será maior que a confiança, a reputação, a credibilidade em programas de responsabilidade social empresarial, em regulação, fiscalização e instituições nacionais.

*Cristiane Mancini é economista e mestre em economia pela PUC-SP e docente das Faculdades Integradas Rio Branco.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here