Vendas oscilam na pandemia

Cerca de 86% dos brasileiros realizaram compras via e-commerce, durante a pandemia, aponta estudo da consultoria Conversion

A estimativa é que pelo menos 30% dos estabelecimentos do ABC, filiados ao Sehal, devem encerrar as atividades até dezembro, segundo o presidente em exercício do sindicato, Wilson Bianchi | Foto: Freepik

Vivian Silva, colaboração Vitor Lima

Oficialmente, a quarentena começou no estado de São Paulo em 24 de março, por causa do novo coronavírus (Covid-19). Desde então, muita coisa mudou e mais do que nunca, o brasileiro mostrou sua criatividade, para se adaptar a uma situação inimaginável pela maioria.

Com isso, houve um “boom” no e-commerce, trabalho na modalidade home office, além das vendas por meio de redes sociais e WhatsApp. Em muitos shoppings centers como, por exemplo, no Grand Plaza, em Santo André, foi adotado também entregas no formato drive-thru, ou seja, o cliente compra os produtos pela internet, combina a entrega com o lojista no estacionamento do shopping, tudo para agilizar as vendas e garantir os protocolos de segurança.

Apesar da atual reabertura do comércio e shoppings centers, o cenário para vendas e novos negócios é desafiador, seja pelo alto número de desempregados – de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 12,8 milhões de pessoas estão nessa situação –, dificuldade de acesso ao crédito por parte de muitos empresários, horário reduzido dos estabelecimentos, assim como a capacidade de pessoas nas lojas também foi limitada, para evitar a disseminação da Covid-19, que já ceifou a vida de mais de 100 mil pessoas no Brasil.

De acordo com o presidente em exercício do Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC (Sehal), Wilson Bianchi, muitos estabelecimentos do setor não devem resistir aos impactos da pandemia, atualmente, há 9 mil filiados ao sindicato. “Fechados por mais de 100 dias, muitos nem sobreviveram. A estimativa é que pelo menos 30% dos estabelecimentos do Grande ABC devem encerrar as atividades até dezembro. Ou seja, isso representa 4,6 mil empresas e cerca de 28 mil empregos perdidos”, lamenta.

Para o palestrante, especialista em varejo e sócio-diretor da Gouvêa Tech, Caio Camargo, uma das saídas para não entrar nesta triste estatística, pode ser ampliar o portfólio de produtos e serviços. “O mercado até ensaia uma retomada, mas que virá de forma muito tímida e lenta, e que dificilmente recuperará vendas e até mesmo alguns negócios. A grande saída está em desde já, caso não tenha feito nenhuma movimentação, é buscar novos canais e alternativas, pensando em vender de forma diferente, ou até mesmo, pensando em ampliar o portfólio de produtos e serviços, buscando novos caminhos”, recomenda.

Cenários diversos
Um dos executivos que sente na pele este cenário desafiador é o presidente da agência de comunicação Octopus, Paulo Cesar Ferrari. “O impacto no nosso negócio foi grande. Tanto para nós, quanto nossos clientes não foi e não está sendo fácil, pois precisamos de um esforço maior com economia inteligente”.

Mas numa sociedade capitalista não há igualdade, enquanto, alguns fecham as portas, outros iniciam novos negócios, conforme detalha o sócio-diretor da New Mind Comunicação, Rodney Ribeiro. “Tivemos suspensões ou reduções contratuais, claro, mas por outro lado também tivemos a entrada de novos clientes em processo iniciado, antes da pandemia. Muita coisa que a gente achava que seria suspensa em função dos acontecimentos, não foi. Então tivemos a entrada desses clientes”, conta.

Por outro lado, o “jogo de cintura” de muitos lojistas surtiu efeito no Grand Plaza Shopping. Segundo o superintendente do local, Marcelo Krob, “nossos patamares de vendas estão em linha com o período pré-pandemia”. Com cerca de 300 lojas no shopping, Krob comenta que “o nível de ocupação (dos lojistas) praticamente manteve-se estável”.

E-commerce segue em alta
Segundo o “Relatório Setores do E-commerce no Brasil”, realizado pela consultoria Conversion – especializada em marketing e comércio eletrônico – o e-commerce no Brasil alcançou, em julho, a marca de 1,29 bilhões de acessos, ficando atrás apenas de maio deste ano (auge da pandemia e Dia das Mães) e de novembro de 2019, conhecido como o “natal do comércio eletrônico”, por conta da Black Friday. Cerca de 86% dos brasileiros realizaram compras durante a pandemia.

O estudo da Conversion mostra que o turismo foi o setor que mais cresceu em julho, com aumento de 29,6% em relação ao mês anterior. Mas o segmento de Roupas & Acessórios está no topo da lista de itens comprados (45,86%).

Segundo a consultoria Conversion, os dados do relatório se baseiam na análise dos 200 maiores sites de vendas virtuais (no total, 216 lojas) e 15 setores, que compõem o cenário do comércio eletrônico no País. Além disso, como suporte aos dados, a Conversion realizou uma pesquisa de opinião com 395 brasileiros, a partir de 18 anos, no fim de julho. O nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 4,9 pontos percentuais (p.p.).

Porém, é possível encontrar soluções para a crise, sem necessariamente abrir um e-commerce, segundo o especialista em varejo. “O digital foi sim um dos principais caminhos adotados, mas nem tudo se resume a abrir ou não um site ou e-commerce. Muito pode ser feito através das redes sociais, aplicativos como o WhatsApp ou até mesmo a boa e velha dupla do caderninho e telefone, ligando para os clientes, se tornando mais próximos e buscando ‘resolver os problemas’ de sua clientela mais fiel”, orienta Camargo.

“Quem não comunica, se trumbica” (José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha)
Para sobreviver neste momento de pandemia, a comunicação com os clientes tem papel relevante, seja para passar segurança na retomada dos serviços presenciais, ou mesmo para compreender as necessidades do consumidor, neste cenário. Confira a seguir algumas abordagens adotadas no ABC e em São Paulo.

Grand Plaza Shopping
“A comunicação tem como propósito reforçar o compromisso do shopping de agir com foco no cuidado da saúde e bem-estar de todas as pessoas com as quais mantém relacionamento, respeitando integralmente as recomendações das autoridades sanitárias e incentivando a prevenção e a retomada segura e gradual das atividades. Nessa linha, destacamos várias iniciativas, como lives para orientar e entreter o público das mais diversas formas”, afirma o superintendente Marcelo Krob.

New Mind Comunicação
“Mantivemos ativo nosso plano de comunicação, por meio das nossas redes sociais. Em determinado momento mudamos um pouco a estratégia até em respeito do que estava acontecendo com a pandemia, mas pouco a pouco começamos a reforçar ainda mais a nossa presença, principalmente apresentando novos trabalhos, projetos e clientes como forma de dar a nossa contribuição de boas notícias para o mercado”, conta o sócio-diretor Rodney Ribeiro.

Octopus
“Nossa comunicação com nossos clientes é contínua e permanente. Por todas as vias possíveis, nos fazemos presentes no dia a dia das equipes, sempre com atendimentos dedicados a cada um deles. Os motes da comunicação são diferentes para cada cliente, mas, de maneira geral, estiveram associados nesse momento de pandemia à busca por mais vendas, mais reconhecimento e promoção dos serviços”, destaca o presidente da companhia, Paulo Cesar Ferrari.

Gouvêa Tech
“É interessante dizer que o momento não se trata apenas de quem soube se comunicar ou divulgar melhor, mas quem de fato, conseguiu oferecer meios e alternativas de contato e vendas entendendo as necessidades de seus consumidores”, avalia o sócio-diretor da companhia e especialista em varejo, Caio Camargo.

Obs.: Matéria publicada originalmente na revista interativa Negócios em Movimento, edição 109. 

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