O sonho de tornar o ABC no Vale do Silício brasileiro

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Entrevistamos o novo presidente e vice do Itescs, que detalharam os planos da gestão; fomentar o ecossistema empreendedor regional e promover a inovação são o foco

Por Vitor Lima

Na última edição da Negócios em Movimento noticiamos a troca na presidência do Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul (Itescs). Como antecipamos, Benício José Filho deixou a direção do órgão, cargo agora ocupado por Luiz Lopes Shcimitd, desde dezembro. A troca no comando será oficializada no próximo dia 26, em cerimônia solene para empossar a nova diretoria para o biênio 2018-2019. O evento ocorrerá no teatro da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), às 19h (Avenida Goiás, 3.400).

Além de Schimitd, também será empossado Thiago Matsumoto, que assume a vice-presidência do instituto. Schimitd é empresário da área de segurança privada e Matsumoto é investidor-anjo e já ocupava a diretoria de Inovação e Empreendedorismo do órgão.

A reportagem conversou com os novos gestores da entidade, que detalharam os principais desafios e planos para este biênio. Melhorar o ecossistema empreendedor do ABC e incentivar a inovação continuam pautando o trabalho do Itescs, para que a região possa ser reconhecida, quem sabe, como o “Vale do Silício brasileiro”.  Confira o bate-papo:

Negócios em Movimento (NM): Quais os principais desafios do senhor à frente do Instituto e como o senhor pretende enfrentá-los?

Luiz Schimitd (LS): Primeiro é conseguir parceiros que tenham a mesma vertente tecnológica que a gente, o mesmo propósito de fomento empreendedor, a mesma vontade e a mesma garra para fazer com que o ABC seja o Vale do Silício brasileiro. Para isso a gente precisa de muita energia. Como o ITESCS é uma unidade sem fins lucrativos, associativa e voluntária, a gente precisa de gente que tenha propósito, tenha vontade de fazer e que tenha energia para fazer. E, claro, que acredite no que a gente está fazendo. A gente está se propondo a trazer empreendedorismo com vertente tecnológica para transformar o nosso ambiente, principalmente falando do ABC. 

O segundo desafio que eu vejo, é fazer com que as pessoas entendam o papel da tecnologia estratégica não só como um gasto, como um custo, mas também como um agente potencialmente transformador através da inovação. Eu vejo que as empresas gostam, querem inovar, mas quando você fala que ela precisa estudar um pouco mais, aplicar novos métodos, ela acaba não fazendo porque ela vê uma dificuldade. Esse é dos principais desafios que a gente tem: fazer com que as pessoas entendam a necessidade de se transformar, porque é uma necessidade. As empresas que não se transformarem nos próximos cinco anos muito provavelmente não existirão. 

NM: Como o ITESCS, em conjunto com as universidades, pode contribuir na disseminação dos conceitos de empreendedorismo e inovação para os jovens?

Schimitd comandará o instituto no biênio 2018-2019

LS: Praticamente todas as universidades do ABC são parceiras do ITESCS e a ideia do ITESCS é formar um hub de inovação, aonde a gente consiga conectar a universidade à uma necessidade que a indústria tem, uma necessidade atual de mercado. Fazer isso através do fomento do pensamento empreendedor no jovem e também na disseminação da questão da inovação para a empresa, para que ela possa entender que consumindo um jovem da universidade ela tem um pensamento muito mais inovador e muito barato. A gente tem várias universidades de ponta no ABC e muitas vezes os profissionais que essas empresas consomem não são do ABC. 

 NM: Como o senhor avalia a atuação das Prefeituras do ABC em relação ao ecossistema empreendedor e à inovação? E como o senhor pretende se relacionar com o poder público?

LS: Prefiro não falar sobre a forma como as prefeituras estão atuando. Prefiro falar que o ITESCS sempre teve uma boa circulação com o poder público de todo o ABC e vamos continuar desta forma, mantendo bom relacionamento e promovendo de forma conjunta, no que for possível, o empreendedorismo e o desenvolvimento local.

NM: O que motivou o senhor a aceitar este desafio e assumir a vice-presidência do ITESCS?

Thiago Matsumoto (TM): Aceitei o desafio para ajudar o desenvolvimento da região do ABC. Seja na parte tecnológica, através do desenvolvimento de novos negócios inovadores, para contribuir com o ecossistema, tornando o ABC uma referência em tecnologia e inovação. Me sinto honrado com o convite do Luiz e do Benício. 

NM: Qual é principal missão da nova gestão para estes próximos dois anos?

TM: Nossa principal missão é tracionar, como dizemos nas startups. Fazer crescer, dar escala. A gente está focando e assumindo toda a gestão de desenvolvimento do ITESCS como se fosse uma startup. Então todas as metodologias ágeis de crescimento, metodologias ágeis de novas ações, de novos produtos, a gente está usando como startups. Porque startup é exatamente o que a gente mais faz, o que a gente mais gosta. Nossa maior missão é fazer que o ITESCS cresça e que tenha grande visibilidade, não só no ABC, não só em São Paulo, mas em todo o Brasil. Queremos ser uma referência em tecnologia usando as startups como pano de fundo. Mas a gente quer falar de diversas outras coisas, como criptomoedas, por exemplo. 

Matsumoto já comandava a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo do Itescs

NM: Como o Instituto pretende contribuir para melhorar o ecossistema empreendedor e de inovação do ABC? 

TM: A gente vai continuar fazendo nossas palestras. Com isso a gente consegue focar em diversas tecnologias, em diversos ambientes, em diversos assuntos e gera-se mais conteúdo, mais referência. E, aí sim, a gente consegue dar escala e continuidade no que foi feito na gestão anterior.

NM: Já existe alguma agenda definida para 2018?

TM: Já temos. Queremos fazer um evento grande, com essas palestras, por mês. Temos as missões, para Portugal, para o Peru e para o Vale do Silício que queremos promover. Os encontros de investidores-anjos, hackatouns. E a gente vai fazer, no meio do ano, um Startup Wekeend ABC. A agenda está muito boa, temos bastante coisa para fazer. Dia 21 de fevereiro já tem a primeira palestra sobre criptomoedas e em março a gente vai falar sobre cibersegurança. 

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