Capitalismo consciente envolve bem-estar social

Segundo o CEO da SG Aprendizagem Corporativa, Sérgio Guerra, os negócios não se restringem apenas à geração de lucro, renda e empregos, mas também a valores de bem-estar social | Foto: Freepik

O capitalismo consciente é uma nova abordagem para condução dos negócios, que as melhores empresas do mundo estão adotando. Essas companhias são guiadas por um conjunto de valores, que promove a prosperidade e a interligação de toda a cadeia de valor para atingir metas mais amplas de maneira justa e equilibrada.

Em síntese, no capitalismo consciente cria-se valores diferentes para todas as partes interessadas (ou stakeholders) como financeiro, intelectual, físico, ecológico, social, cultural, emocional, ético e até mesmo espiritual. Os negócios não se restringem apenas à geração de lucro, renda e empregos, mas também a valores de bem-estar sociais.

Na prática, as chamadas empresas conscientes foram idealizadas pelos estudiosos Raj Sisodia, Jaf Shereth e David Wolf na intenção de compreender os caminhos percorridos pelas marcas que conseguiam manter um alto nível de fidelização dos consumidores, sem precisar realizar altos investimentos em Marketing & Publicidade. Atualmente, o modelo de negócios concretizou-se em quatro princípios, que são:

Propósito elevado: fortes valores que vão além do lucro e que inspiram, envolvem e energizam o empresário, bem como os colaboradores e consumidores, que se engajados, confiam e até mesmo amam essas empresas.

Cultura consciente: cultiva o amor e o cuidado e desenvolve uma relação de confiança entre os membros da equipe da empresa e seus investidores. Em algumas das empresas mais bem-sucedidas e amadas, a cultura consciente parece ser palpável, pois é baseada em confiança, integridade e transparência.

Liderança consciente: o papel do líder consciente é servir ao propósito da organização, para buscar o que há de melhor em seus colaboradores, promovendo transformações positivas e agregando valor para consumidores e investidores.

Orientação para todos os envolvidos no negócio: empresas conscientes maximizam retornos para todos os envolvidos em seu negócio — colaboradores, consumidores, comunidade, governo e investidores — e entendem que, tendo todos envolvidos e engajados, é possível formar uma empresa forte, saudável e sustentável.

Segundo o CEO da SG Aprendizagem Corporativa, Sérgio Guerra: “Hoje, estamos acostumados com a ideia de que a razão de ser das empresas é dar lucro aos acionistas. O capitalismo consciente serve para elevar a humanidade e gerar valor para todos os envolvidos, inclusive para a comunidade e para o meio ambiente. A prática melhora inclusive a autoestima das pessoas, porque tem poder de inclusão e sentido de pertinência”, afirma.

O terceiro princípio: liderança consciente
Não adianta ter valores, princípios, stakeholders integrados, se não houver líderes conscientes na empresa. No livro “Capitalismo Consciente”, John Mackey e Raj Sisodia trazem uma análise histórica da evolução das empresas. Para eles, no início, as empresas foram moldadas por características militares.

Desta maneira, as organizações apresentavam lideranças pautadas em comandos e controles. Por conta disso, pessoas motivadas em exercer poder eram atraídas e contratadas.

Os autores afirmam que o ambiente de negócios era similar a uma praça de guerra e o mito de que os melhores guerrilheiros dão líderes exemplares se disseminou em todas as organizações. A cultura de militarismo era tão presente que frases como “engajar a linha de frente” ou “capturar mercado”, que perduram até hoje, são resquícios deste tempo.

Todavia, este tipo de liderança começou a desagradar acionistas, pois as empresas se tornavam sólidas de forma interna, mas não cresciam. Com isso, o estilo de liderança foi sendo alterado. Segundo Mackey e Sisodia, deixou de ser “militarista” e passou a ser “mercenário”. Nesta nova fase, os líderes focavam no valuation e nos valores de ações das empresas, pois se tornariam mais atrativas aos investidores.

O capitalismo consciente traz, por sua vez, a ideia de que líderes conscientes devem ser motivados por servir ao propósito da empresa. Desta maneira, sua função é desenvolver habilidades necessárias para engajar, motivar, inspirar e orientar toda sua equipe. O comportamento deste líder é norteado pelo exemplo e pela proposta de união dos stakeholders.

“É perceptível que líderes conscientes deixam de lado as características de poder (militarismo) e o enriquecimento pessoal (mercenário) e se preocupam em construir um legado (propósito). Para conseguir transformar sua empresa ou criar uma empresa consciente, é preciso definir valores que a empresa acredita; trabalhar por um propósito maior que a empresa; definir todos os stakeholders e tratá-los da mesma maneira; integrar os stakeholders e buscar sempre uma solução Ganha-Ganha; ser um líder ou ser humano consciente, independentemente da posição que ocupa hoje; e saber que a cultura atua de forma inconsciente, mas impacta nos resultados. Por isso, trabalhe para implementar uma cultura consciente na sua empresa”, finaliza Guerra.

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