Como será o consumo na retomada do comércio?

Foto: Reprodução

O Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB) promoveu essa semana o Talk Consciente “Como será o consumo na retomada do comércio?”, numa transmissão ao vivo para convidados pela internet. A live, mediada por Hugo Bethlem, chairman do ICCB, contou com a participação de Helio Mattar, idealizador e diretor-presidente do Instituto Akatu, e Lyana Bittencourt, diretora executiva do Grupo BITTENCOURT. A tônica da conversa foi a responsabilidade social e ambiental das empresas frente às desigualdades expostas pela pandemia do novo Coronavírus, a partir de um consenso entre os participantes de que o propósito dos negócios e o consumo mais consciente serão fatores que vão se intensificar com a crise.

Haverá uma mudança significativa nas relações de consumo, impulsionada por vários fatores, tendo como primeiro indicador a ruptura do automatismo, com uma ressignificação do que é supérfluo e essencial para o público que consome mais no Brasil – uma bolha de aproximadamente 35% da população brasileira, segundo Helio Mattar, do Akatu.

“Esse público teve contato com o seu próprio desperdício e excesso, num momento em que a exposição das desigualdades ficou escancarada para toda a sociedade. Por outro lado, uma crise sem precedentes deixou muitas pessoas desempregadas e sem renda, com isso,  80% dos consumidores brasileiros estão preocupados com a insegurança econômica e com um olhar mais detido para o que é essencial”, argumenta Mattar.

A crescente digitalização dos negócios também já está indicando caminhos na transformação das relações de consumo. “Com diversas opções a um clique, as marcas que conseguirem se relacionar melhor com o consumidor nesse período, entregando não só o que prometem, mas superando as expectativas, terão melhores resultados”, avalia Lyana Bittencourt, do Grupo BITTENCOURT.

Reconfiguração dos negócios

Para Hugo Bethlem, a experiência de comprar após a pandemia será dividida entre necessidade e prazer, com um híbrido entre o digital e o espaço físico, que será reconfigurado. Ele lembrou que o franchising foi um dos segmentos mais afetados pelo fechamento do comércio na quarentena e que está inserido no contexto do empreendedorismo brasileiro, formado majoritariamente por pequenas e médias empresas – 97% dos CNPJs faturam menos que R$ 2 milhões por ano e, destes, 88% faturam menos de R$ 360 mil.

Lyana, que tem experiência em desenvolvimento, gestão e expansão de redes de negócios e franquias, observou que quem sobreviveu ao fechamento das lojas está passando por um processo de amadurecimento, com maior abertura dos franqueadores para fazer concessões e ficar mais próximo dos franqueados. Assim, a sinergia e colaboração entre os empreendedores aumentou para atender a necessidade de otimizar recursos, economizar espaços e equipes. “E para que se tenha um consumo e um capitalismo mais consciente, os negócios precisam se recompor e identificar oportunidades de se reconfigurar”, avalia.

Nesse sentido, ela destaca que uma tendência acelerada pelo isolamento social foi o delivery de tudo, uma forma de gerar receita na loja física e se reinventar para estar mais próxima dos clientes. “As fronteiras da posse deverão ser quebradas para que o franchising seja mais digital, mais aberto e ofereça o delivery de tudo. Muitos shoppings reabriram com aumento de vacância, pois muitas lojas não conseguiram se manter e há receio do consumidor em relação a contaminação. O franchising deve pensar em aproveitar melhor um ponto de venda e ressignificar o negócio e suas entregas”, complementa Lyana.

Relações mais transparentes 

A transparência dada pela digitalização também vai mudar os parâmetros para estabelecer vínculo com o consumidor, que antes era definido pela publicidade e passa a ter seu significado definido pelas necessidades da vida real.

Em relação ao uso de Inteligência Artificial e à maior regulação do uso de dados, Lyana avalia que “desde que essa concessão [de dados] seja devidamente autorizada, pode trazer oportunidades para que as empresas ofereçam soluções mais alinhadas às necessidades dos consumidores”.

Para Helio Mattar, do Akatu, com a digitalização onipresente, a transparência não será mais um valor, mas um fato que vai se estabelecer ou não com os consumidores. Ainda segundo o porta-voz, não há contradição entre o capitalismo e os cuidados que ele deve ter com a sociedade e com o meio ambiente porque essa relação sempre existiu.

Na visão do chairman do ICCB, Hugo Bethlem, a redefinição do propósito das empresas deve responder qual é a dor da humanidade que elas se propõem a curar, caso contrário, o negócio nem deve existir. “O momento em que está ocorrendo uma redefinição de muitas coisas, os negócios que não tem propósitos devem se questionar como vão se recolocar no mundo”, conclui.

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