Comportamento inadequado nas redes sociais pode afetar relação trabalhista

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“Mais do que nunca, precisamos ter sabedoria para saber se manifestar”, alerta a consultora Astrid | Foto: Edy Fernandes

A utilização das redes sociais está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas, seja no âmbito pessoal ou profissional. Todos os usuários transmitem uma mensagem para quem quiser ver o seu perfil. Porém, a forma como cada um utiliza dessas ferramentas pode influenciar diretamente nas relações trabalhistas. De acordo com Astrid Vieira, consultora e diretora da empresa Leaders-HR Consultants BR, no mundo corporativo, a maioria das empresas monitoram as redes sociais dos profissionais para entender como eles pensam e agem.

Ao contrário do que se imagina, o monitoramento não acontece apenas antes da contratação, mas também durante a jornada no trabalho. “Publicações com conteúdo de qualquer natureza discriminatória, por exemplo, são vistas com maus olhos por gestores que agem com cautela sobre a exposição em mídias digitais. A depender do caso, pode ocorrer até a demissão do empregado”, ressalta Astrid.

Num cenário político, extremamente polarizado, as plataformas digitais são palco de debates e discussões acaloradas. As empresas, no geral, respeitam o direito constitucional de manifestação do indivíduo, mas elas também precisam resguardar a imagem corporativa.

Recentes decisões proferidas pela Justiça do Trabalho têm demonstrado que o empregador pode demitir por justa causa o empregado por publicações negativas referentes à empresa, como reclamações sobre o salário, horário, postagens que falam mal do chefe, dos colegas ou até dos clientes. No caso, é preciso apresentar uma prova de que o feito foi grave e danoso para a empresa. Já as atitudes que não tenham ligação direta com a empresa, também podem levar à perda do emprego, mas a razão não precisa necessariamente ficar clara.

Por certo, o comportamento nas redes sociais pode se transformar em uma “arma” contra o próprio empregado e requer atenção. Quem deseja, de fato, usar seu perfil para expressar suas opiniões, promova um debate de ideias, sem eventuais ofensas preconceituosas em relação a sexo, raça, orientação sexual e religião. Mesmo com os ânimos exaltados, também é importante que se evite envolver em discussões, tenha cuidado com palavras de baixo calão e se atente a opiniões extremistas ou polêmicas.

Vale ressaltar que a liberdade de expressão não é sinônimo de impunidade. A popularização das redes sociais mudou a forma como as pessoas se relacionam e, por isso, precisamos ficar atentos a tudo que falamos, escrevemos, curtimos ou compartilhamos, mesmo em perfis particulares ou grupos fechados. “Mais do que nunca, precisamos ter sabedoria para saber se manifestar”, finaliza Astrid.

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