Consultor se especializa na gestão financeira de atletas

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Auxiliar atletas, que têm carreira extremamente curta, é a missão de Cláudio Nascimento Rodrigues | Foto: Divulgação

O roteiro é conhecido: o fascínio pela bola e o sonho de se tornar um jogador de futebol domina o imaginário de boa parte das crianças brasileiras. A busca pelo distante sonho começa cedo e são poucos os que conseguem passar pelo estreito funil do mercado da bola.

Para a maioria daqueles que conseguem tornar-se jogadores de futebol profissional, a vida é menos glamorosa do que imaginamos. No País de Neymar e Ronaldos, 82% dos desportistas ganham menos de R$ 1.000, de acordo com pesquisa realizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Entre os que se destacam, conseguem atuar por grandes clubes e receber bons salários, outra situação corriqueira é o empobrecimento após pendurar as chuteiras. O maior e talvez o mais triste exemplo, seja a situação vivida por Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha. Ídolo nacional nas décadas de 1950 e 1960, apontado por muitos como um dos mais geniais jogadores de futebol de todos os tempos, o bicampeão mundial com a seleção brasileira terminou sua vida de forma decadente, sem posses e sobrevivendo com a ajuda de amigos.

Evidentemente que na época os grandes jogadores não eram tão bem remunerados como atualmente e no caso de Garrincha ainda existe o agravante do alcoolismo, seu inimigo implacável, que também foi protagonista no seu melancólico fim.  Mas Garrincha é apenas um exemplo da situação vivida por muitos Joãos, Antônios e Robertos.

Os atletas de alto rendimento têm uma carreira curta e, caso não se planejem para o futuro, a aposentadoria realmente pode não ser das mais confortáveis. Muitos atletas, pelo fato de começarem muito jovens a se dedicar integralmente ao esporte, não concluem os estudos. A falta de formação e o convívio com pessoas aproveitadoras são apontadas por muitos ex-atletas que passaram por dificuldades financeiras como alguns dos motivos que o levaram a passar necessidades.

Nicho de mercado

Goleiro Deola, ex-Palmeiras, é um dos clientes de Rodrigues | Foto: Reprodução

O coaching Cláudio do Nascimento Rodrigues, 35 anos, estudou este mercado e constatou que havia aí uma boa oportunidade para trabalhar com gestão financeira. “Analisei muitos cases de ex-jogadores e também tive a oportunidade de conversar com alguns jogadores para entender o dia a dia desses atletas. Com base nessas pesquisas e estudos, elaborei um projeto focado em profissionais de carreira curta, que exigem um planejamento diferenciado, projeto esse que pude validar com alguns atletas e profissionais da área”, conta.

De acordo com Rodrigues, os atletas têm bastante interesse em investimentos. “Hoje há milhares de produtos financeiros no mercado, então o mais importante é entender o perfil e objetivos do cliente, para identificar qual produto se adequa melhor a sua necessidade”, explica.

Atualmente, o consultor financeiro tem uma carteira com cerca de 65 clientes – contudo, Rodrigues ressalta que nem todos seus clientes são da área esportiva. Entre os atletas atendimentos por ele, destaca-se o goleiro Deola, ex-Palmeiras, e que atualmente defende as cores do Taboão da Serra.

“Eles (jogadores) têm muitos exemplos de ex-jogadores que ganharam fortunas no passado e hoje não têm o estilo de vida que tinham antes, então isso serve como sinal de alerta”, lembra o profissional, para em seguida comparar: “Um bom consultor atua como um bom técnico. Não adianta você ser um atacante excepcional e estar posicionado na defesa, ou seja, não adianta você ter muito dinheiro e colocar no lugar ‘errado’, ou pior, deixar ele parado no banco de reservas”.

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