Indústria do ABC reduz índice de confiança

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Quanto mais próximo de 100 o Índice de Confiança da Indústria (ICEI), melhor é a avaliação para um cenário otimista | Foto: reproduçãoo

Influenciado pela expectativa de reformas que desonerem a produção industrial e pelo lento ritmo de retomada da economia, o Índice de Confiança da Indústria (ICEI) do ABC baixou ao longo do último ano, passando de 65,6 pontos em janeiro de 2018 para 61,5 pontos em fevereiro de 2019, de acordo com o Boletim IndústriABC. O resultado se deve em especial à redução do indicador sobre as condições das empresas, que saiu de uma confiança de 62,5 pontos em janeiro de 2018 para 50 pontos em fevereiro último.

Na contramão das pesquisas com indústrias brasileiras e paulistas, que melhoraram seus ICEIs, o menor otimismo no ABC paulista se deve à concentração industrial da região, onde é maior o impacto das quedas na demanda interna, nas exportações e nos empregos formais provocadas pela prolongada recessão econômica brasileira. No Brasil, o ICEI subiu de 59,3 pontos em janeiro do ano passado para 64,5 em fevereiro último e em São Paulo, de 58,8 para 65,7.

Quanto mais próximo de 100, melhor é a avaliação de um cenário otimista. Abaixo de 50, a sensação é de pessimismo, com estoques aquém do planejado e uso da capacidade instalada menor que o usual. Melhorias nesse cenário dependerão de o novo governo colocar efetivamente a economia para andar.

“A capacidade do governo de estabelecer diretrizes claras refletirá nas perspectivas de crescimento e no nível de confiança do setor produtivo. Em que pese sua importância, a reforma previdenciária não basta para recolocar a atividade produtiva na rota de crescimento, como por vezes é dito”, adverte o economista Sandro Maskio, coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo. Ele ressalta ainda a necessidade de uma política industrial robusta, alertando para a queda progressiva da indústria na formação do PIB brasileiro, que saiu de 23,2% em 2010 para 18,4% em 2018.

Estudo
A Metodista elabora a cada trimestre o Boletim IndústriABC com base em recorte regional do ICEI levantado nacionalmente pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e entre indústrias paulistas pela FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Ao longo dos últimos 12 meses, segundo a Sondagem Industrial para o ABC, em apenas três meses os empresários declararam ter ocorrido aumento do volume de produção, contra oito meses no Brasil e sete meses no Estado.

Menos empregos
A utilização da capacidade instalada no Grande ABC está em 66%, pouco acima do observado há um ano, aproximando-se da média nacional. Ao mesmo tempo, a perspectiva de geração de empregos permanece estável (próxima a 50 pontos), apontando para a lenta retomada da atividade e de desconfiança em torno de sua robustez. Segundo dados do Ministério da Economia, entre 2012 e 2017 o ABC perdeu mais de 68 mil empregos industriais formais.

O principal problema enfrentado pelo setor industrial, conforme os gestores, é a falta de demanda interna, apontada por 61,5% no ABC, 41,2% em São Paulo e 27,9% no Brasil. Puxada pelo setor automobilístico, a intenção de investimentos pela indústria do ABC caiu de 55,3 pontos em fevereiro de 2018 para 48,1 em dezembro. No mesmo período, a evolução na quantidade de exportação baixou da faixa dos 60 pontos em fevereiro para 41,7 em dezembro passado, assim como a expectativa com a evolução da demanda passou de 65 para 58,9 pontos.

“Nos últimos meses o ABC se deparou com cenário turbulento no setor industrial, em especial pela ameaça da General Motors de interromper as operações em São Caetano e com o efetivo fechamento da Ford Caminhões em São Bernardo”, aponta o economista Maskio, acrescentando que a influência dessas posturas aparecerá na pesquisa do próximo trimestre.

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