Levantamento indica avanço da revolução digital nas empresas jornalísticas

Do total de veículos registrados no Brasil, as emissoras de rádio somam 4.195 (35,5%), seguidas por veículos impressos 3.429 (29%), veículos digitais 3.051 (25,8%) e emissoras de TV 1.158 (9,8%) | Foto: Reprodução

Realizada pelo PROJOR – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo – em parceria institucional com a Abraji, Intercom e 22 escolas de jornalismo, e com o apoio do Facebook Journalism Project (FJP), a terceira edição do Atlas da Notícia indica o avanço de revolução digital sobre a imprensa local brasileira, um fenômeno marcado pela conjunção do fechamento de veículos impressos, a migração para o meio digital e o aumento dos chamados desertos de notícias, municípios sem a presença registrada de veículos jornalísticos.

A cargo do Volt Data Lab, liderado pelo jornalista Sérgio Spagnuolo, a pesquisa, análise e mapeamento desta edição inclui também a publicação de uma API (Interface de programação de Aplicativos) para facilitar o acesso e utilização das informações geradas sobre a presença de veículos jornalísticos nos 5.570 municípios brasileiros. As principais informações do Atlas 3.0 serão publicadas em edição especial do Observatório da Imprensa do dia 11 de dezembro de 2019.

“A terceira edição do Atlas da Notícia reafirma o compromisso do Projor em gerar dados e análises imprescindíveis para iniciativas que visem fortalecer a imprensa local brasileira em face aos desafios trazidos pela revolução digital”, diz Francisco Belda, presidente do Projor.

Segundo Sérgio Spagnuolo, a construção da API do Atlas é inédita no jornalismo brasileiro. “Trata-se de um recurso muito utilizado por empresas de tecnologia, mas ainda pouco implementado dentro do segmento jornalístico”, diz. “Esta ferramenta permitirá a implementação de aplicações, automatização de análises e gráficos e facilitação do uso dos dados do Atlas por pesquisadores”.

Desde sua segunda edição, publicada em 2018, o Atlas da Notícia é financiado pelo Facebook. “Buscamos apoiar projetos que ajudem a fortalecer as comunidades em torno de um jornalismo de qualidade. Acreditamos que as notícias locais são o ponto de partida para isso. Elas tornam as comunidades mais fortes, aproximando as pessoas em torno de questões que são importantes para elas,” afirma a diretora de Parcerias de Notícias do Facebook para a América Latina, Claudia Gurfinkel.

Desde o lançamento da pesquisa desta edição, em agosto, a coordenação do trabalho nas cinco regiões brasileiras é de responsabilidade do jornalista Sérgio Lüdtke, em conjunto com os seguintes pesquisadores regionais: Angela Werdemberg (Centro-Oeste), Dubes Sônego (Sudeste), Jéssica Botelho (Norte), Marcelo Fontoura (Sul) e Mariama Correia (Nordeste).

“Os dados agora reunidos pelos pesquisadores do Atlas da Notícia, com apoio de 193 colaboradores voluntários de escolas de jornalismo das cinco regiões do país, são uma base consistente para que pesquisadores de todo o Brasil possam orientar novas investigações”, diz Sérgio Lüdtke. “Esses dados permitirão detectar os caminhos trilhados mais recentemente pelo jornalismo e identificar necessidades das comunidades e oportunidades futuras que se abrem para os jornalistas profissionais no Brasil”.

Principais indicadores do Atlas da Notícia 3.0

Inspirado no projeto America’s Growing News Deserts, da Columbia Journalism Review, em sua terceira edição, o Atlas da Notícia revela:

● A existência de 11.833 veículos jornalísticos no país em todos os meios: impresso, digital, rádio e TV
● Do total de veículos registrados, as emissoras de rádio somam 4.195 (35,5%), seguidas por veículos impressos 3.429 (29%), veículos digitais 3.051 (25,8%) e emissoras de TV 1.158 (9,8%)
● A presença de veículos jornalísticos em 2.083 municípios, um universo de 171,2 milhões de pessoas que correspondem a 82% da população brasileira
● 3.487 municípios (62,6%) são “desertos de notícias,” lugares sem a presença registrada de veículos jornalísticos. Lá vivem 37,4 milhões de brasileiros (17,9% da população)
● 1.074 municípios (19,2%) são “quase desertos,” lugares com até dois veículos e em risco de se tornarem desertos. Lá vivem 27,5 milhões de brasileiros (13,2% da população)
● O Atlas 3.0 identificou o fechamento de 331 veículos jornalísticos, dos quais 195 (60%)
impressos – números consolidados desde 2003

Observação: Por se tratar de um projeto de dados novo e focado num país de dimensões
continentais e altamente desigual, a terceira edição do Atlas da Notícia registra o fechamento de veículos, sem atribuir um período definido para isso. A comparação anual para o fechamento de veículos será possível em futuras edições da pesquisa.

A equipe do Atlas da Notícia agradece à Associação Nacional de Jornalismo (ANJ) e às seguintes escolas de jornalismo pela colaboração decisiva de seus alunos, além de colaboradores individuais, na catalogação de veículos:

Região Centro-Oeste
● Universidade Federal de Goiás (UFG)
● Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Região Nordeste
● Faculdades Integradas Barros Melo
● Universidade Católica de Pernambuco (Unicap)
● Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
● Universidade Federal da Bahia (UFBA)
● Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
● Universidade Federal do Piauí (UFPI)

Região Norte
● Faculdade Estácio Amapá
● Museu Emílio Goeldi
● Universidade Federal do Amazonas (UFAM) – Laboratório Experimental de Jornalismo em
Rede Lab F5) e das pesquisadoras Tainá Cavalcante e Kamila Monteiro.
● Universidade Federal do Acre (UFAC)

Região Sudeste
● Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP)
● Universidade Estadual Paulista (UNESP – Bauru)
● Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
● Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

Região Sul
● Faculdade Ielusc
● Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)
● Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)
● Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC)
● Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac Lages)
● Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul)
● Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
● Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here