Setor imobiliário projeta recuperação

Por Vitor Lima
A Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC (ACIGABC) divulgou, em fevereiro, a Pesquisa Imobiliária Anual de 2016 do Grande ABCDM. O estudo confirmou a percepção dos empresários de que a construção civil e o mercado imobiliário foram afetados pelo mau momento econômico do País. 
No ABC, foram 2.962 unidades vendidas em 2016, queda de 40% na comparação com 2015, quando foram vendidas 4.939 unidades. O número de lançamentos seguiu a mesma toada e registrou retração de 44,5% frente a 2015 (2.242 contra 4.042). Outro índice a registrar queda, pela quarta vez consecutiva, foi do nível de estoque: em 31 de dezembro passado, a região tinha 1.472 unidades em estoque (em 2015 o índice registrava 1.849 unidades).
Santáguita aposta no início da recuperação neste ano e em uma “retomada expressiva” em 2018 | Foto: Divulgação
O presidente da entidade, Marcus Vinicius Pereira Santáguita, concorda que a crise política e econômica pelo qual o País passou afetou os resultados do setor, porém demonstra entusiasmo ao projetar o futuro. “Nós acreditamos que o mercado volte a crescer gradativamente em 2017 e que em 2018 terá uma retomada expressiva”, prevê.
De acordo com ele, a região ainda registra um grande déficit habitacional, fator que será importante para alavancar o setor novamente. “O baixo número de lançamentos e vendas nos últimos anos e, por conta da baixa expressiva nos estoques, acreditamos que  temos uma grande demanda ‘represada’ o que irá aquecer e movimentar o mercado nos próximos anos”.
Na opinião do especialista, o início das baixas na taxa básica da economia (taxa Selic) auxiliará também a área, pois isso acarretará em crédito mais barato. “Um dos pilares fundamentais de sustentação do mercado imobiliário é a oferta de crédito e o fácil acesso ao mesmo por parte das famílias. Toda vez que ocorre redução de juros mais pessoas passam a ter acesso ao crédito, uma vez que as parcelas caem e passam a caber no orçamento. Devido a esses fatores, existe uma forte tendência de os preços dos imóveis aumentarem já no segundo semestre de 2017”, analisa. 
Além disso, a proximidade do ABC com a capital favorece a região na avaliação de Santáguita. Ele comenta que a infraestrutura encontrada no ABC é muito parecida com a da capital, com a vantagem de os imóveis daqui custarem cerca de 30% a menos. 
MBigucci entrega maior obra de sua história
A MBigucci inaugurou, no último dia 21, uma obra que pode representar este novo momento do setor. Trata-se da maior obra da história da construtora, o complexo batizado como Marco Zero MBigucci, localizado na esquina das Avenidas Kennedy e Senador Vergueiro, em São Bernardo do Campo. 
São quatro torres: duas residenciais (entregues em 2016, com 272 unidades de 2 e 3 dormitórios) e duas torres mistas de lofts, duplex, salas comerciais e um boulevard (uma entregue no dia 21, com 423 unidades e outra ainda em construção, com 259 unidades). No total, são 89.085 metros quadrados (m²) de área construída e 954 unidades no complexo. Foram mais de 6,5 mil pessoas envolvidas na cadeia produtiva da obra (fornecedores, prestadores de serviço, instituições financeiras, cartórios, órgãos públicos, entre outros) e 2,3 mil empregos diretos gerados pela construção do complexo. A torre mais alta possui 23 andares e 82 metros de altura. 
Complexo Marco Zero MBigucci, no coração de São Bernardo do Campo, é a maior obra da história da construtora | Foto: Divulgação 
De acordo com o presidente da MBigucci, Milton Bigucci, o empreendimento trará muitos ganhos para o ABC. “É um marco não só para a MBigucci, mas também para nossa cidade e região, pois aqui, em um futuro próximo, se instalarão muitos consultórios e escritórios de diversos segmentos que movimentará a economia local”, explica. 
O presidente também destaca os ganhos em mobilidade para os frequentadores da área, pois dois dos prédios terão o térreo livre para a circulação de pessoas, o que possibilitará a ligação entre as avenidas Kennedy e Vergueiro por dentro do empreendimento. “As pessoas poderão usufruir também dos jardins, mini praças, galeria de arte, boulevard e restaurantes que estarão ali instalados. Enfim, o Marco Zero MBigucci é um empreendimento voltado para um público moderno, inteligente e para uma região que merece esta obra prima”, completa. 
A escolha do nome do complexo não foi por acaso: o local onde está instalado o empreendimento tem um significado histórico para a cidade. Foi naquela área que, há 300 anos, em 1717, teve início o Marco Zero de São Bernardo do Campo. De acordo com os registros oficiais, o primeiro núcleo populacional do município foi a fazenda dos Monges Beneditinos, que ficava no exato local, no qual foram construídas as quatro torres. Ficava ali também a capela São Bernardo, que abrigou a primeira imagem do santo que dá nome à cidade. 
Feirão de imóveis deve gerar R$ 80 mi em negócios
Em 18 e 19 de março, a ACIGABC promoverá o 1° Salão do Imóvel do Grande ABC. O evento ocorrerá no estacionamento do Hipermercado Extra Anchieta, em São Bernardo do Campo (Avenida Corredor Abd, s/n°), e reunirá 20 construtoras da região que oferecerão descontos e taxas especiais. 
Serão ofertados cerca de 2 mil imóveis novos ou em construção (dos quais cerca de 500 desses se enquadram na faixa 3 do programa Minha Casa Minha Vida) avaliados em até R$ 300 mil e destinados a compradores com renda de até R$ 9 mil. 
O presidente da entidade acredita que cerca de 20 mil pessoas visitem o salão e estima a geração de R$ 80 milhões em negócios. Entre as promoções previstas pelas construtoras, estão descontos de até R$ 50 mil. 
Além dos stands das construtoras, a estrutura do evento reunirá parceiros como concessionárias de veículos e empresas de móveis planejados, bem como praça de alimentação, lounge e espaço kids.

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