Poupança atinge maior rendimento desde 2006

Uma boa notícia aos poupadores: de acordo com boletim divulgado no último dia 10 pela Economatica, a caderneta de poupança registrou em 2017 o melhor desempenho desde 2006. O ganho real da modalidade, já descontada a inflação, foi de 3,9%. O resultado foi influenciado pela baixa inflação, que fechou o ano em 2,95%, o menor índice desde 1998.

Também interfere no rendimento da poupança a taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central (BC), a taxa Selic. Este indicador está diretamente atrelado ao lucro gerado pela caderneta, especialmente após maio de 2012, quando as regras da poupança foram alteradas.

Antes das alterações, a remuneração da modalidade era de 6,17% + a Taxa Referencial (TR) ao ano (a.a.), índice também definido pelo Banco Central. Os rendimentos dos depósitos feitos após as alterações são calculados da seguinte forma: caso a Selic esteja igual ou menor a 8,5%, o rendimento será de 70% da Selic + a TR a.a.; caso a taxa esteja acima de 8,5%, os rendimentos seguem a fórmula antiga (6,17%% + TR a.a.). Atualmente, a Selic está em 7% e o mercado projeta que o índice sofra uma nova queda em fevereiro – a aposta é que a taxa seja reduzida para 6,75%.

Outra notícia positiva para à caderneta é em relação aos depósitos. Após dois anos de queda, os depósitos foram superiores aos resgates. O saldo foi de R$ 17,12 bilhões, de acordo com informações divulgadas pelo BC no início do ano. Em 2015 e 2016, as retiradas superaram os depósitos em R$ 53,56 bilhões e R$ 40,7 bilhões, respectivamente.

Na avaliação do professor da Escola de Negócios da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Lucio Flavio Freitas, este desempenho é explicado por dois fatores: “em parte é o receio do consumidor quanto ao futuro, que faz ele poupar, e parte é por conta dessas injeções de recursos que o governo federal colocou na economia, como saque do PIS/Pasesp, das contas inativas do FGTS e outras facilidades”.

Mercado prevê que o BC, presidido por Goldfajn, faça novo corte na Selic

Ainda para justificar esse resultado, o docente recorda um dos conceitos de John Maynard Keynes, um dos economistas mais importantes do século XX, a “preferência pela liquidez”. “Você prefere o dinheiro na sua mão, o valor na forma de dinheiro, porque o futuro é incerto”, explica.

Diante deste cenário, alguns questionamentos surgem: em 2018, é aconselhável guardar dinheiro na caderneta? A poupança apresentará outro resultado positivo neste ano? O docente recomenda aos pequenos poupadores que deixem o dinheiro por lá, pois na poupança “você não paga o imposto de renda na hora de resgatar”, justifica.

Agora, caso você já tenha um capital um pouco mais robusto Freitas aconselha a compra de títulos públicos, por meio do Tesouro Direto. Contudo, ele lembra que a compra dos títulos é vantajosa para pessoas que tenham a condição de deixar o dinheiro lá, “esquecido”, por pelo menos dois anos, para pagar a menor alíquota do Imposto de Renda no momento do resgate.

Nas projeções do professor, a tendência é de que o BC faça novos cortes na taxa Selic, o que impactaria negativamente o rendimento gerado pela caderneta. O próprio presidente da instituição, Ilan Goldfajn, já deu indícios de que a flexibilização monetária pode continuar. “Se isso se confirmar (a queda na Selic), a poupança deixa de ser interessante como foi no ano passado”, conta.

A professora da Fundação Getulio Vargas, Myrian Lund, aposta que as aplicações na caderneta feitas após maio de 2012 devem fechar o ano com rendimentos entre 4,5% e 4,9%. Um ganho, portanto, maior que a inflação, que deve fechar o ano em 3,95%, de acordo com projeções do mercado. É bom lembrar que a poupança só registrou perda no poder aquisitivo, desde 1995, nos anos de 2002 e 2015.

O professor da USCS ressaltou que é primordial saber quais são seus objetivos antes de definir em qual modalidade investir. Aos investidores de primeira viagem, o especialista não recomenda aplicações de maior risco, como renda variável e investimentos na Bolsa de Valores, por exemplo. “São aplicações que exigem mais aprofundamento”, diz.

“Se você quiser ganhar mais, vai ter que procurar um fundo multimercado ou fundo renda fixa. Mas isso só para quem é mais investidor porque, normalmente, exige um valor maior”, destaca a planejadora financeira da FGV.

Mudança de cultura

Freitas lembra que ainda são poucos os brasileiros que têm o hábito de investir ou guardar dinheiro – uma cultura que deveria mudar, na visão dele. No último dia 19, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram o Indicador Mensal de Reserva Financeira, com dados que corroboram com a opinião do docente.

De acordo com a pesquisa, somente 20% da população conseguiu fechar novembro com sobras. Mesmo quando focamos apenas nos brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos (R$ 4.690), apenas 30% conseguiram poupar. Entre aqueles que conseguiram guardar dinheiro em novembro e que sabem o valor guardado, a média é de R$ 400,57. O destino preferido segue sendo a caderneta de poupança, que foi citada por 60% dos entrevistados na pesquisa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here