Conheça as quatro fases que as startups precisam superar

Da ideação à tração, as empresas nascentes precisam enfrentar etapas importantes para chegar a um estágio sustentável de crescimento

Foto: Freepik

Ideação, produto ou MVP, tração e escala. Essas são as fases de desenvolvimento que uma startup precisa passar para atingir o sucesso. Para ter um negócio sustentável, empreendedores precisam subir um degrau por vez, demonstrando aderência com o mercado, buscando sempre resolver uma dor, ou criar uma nova forma de entregar valor a um cliente. Antes de se aventurar pelo mundo do empreendedorismo, é preciso entender em qual fase o negócio está, a fim de buscar parcerias, investimentos e, por fim, o sucesso.

Lícia Souza, especialista em desenvolvimento de startups e CEO da WE Impact — venture builder dedicada a startups lideradas por mulheres — explica que entender cada um dos degraus de desenvolvimento da startup é uma maneira de encontrar soluções para cada uma das fases e ter êxito no negócio. “Mais do que uma classificação, essa divisão precisa ser entendida por quem empreende. Para cada momento existe um tipo de investimento específico e ações que devem ser realizadas para desenvolver o negócio”, completa Lícia. Saiba o que fazer em cada fase:

Ideação: colocar a ideia à prova

É na ideação que a ideia de negócio é colocada à prova, com objetivo de validar a startup para que o empreendedor comece a ter as primeiras respostas do mercado. “Essa é a hora de responder às perguntas básicas: qual é o problema que eu resolvo, quem é meu cliente, que solução eu ofereço? Claro que as respostas para essas perguntas podem ser alteradas ao longo do crescimento da empresa, mas é preciso estruturar o início para saber qual é o ponto de partida e, principalmente, validar todas essas premissas no mercado”, explica Lícia.

É nessa fase que se encontra a startup Lotsapp, participante do MIDITEC, incubadora da ACATE e Sebrae/SC. A Lotsapp é uma solução de mercado para gestão da transparência de ponta a ponta das marcas de propósito, que utiliza o blockchain como protocolo de confiança para a rastreabilidade dos materiais. Mateus Bonadiman, CEO da empresa, explica que a ideia inicial do negócio veio porque ele e seu sócio tinham uma empresa de consultoria ambiental em Manaus, e trabalhavam com a parte de cadeias produtivas amazônicas, como o peixe pirarucu. A partir disso, perceberam a necessidade de entregar aos consumidores uma garantia de origem dos produtos. “A gente viu que era uma área de atuação diferente da nossa empresa, então resolvemos abrir uma startup para seguir com essa ideia, criando uma plataforma em que os produtores inserem as informações com fotos e, por meio do blockchain, a gente daria imutabilidade para as informações, trazendo segurança para o consumidor. Com os ciclos de Design Thinking e metodologia Lean Startup, vimos que não teria escalabilidade somente com o mercado de extrativismo, e ampliamos para diversos segmentos, como mercado de moda, design e bens de consumo”, explica.

Atualmente, a startup começou a atender seus primeiros clientes: empresas que contratam a plataforma e buscam entregar uma nova experiência aos seus consumidores, se conectando por meio do propósito, transparência de origem e das histórias humanas por trás da marca. Além disso, procuram desenvolver novos modelos de negócio orientando seus consumidores no retorno do produto (upcycling) em troca de benefícios de compra em um novo, reparo e reciclagem.

Produto ou MVP: fazer a roda girar

A startup está pronta para começar a oferecer a solução que desenvolveu e mostrar ao mundo os benefícios oferecidos. “Essa fase é comumente classificada como operação, mas preferimos dar foco ao produto, pois o trabalho de desenvolvimento da solução realizado antes já pode ser considerado parte da operação da empresa. A diferença é que o produto vai para o mercado, mesmo que em uma versão mais enxuta – chamada de Mínimo Produto Viável (MVP) – para ser aperfeiçoado”, explica Lícia. Neste momento também é comum apresentar a startup a investidores e investidoras e participar de programas de desenvolvimento de startups. Outra diferença entre a ideação e a operação é a formalidade da empresa, ela entra na vida adulta, segundo Lícia. “É aqui que quem empreende já constatou que sua ideia tem potencial, abriu mão do emprego, encontrou sócios e se dedica 100% ao negócio com foco na aquisição de clientes”.

A Befective, que desenvolve uma solução que ajuda empresas e colaboradores a gerenciar e analisar o tempo de trabalho de forma inteligente para aumentar a produtividade, está nesta fase. O CEO da empresa, Marciano Verdi, conta que passada a etapa de ideação e validação do modelo de negócio, a Befective está agora ampliando a carteira de clientes e recebendo feedbacks bastante positivos dos usuários. Nessa fase, além da prospecção, Marciano acredita que é importante se concentrar no relacionamento com os clientes já conquistados e estar atento à experiência de uso para identificar possíveis pontos de melhoria e oportunidades. “Além de ter um produto que entrega valor aos usuários, nessa fase é fundamental ter uma relação próxima com os clientes e coletar feedbacks para aprimorar continuamente o produto e o atendimento”, afirma Marciano.

Tração: crescer

O objetivo dessa fase é o crescimento da startup, mas sem perder a qualidade de entrega de valor. A tração é um passo importante para a startup virar uma empresa consolidada. “Essa fase tem foco no crescimento: quem empreende já sabe qual é o produto, quanto custa para adquirir e reter clientes, já teve investimento, agora precisa expandir a operação e aumentar a carteira de cliente”, explica Lícia.

A Clint — startup de Florianópolis (SC), desenvolvedora de uma plataforma gratuita que conecta empresas com agências digitais e consultorias de marketing e vendas — é um exemplo de startup que está em fase de tração, expandindo e escalando os negócios. Em dois anos, a solução gerou mais de R$ 5 milhões em negócios entre empresas e agências, com 4 mil projetos cadastrados, o envolvimento de 1,5 mil agências e quase 9 mil usuários. Outro fator relevante: já em fase de tração, a Clint é uma empresa self funded, com crescimento orgânico. “Enquanto éramos uma agência de marketing, atendemos clientes como Lenovo, Carmen Steffens e Vtex, e ficou claro pra gente que o nosso objetivo era ir além, nos tornando intermediários no processo. Logo na sequência, começamos a fazer as conexões entre empresas que precisam melhorar marketing e vendas, com soluções que as ajudem a atingir os seus objetivos. Os resultados estão aparecendo e a nossa vontade de impactar o maior número de empresas e pessoas cresce a cada dia”, aponta o CEO da Clint, André Bernert .

Autossustentação ou Scale up: escalar

Para ser uma scale up, a startup precisa apresentar um crescimento consistente e exponencial em receita. “O negócio precisa ter um modelo sustentável, processos de implementação claros e resultados rápidos”, explica Lícia. Uma scale up está no auge do seu desenvolvimento. A partir disso, ela pode se tornar um unicórnio, uma empresa de capital aberto e ser vendida também.

A Transfeera, fintech open banking, é um exemplo de scale up. Em 2020, a fintech — que possui uma plataforma completa para gestão e automação de pagamentos, além de validação de dados bancários — já atingiu um crescimento superior a 110%, e, somente no último trimestre, faturou o equivalente a 70% de todo o faturamento de 2019. Para Guilherme Verdasca, CEO, o processo de escalada da Transfeera ocorreu por meio da dedicação do time, que está focado em oferecer serviços de excelência, além da transparência e da empatia com os clientes. “Na nossa jornada, passamos por alguns programas de capacitação, incubação e aceleração, com Startup SC, do Sebrae/SC, Softville, InoVativa Brasil, VISA e Scale Up Endeavor. Isso consolidou a base que impulsionou o nosso time a seguir sempre em frente, no caminho de desenvolver uma empresa de impacto, focada em resolver as dores dos clientes”.

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