Inscrições para programa de conexão entre startups e poder público terminam segunda-feira

Primeiro hub especializado em aproximar startups e poder público, o BrazilLAB encerra na próxima segunda-feira (8 de outubro) as inscrições para a terceira edição de seu Programa de Aceleração.

A organização está em busca de startups que ofereçam soluções inovadoras com potencial para ajudar governos a superarem desafios nas áreas de meio ambiente, gestão de pessoas, segurança pública e cybersecurity, saúde, inclusão social e educação empreendedora.

Empresas interessadas em participar do programa devem realizar inscrição pelo site http://inscricao.brazillab.org.br

Ao todo, trinta startups serão aceleradas – o dobro em relação à edição passada do programa.

“Nosso objetivo é incentivar startups a desenvolverem estratégias adaptadas para governos, ou seja, estratégias B2G (business to government)”, afirma Letícia Piccolotto, fundadora do BrazilLAB.

A aceleração

Entre dezembro e março, as trinta empresas escolhidas vão receber mentoria e apoio para desenvolvimento e validação de modelo de negócio, além de entrar em contato com gestores públicos, investidores e startups que já atuam no setor.

Ao final do processo, as selecionadas apresentarão um pitch para uma banca de investidores e especialistas, que irão eleger os melhores projetos. Os vencedores receberão um contrato de investimento que pode variar de R$ 50 mi a R$ 200, além de apoio do BrazilLAB para a implementação das soluções em governos.

O BrazilLAB já acelerou 26 startups desde a primeira edição do programa. Entre os projetos que passaram pela aceleração estão o CUCO Health, aplicativo que atua como enfermeira digital e vem ajudando a reduzir filas nas Unidades Básicas de Saúde de Juiz de Fora (MG), e a MobiEduca.me, plataforma de combate à infrequência escolar que reduziu a evasão em 76% em escolas do Piauí.

 Os desafios 2018-2019

Nesta edição, o BrazilLAB dobrou o número de áreas para as quais o programa de aceleração receberá propostas de soluções. “Identificamos problemas desafiadores para administrações públicas que a tecnologia e a inovação têm grande potencial para ajudar a superar”, explica Letícia Piccolotto. São eles:

Meio Ambiente: O Brasil é o maior país da América do Sul e o quinto do planeta em território. Seus mais de oito milhões de quilômetros quadrados abarcam diversas zonas climáticas e biomas, além da enorme riqueza em espécies de plantas e animais. No entanto, há um uso excessivo e inadequado de recursos, além de hábitos pouco sustentáveis que prejudicam a disponibilidade de matérias-primas já escassas e limitadas. Assim, o BrazilLAB busca soluções que auxiliem na preservação desses recursos e garantam proteção ambiental e desenvolvimento de forma mais sustentável.

Educação empreendedora: As rápidas transformações pelas quais o mundo vem passando exigem cada vez mais que as pessoas tenham visão inovadora, sejam autônomas e dominem competências múltiplas. Pesquisas do Fórum Econômico Mundial indicam que sociedades que investem em ações, negócios e educação empreendedora aumentam sua representatividade nos mercados, mas um estudo do Sebrae mostra que o empreendedorismo no Brasil não é voltado à inovação. Dos 48 milhões de donos de empresas no país, 44% ingressaram no setor por necessidade e 70% recebem, no máximo, três salários mínimos – o que especialistas chamam de empreendedorismo de subsistência. O programa de aceleração do BrazilLAB busca soluções que fomentem o empreendedorismo de inovação na educação e prepararem os alunos para que eles tenham as competências necessárias para enfrentar os desafios do futuro, além de ajudarem os educadores a cultivar a criatividade, o protagonismo, o empreendedorismo e a confiança dos alunos na sala de aula.

Gestão de pessoas: De acordo com a FGV/DAPP, o tamanho real do setor público aumentou 42% entre 2000 e 2014, chegando a 44 funcionários públicos para cada 1000 habitantes – entre os países membros da OCDE, a média é de 14 a 22 funcionários. No entanto, enfrentamos dificuldades em entregar serviços de qualidade: temos alguns dos processos mais ineficientes do mundo, alocando tempo e recursos públicos em ações de baixo retorno para a população. De acordo com o Banco Mundial, a burocracia prejudica mais o desenvolvimento do que o peso financeiro dos tributos. Para este desafio, o BrazilLAB busca startups que ajudem no controle e auditoria da folha de pagamento, e que tragam inovações tecnológicas para aprimorar processos internos, inclusive aqueles de seleção, monitoramento e desenvolvimento dos funcionários públicos.

Inclusão social: Diversos dados mostram que alguns grupos sociais ainda enfrentam grandes barreiras para sua plena inclusão. Apesar de o último Censo apontar que quase 24% da população brasileira é formada por pessoas com deficiência, essas pessoas ocupavam apenas 0,77% dos empregos formais no país em 2014, segundo o Ministério do Trabalho. Mulheres, que formam 52% da população brasileira de acordo com o IBGE, recebem em média 22% menos que homens. Entre jovens negros cuja mãe é analfabeta, vivendo em situação de extrema pobreza em áreas rurais do Nordeste, apenas 8% concluem o ensino médio com menos de um ano de atraso, de acordo com o estudo Gesta – Engajamento Escolar, da Fundação Brava. O programa de aceleração do BrazilLAB busca projetos que auxiliem na promoção de oportunidades iguais, a fim de combater o preconceito e a exclusão social com base em classe, idade, necessidades especiais, sexo, gênero, raça e outras; e também engajem a sociedade na busca pela inclusão social em todos os aspectos.

Saúde: O Sistema Único de Saúde corre risco de colapso em um futuro próximo. Estudo divulgado pelo Instituto Coalização Saúde e realizado pela McKinsey & Company mostra que as despesas com saúde podem chegar a 25% em 2030, nível insustentável para os cofres públicos. O desenvolvimento de uma cultura de prevenção de doenças pode não só otimizar os gastos do governo na área, como também melhorar a qualidade e expectativa de vida da população. Diante disso, o BrazilLAB busca startups com soluções para apoiar o setor público no oferecimento de ferramentas digitais para a prevenção de doenças, e ajudar a tornar o cidadão mais consciente e responsável pela própria saúde, auxiliando o Brasil em sua meta de queda de obesidade e na melhoria dos hábitos alimentares.

Segurança pública e cybersecurity: O Índice de Progresso Social coloca o Brasil como o 11º mais inseguro do mundo. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 17 das 50 cidades mais violentas do mundo são brasileiras e o país tem mais homicídios do que 52 países da América do Norte, Europa, Oceania e Norte da África combinados. No ambiente online, os dados também são preocupantes: o relatório Norton Cyber Security Insights mostra que, em 2016, 42,4 milhões de brasileiros foram afetados por investidas de hackers, e o prejuízo total no país por conta desses ataques chegou a R$ 32,1 bilhões. Para este desafio, os empreendedores devem apresentar soluções que possam contribuir com a melhoria da segurança pública no Brasil e mostrem como a tecnologia pode auxiliar o governo no combate a ataques cibernéticos que afetam a segurança pública no país.

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