O que as agências de marketing e publicidade podem aprender com as startups

Cofundador da Bpool lista aprendizagens no mercado das martechs

Foto: Freepik

O Brasil se tornou o 20º país no mundo e o 1º na América Latina com o maior número de startups, segundo o ranking mundial realizado pela StartupBlink. De acordo com a Associação Brasileira de Startups, de 2015 até 2019 o número de startups no Brasil saltou de 4.151 para 12.727.

O mercado é confrontado pelas mudanças e inovações que o novo modelo promove. No universo das agências publicitárias, no qual startups ágeis e criativas têm ganhado cada vez mais espaço, esse dinamismo promove uma verdadeira onda de transformação e inovação.

Startups que unem tecnologia e soluções de marketing, para transformar o modo como as empresas geram valor para os seus clientes, já somam mais de 700 só no Brasil, segundo dados do Inside Martech Report, do Distrito Dataminer.

A necessidade de agências e startups atuarem juntas já não é mais uma tendência, mas uma necessidade. Corporações e empresas que desejam continuar relevantes e startups que sonham em ganhar espaço no mercado precisam considerar seriamente essa relação. Um grande fator para startups inovarem tão rapidamente é o próprio mercado em que elas estão inseridas.

Com experiência em conectar empresas e agências de marketing, Daniel Prianti, cofundador da BPool, explica como os clientes e agências podem aprender com as startups, que funcionam como um excelente exemplo de como se adaptar às transformações à medida que a tecnologia impulsiona cada vez mais os consumidores.

“O primeiro ponto relevante destacado pelo executivo é o fato das startups bem-sucedidas nasceram a partir de um problema. Quando essa dor é solucionada, isso se torna determinante para que o fundador de uma startup defina o perfil dos profissionais que se juntarão a ele e o nível de engajamento que eles terão. Fatores fundamentais para o sucesso da empresa”, diz Daniel.

A essência do negócio é a prestação de serviços B2B, que existe fundamentalmente para resolver os problemas dos clientes. Está mais do que claro que governo e filantropia sozinhos não têm a capacidade de resolver os problemas do mundo com a urgência necessária e que, grandes marcas, seja por opção ou por pressão do consumidor, terão de assumir papéis de protagonismo. Não é à toa que se intensificaram tanto as pautas, práticas e investimentos ESG nos últimos anos.

A oportunidade aqui está na revisão da estratégia de novos negócios das agências e na implementação de um plano que priorize a prospecção de marcas que estejam engajadas com impacto positivo na sociedade e no meio-ambiente. Com esses novos clientes na carteira as agências tendem a atrair novos colaboradores, além de engajar e reter melhor os atuais.

“São inúmeras as agências no mercado que podem desenvolver um bom projeto de comunicação com uma grande marca. O desafio aqui está, no entanto, em encontrar o parceiro ideal e que possa suprir as necessidades daquele cliente”, afirma o cofundador da BPool.

Segundo ponto, em uma fase um pouco mais avançada as startups costumam receber aportes de fundos. O aporte de Venture Capital é fundamentalmente um investimento de risco e um modelo de negócio construído para que o empreendedor possa tomar altos riscos e aumentar suas chances de crescimento exponencial. Não existe no modelo nenhuma premiação ou espaço para taxas modestas de crescimento, mesmo que isso consuma menos capital.

“Quando observamos a estrutura de capital de uma agência, temos uma situação quase oposta: o capital geralmente é próprio, o reinvestimento geralmente vem do próprio lucro gerado na operação e o negócio é geralmente depende de poucos clientes. Um modelo que favorece pouco a assumir riscos”, explica Daniel.

A reflexão que pode ser feita do lado das agências é sobre como criar estruturas de capital e modelos que propiciem assumir mais riscos, de uma forma que o empreendedor da agência possa ousar mais, dizer mais “nãos” a determinados clientes, entrar no risco de determinados projetos junto com seus clientes atuais, ou simplesmente escolher melhor com que clientes quer trabalhar. “Ganhando o fôlego necessário no médio prazo, com a confiança de que qualquer percalço ao longo do caminho não afetará seu patrimônio pessoal e qualidade de vida da família”, finaliza.

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