Regulação governamental é a maior dificuldade das fintechs

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Levantamento da Visa mapeia o setor; Nubank, a fintech mais bem-sucedida, supera novo desafio e lança a função débito | Foto: Divulgação

No que se refere ao mercado financeiro, umas das principais características negativas do Brasil é a baixa competitividade do setor, dominado por escassas instituições. Nos últimos anos, o surgimento das fintechs (startups voltadas ao mercado financeiro) apresentou-se como uma interessante alternativa para mudar este panorama.

O Mapa das Fintechs Brasileiras, estudo produzido pela Visa e divulgado no fim de 2018, exibe raio-X do setor e indica que o maior entrave para o crescimento da área são as regulações governamentais. Das 230 fintechs inscritas no Programa Aceleração Visa 2018, 20,2% apontaram essa como a maior dificuldade para o crescimento do negócio, seguido pela falta de capacidade de entendimento do mercado para inovações na área financeira (18,4%).

De acordo com o estudo, 78% das startups financeiras brasileiras faturaram menos de R$ 500 mil nos últimos 12 meses e apenas 16,6% superou a faixa de R$ 1 milhão. Sobre investimentos, o levantamento constata que 22% das fintechs receberam investimentos do tipo anjo ou de venture capital desde sua fundação. Dessas fintechs que receberam aportes financeiros, 55,4% captaram até R$ 500 mil, 17% entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, outros 17% entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões, e, por fim, 10,6% obtiveram mais de R$ 2 milhões. O tempo médio entre a negociação e o aporte para 63% das fintechs entrevistadas foi de até seis meses.

O vice-presidente da Visa do Brasil, Percival Jatobá, ressalta que os investimentos nas fintechs estão crescendo rapidamente. “Os dados do Mapa também reforçam a importância de se criar oportunidades para o desenvolvimento de novos negócios com esses empreendedores. Por isso, lançamos recentemente um programa de fast-track, que vai possibilitar startups da região acessarem as capacidades disponíveis na VisaNet para alavancar seus negócios com ainda mais agilidade e em um tempo significativamente menor”, explica.

Nubank lança função débito

A fintech brasileira mais festejada, o Nubank, anunciou, em dezembro, o lançamento da função débito. Em dezembro de 2017, a startup 100% digital já havia disponibilizado aos usuários a “NuConta”, que permite o pagamento de boletos, dentre outras funcionalidades.

Os usuários que já possuem a NuConta e queiram aderir à nova função, poderão utilizar a função débito e também realizar saques nos caixas eletrônicas da rede Bando24Horas, mediante o pagamento da tarifa de R$ 6,50 por saque. Para ter acesso ao cartão de crédito, à NuConta e à função débito, não é necessário pagamento de nenhuma tarifa. Interessados em testar a nova modalidade devem entrar em contato com a empresa para entrar na fila de espera – a informação é de que a função será liberada aos clientes aos poucos.

Em comunicado enviado aos clientes para anunciar a novidade, a startup ressalta que ouviu “atentamente os quase 3 milhões de clientes que abriram a NuConta”. “E foi assim”, prossegue o comunicado, “que entendemos que somente com a função débito estaríamos prontos para substituir a velha e obsoleta conta dos grandes bancos”.

O CEO e fundador da instituição, David Vélez, revela que com a chegada das funções “mais solicitadas” a startup dá um “grande passo para tornar a principal conta dos nossos clientes e a melhor alternativa aos grandes bancos”, afirma.

A startup informa que desde a criação do Nubank, em 2013, 8 milhões de pessoas já solicitaram o cartão e que atualmente 500 mil pessoas aguardam na lista de espera para ter acesso ao serviço. Entre os usuários do cartão, 72% têm menos que 36 anos.

Peça de museu

O lançamento das novas funções contou com uma “cutucada” da empresa nas instituições financeiras tradicionais. A startup selecionou um grupo de clientes para uma experiência na Pinacoteca do Estado de São Paulo, o museu de arte mais antigo da cidade. No local, o Nubank criou uma exibição temporária e transformou em peça de museu um dos grandes símbolos dos problemas do sistema bancário brasileiro: a porta-giratória.

A fintech aproveitou o anúncio e ironizou as instituições tradicionais; será o fim das portas giratórias? | Foto: Divulgação

 

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