Startup Quinto Andar chega ao ABC e revoluciona locação de imóveis

 Por Vitor Lima

Os especialistas em empreendedorismo costumar ser unânimes quando questionados sobre como “ter uma boa ideia de negócio”: o primeiro passo, eles dizem, é diagnosticar algum problema para, depois, pensar na solução deste problema. Pois bem. Quando Gabriel Braga e André Penha estudavam na Universidade Stanford, na Califórnia, os dois diagnosticaram que a operação de alugar um apartamento era muito problemática, tanto para os inquilinos quanto para os proprietários. 
Isto porque os dois já haviam tido experiências frustrantes com esse tipo de situação. Antes de se mudar para Califórnia, Braga estava em São Paulo e buscava um imóvel para alugar. A busca durou vários dias e foi cheia de complicações: as informações online não eram suficientes e ele não tinha um fiador na cidade. 
Penha (direita) frustrou-se quando colocou seu imóvel no mercado e Braga ao tentar alugar um; juntos, eles
tentam reinventar o mercado imobiliário brasileiro | Foto: Divulgação 
Na outra ponta da operação, foi Penha que penou. Ele anunciou o apartamento que possuía, em Campinas, em uma imobiliária por vários meses e não conseguiu fechar negócio. Incomodado, ele tomou a frente do processo e em duas semanas resolveu a questão, por conta própria. 
Após a constatação de que aí havia um problema, os dois estudantes passaram a estudar a fundo o setor imobiliário brasileiro, por meio de trabalhos acadêmicos. As discussões evoluíram e as ideias apareceram. Estávamos em 2012. As soluções propostas pelos dois estudantes eram vistas com bons olhos, por amigos, familiares, especialistas e investidores. Depois de mais alguns estudos, ajustes e mais ajustes, em 2013 surgia o Quinto Andar, em Campinas. 
O diretor de Marketing do negócio, Zachary Fox, sintetiza a missão da plataforma: “O Quinto Andar existe para transformar o aluguel em algo fácil e gostoso, tanto para inquilinos quanto para proprietários”. Mas, para isso de fato ocorrer, os desafios não são poucos. 
Zachary Fox, diretor de Marketing do Quinto Andar, afirma que o negócio
 “já está revolucionando o mercado” | Foto: Divulgação 
A avaliação da equipe é que existiam dois problemas centrais nessa história: para o inquilino em busca de um imóvel, a maior dificuldade é encontrar alguém disposto a ser fiador neste processo. Por outro lado, o grande problema para proprietário são os atrasos nos pagamentos dos aluguéis. 
Pensando nisto, a equipe do Quinto Andar simplesmente eliminou a figura do fiador – o responsável pelo seguro-fiança é a própria plataforma. E caso o inquilino não pague o aluguel dentro do prazo estipulado, não há problema para o proprietário, que receberá o valor normalmente, graças ao pagamento do Quinto Andar. 
De acordo com Fox, na maioria dos casos o imóvel é alugado com muito mais rapidez na plataforma, quando comparado ao tempo médio para fechar negócio das imobiliárias. “O Quinto Andar está já revolucionando o mercado. Percorremos um caminho super significativo até agora e continuaremos investindo em inovações”, ressalta. 
Como é alugar um apartamento pelo Quinto Andar?
“O Quinto Andar sabe que é necessário resolver o aluguel do começo ao fim. Também sabemos que a tecnologia facilita tudo e, por isso, criamos aplicativos para inquilinos e proprietários lidar com o processo todo pelo smartphone. Este processo online é super eficiente para os dois lados e oferece total conveniência, controle e transparência do que está acontecendo”. Essas são as palavras de Fox sobre a operação de alugar um apartamento pela plataforma. 
Os inquilinos devem acessar o aplicativo ou o portal da startup e indicar o bairro ou cidade em que têm interesse. Os apartamentos disponíveis aparecem com as informações essenciais (valor do aluguel e do condomínio, metragem, número de vagas, de dormitórios e endereço) e com diversas fotos que foram tiradas por fotógrafos profissionais que prestam serviços para o Quinto Andar. Caso o possível inquilino se interesse, ele agenda uma visita pela ferramenta e no dia e hora marcada um corretor da ferramenta estará lá para atendê-lo. 
Após essa etapa, toda a negociação entre proprietário e inquilino é feita online e caso o negócio seja fechado não há necessidade de assinar papéis e mais papéis no cartório. “Acabamos com aquele vai e vem de papel que durava semanas. Os documentos são assinados eletronicamente por inquilinos e donos de imóveis de forma remota.  A assinatura tem o mesmo valor legal do papel”, garante o diretor.
O processo para garantir se a assinatura é de fato realizada por quem se diz assinante é feito pela própria plataforma, que usa quatro níveis de autenticação e mantém um acervo probatório de ambas as partes. Fox frisa que o “serviço está em conformidade com as leis federais”. 

Campinas, capital e agora também no ABC

Os sócios enxergam o ABC como uma região
estratégica para o negócio | Foto: Divulgação 
Inicialmente presente apenas em Campinas, o Quinto Andar logo expandiu a atuação para a capital. E, desde o fim do ano passado, a ferramenta atende também o ABC. Na visão da empresa, a região é “estratégica” e os planos são de aumentar a presença da plataforma na área. “Estamos estudando a região, junto com os nossos corretores presentes na área para entendermos melhor como podemos servir os clientes do ABC. Neste ano, o ABC verá muito mais o Quinto Andar”, projeta o diretor. A startup também está presente em Barueri, Guarulhos e Osasco.

Ferramenta já recebeu dois aportes milionários 

Durante 2016, a startup recebeu dois aportes milionários. O primeiro, feito em fevereiro, foi liderado pela Kaszek Ventures, tradicional fundo de Venture Capital que atua na América Latina. Este aporte foi de US$ 7 milhões. O segundo investimento foi recebido em dezembro e o valor foi de US$ 12,6 milhões, oriundos de investidores do Acacia Partners, de Nova York, e seguida pela Qualcomm Ventures, braço de investimento da Qualcomm. No total, foram mais de R$ 70 milhões investidos na ferramenta. 
A empresa não divulga valores referentes ao lucro, mas ele é baseado em dois itens: da taxa de locação (eles ficam com o aluguel do primeiro mês) e a taxa administrativa, que representa 8% do valor mensal da soma de aluguel e condomínio. 
Os fundadores, Braga e Penha, hoje são CEO e CTO da empresa, respectivamente e contam com o apoio de 170 funcionários que trabalham para manter vivo o sonho de reinventar o mercado imobiliário brasileiro. Ao longo de 2016, o Quinto Andar registrou crescimento de 25% ao mês. “Temos uma operação muito mais enxuta, baseada na reinvenção de cada etapa do processo de locação com o uso de tecnologia. Preferimos investir em coisas que geram benefícios concretos aos clientes ao invés de gastar com lojas físicas caras”, conclui Fox.

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