Cães e gatos precisam de cuidados extras na quarentena

Apesar do isolamento social, a veterinária Luciana Pellegrino orienta que é importante tentar manter uma rotina regrada em casa com os pets, ou seja, ter horários certos para as refeições, atividades recreativas e sono, por exemplo | Foto: Freepik

Em tempos de distanciamento social, os animais passam a ter a companhia de seus donos em tempo integral. É uma novidade para os pets, que agora precisam adaptar sua rotina à presença constante dos tutores e, se por um lado é super positiva essa convivência e atenção extra, ao mesmo tempo pode trazer alguns estranhamentos para eles e exigir um período de adaptação para todos, conforme explica a veterinária da Puria, Luciana Pellegrino.

“Não são somente os humanos que sentem essa mudança no nosso dia a dia. Os pets também estão vivendo este cenário e precisam se adaptar a uma nova realidade e rotina dentro de casa. É preciso estar atento para possíveis mudanças comportamentais neste período de hiper convivência, além de tomar alguns cuidados extras com a higiene, principalmente após passeios, mas esse momento também pode ser muito positivo para os dois lados. Nós acreditamos muito nisso e, por isso, estimulamos o movimento #MelhorJuntos”, comenta Luciana.

Rotina
É essencial tentar manter uma rotina regrada em casa, com horários certos para as refeições, atividades recreativas e sono, por exemplo. “Apesar de estarmos sempre perto deles, não é aconselhável manter os pets no colo 100% do tempo ou fazendo carinho a todo o momento. Isso pode acostumá-los mal e, quando voltarmos a rotina fora de casa, isso será sentido de forma muito brusca e pode causar ansiedade” destaca Luciana.

Reserve um espaço com brinquedos e os pertences que ele precisa (como água, comida, caminha e tapete higiênico) para que o pet fique por ali sozinho durante algum tempo e vá aumentando o tempo gradativamente. Fazer o rodizio entre os brinquedos também ajuda a manter ele entretido por mais tempo.

Atividades
Passeios mais curtos e a diminuição na frequência nas atividades ao ar livre podem deixar os cachorros mais ansiosos e com mais energia acumulada. Para isso, existem diversas maneiras de queimar essa energia dentro de casa.

Ensine truques: chegou a hora de ensinar aqueles truques clássicos para o seu cachorro: sentar, rolar, deitar e dar a pata. Além de divertir, estes movimentos melhoram as habilidades cognitivas. Há diversos vídeos na Internet que podem ajudar dando dicas de como ensinar os truques. Petiscos como incentivo e recompensa positiva funcionam também.

Brinquedos: a boa e velha bolinha ou uma corda/pedaço de pano para brincar sempre funcionam e ajudam a queimar a energia acumulada. Brinquedos interativos e aqueles “recheáveis” para colocar petiscos que também estimulem os pets são uma boa pedida.
Fotos e vídeos divertidos: Aproveite as redes sociais para também ter um momento de lazer com eles e postar algo divertido.

Higiene
É imprescindível manter a casa sempre higienizada para a saúde de ambos (donos e pets).
Caso tenha passeado com seu cachorro em ambientes externos – qualquer lugar fora da sua casa – é importante higienizar as patas com água corrente e um shampoo para pet ou com sabonete de glicerina neutro, antes de deixa-lo solto dentro de casa. Caso seja um cachorro de pequeno porte, você pode pegar ele no colo e realizar a limpeza com uma bacia de água morna no tanque ou chuveiro, por exemplo. O mesmo vale para os gatos caso eles resolvam dar um passeio em ambientes externos.

Saúde mental
Estar atento à saúde mental dos bichinhos é muito importante, neste momento de mudanças. Alguns sinais podem ajudar a identificar se os animais estão com ansiedade, estresse, entre outros sintomas.

“Geralmente você observará mudanças no comportamento dele, ou seja, ele começa a fazer coisas que não eram comuns antes, como latir mais ou em horários que não o fazia, pode ter um comportamento destrutivo e começar a morder ou rasgar as coisas, rosnar, uivar, estranhar as pessoas conhecidas e até se tornar agressivo. Se seu pet está mudando o comportamento dessa maneira o ideal é que você tente manter a rotina e estabeleça horários regulares diariamente para a alimentação, brincadeira, carinhos, e, caso esses comportamentos continuem ou se o seu pet se tornar muito agressivo procure seu médico veterinário, para que ele possa avaliar se está tudo bem com a saúde, ou se é necessária alguma intervenção para manter sua saúde dele “, explica a veterinária.

Se for ansiedade e estresse por causa da nova rotina você pode tentar algumas técnicas simples que podem ajudar a acalmar os ânimos deles.

Carinhos em forma de massagem
Assim como nós, os pets também relaxam com uma boa massagem. Coloque seu gato ou cachorro em uma superfície confortável (como um almofadão, travesseiro ou a sua própria caminha) e comece pela área na qual ele mais gosta de receber carinho. Sempre com movimentos gentis, vá aos poucos indo para outras partes do corpo. Fique atento a qualquer sinal de desaprovação do animal ao explorar uma nova área e não insista ele não gostar. Com apenas alguns minutos, seu pet irá ficar mais relaxado.

Música  
Além de melhorar o humor, a música ajuda a diminuir o estresse e ansiedade dos bichinhos. O ideal é que a altura seja de som ambiente e as músicas sejam calmas. As plataformas de streaming já têm conteúdo preparado especialmente para os pets com playlists temáticas, caso você esteja na dúvida do que colocar para tocar.

TV
Um pouco de televisão também ajuda – já existem canais dedicados exclusivamente aos companheiros de quatro patas com imagens e sons gravados especialmente para eles. Mas nada de deixá-los muito tempo em frente à tela – isso também pode prejudicar os bichinhos.

“O mais importante neste período é manter uma rotina saudável e sempre prestar atenção no seu pet. Assim como nós, eles também estão se adaptando a uma nova realidade e esse período de adaptação pode trazer algumas dificuldades. E para interagir com seu pet lembrem-se de sempre seguir as recomendações do Ministério da Saúde e organizações veterinárias e lavar sempre as mãos, antes e depois de brincar com ele ou manipulá-lo, e procurar seu veterinário de confiança no caso de alguma dúvida ou emergência” finaliza Luciana.

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